Funcionários dos Correios dizem que vão intensificar greve e protestos

Carla Araújo Do UOL, em Brasília 28/08/2020 04h00

 

Nota do CVM: a nosso ver, a intransigência a que se refere este artigo não é dos trabalhadores mas sim da direção da empresa.

 

 

Após a recusa dos Correios em aceitar o acordo proposto pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), os sindicatos que representam os trabalhadores dos Correios dizem que pretendem intensificar a greve e ampliar os protestos pelo país.

“A greve vai continuar. Vamos intensificar os piquetes e as mobilizações”, disse à coluna o secretário da FENTECT (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), Emerson Marinho.

Ontem (27), o vice-presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, propôs um acordo entre os Correios e seus funcionários, que estão em greve desde o dia 17 de agosto.

A sugestão do magistrado era estender por mais um ano o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do ano passado, mantendo os atuais benefícios dos funcionários, mas sem que seja concedido o reajuste de 5%. Além disso, ele colocou como condição do acordo o fim da paralisação.

Os trabalhadores se manifestaram no sentido de debater a proposta em Assembleias, mas com a recomendação de que ela fosse aceita. Os Correios, por sua vez, afirmaram que não poderiam manter os termos atuais do ACT por conta do impacto da pandemia do coronavírus nas contas da estatal.

“Não vamos permitir nenhuma retirada de direitos como a empresa quer porque isso coloca os trabalhadores em uma situação difícil economicamente”, diz o sindicalista.

Privatização

Os trabalhadores também reclamam dos planos da empresa de iniciar o processo para a privatização da estatal, como já autorizou o presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, o BNDES selecionou o consórcio que irá desenvolver os estudos para que o processo de desestatização seja desenhado.

Além disso, os trabalhadores acusam o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto, de abrir vagas para militares na estatal e gerar uma espécie de cabide de empregos, com salários de R$ 30 a R$ 46 mil. “Enquanto isso, o trabalhador de carreira de nossa empresa ganha o salário de R$ 1,7 mil por mês”, diz o sindicalista.

À coluna, o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto afirma que a proposta apresentada pela empresa “é condizente com sua situação financeira e a realidade do país”. “Considerando a missão do gestor público em zelar pela boa administração, é dever da Diretoria dos Correios implementar os ajustes propostos, pois, sem eles, haverá grave comprometimento da situação econômica da empresa”, disse.

“Não temos condições de aceitar esses ataques brutais colocados pelo presidente Floriano Peixoto”, argumentou o sindicalista.

Segundo Emerson Marinho, a empresa tem uma adesão de quase 70% dos funcionários e conseguiu manter a ocupação de um centro de distribuição em Indaiatuba (SP), impedindo a saída de caminhões dos Correios.

Intransigência

Em nota, os Correios falam em intransigência dos trabalhadores e dizem que o fim da paralisação é essencial para empreendedores e população.

“Desde o início da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, os Correios têm sido transparentes sobre a sua situação econômico-financeira, agravada pela crise mundial causada pela pandemia de Covid-19”, diz.

“Conforme já amplamente divulgado, a empresa não tem mais como suportar as altas despesas, o que significa, dentre outras ações que já estão em andamento, discutir benefícios que foram concedidos em outros momentos e que não condizem com a realidade atual de mercado, assegurando todos os direitos dos empregados previstos na legislação”, completa a nota.

De acordo com a estatal, a paralisação parcial em curso agrava a situação. “A intransigência das entidades representativas, que tornaram a greve uma prática quase anual, está prejudicando não só o funcionamento da empresa, mas, essencialmente, a população brasileira”.

Por conta da falta de acordo, agora o caso será levado a julgamento pelo TST.

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