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SURTADOS – poema de Golondrina Ferreira

Edições Trunca é um coletivo anticapitalista dedicado a investigar, traduzir e divulgar a literatura “truncada”, “desaparecida”, “apagada” da América Latina, com especial atenção para a poesia.

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Somos um grupo de artistas trabalhadores/as, que entre outros ofícios da vida estão os de escrever poemas, canções, e traduzir poemas que nos afetam e que achamos que podem contribuir para as lutas sociais e políticas.

Organizamos edições e antologias de poemas, que imprimimos para venda a baixo custo, e disponibilizamos para download gratuitamente nas nossas redes. Até o momento já publicamos os livros: Antologia de Poesias de Luta da América Latina, que é um compilado com poetas militantes de vários países do continente; Cantos à nossa posição, uma antologia de poemas do poeta e guerrilheiro Roque Dalton, de El Salvador; e Poemas para não perder, da poeta e metalúrgica brasileira Golondrina Ferreira.

Com muita alegria e entusiasmo iniciamos essa parceria com o Centro de Estudos Victor Meyer,  cuja forma vai se consolidar ao longo do caminho. A princípio, estaremos aqui espalhando alguns poemas pra alimentar a luta, trazer respiros para dias difíceis, ajudar com esses fragmentos a contar a história da classe trabalhadora e de nossas lutas, em uma outra linguagem.

Começamos essa nossa seção aqui na página do CVM com poemas da Golondrina Ferreira, que foi o último livro que lançamos, no final de 2019. Foi a primeira publicação da Trunca de uma poeta contemporânea, viva, muito viva.

Golondrina é metalúrgica e escreve seus poemas sobre o cotidiano da fábrica, no olho do furacão da exploração capitalista. Sem mais palavreados, pois os poemas falam por si:

 

 

 

Comunicado!

 poema do companheiro Wil Melo

Quando chamei V. Ex.ª
nos vários chamados…
Vamos pra base…!
De porta, em porta,
onde importa;
Nos locais de trabalho,
estudo,
nos piquetes,
nos defender com porretes…
Onde vocês estavam?

Nas convenções…?
Convencidos de que
me convenceriam?
Decidindo quando ir
catar os cacos na rua
pra depois jogar na urna?

Não estavam lá quando apanhei da polícia,
nem quando a greve acabou na justiça,
proibida ainda que legítima…
E quando apareceram era coisa de mídia.

Pois bem,
Respondo ao seu chamado do além…

Não me convide
pra sua candidatura.
Entre em rota de fuga!
Não vos conheço da minha luta!
Parasita distrital, federal, senador
presidentx, ou governador…

Pega seu emprego na campanha,
sua conversa ensaiada,
seu carisma odioso,
até mesmo sua boa vontade
e junte com os meus votos,
nobre candidato:

ENFIE SUA URNA NO RABO!

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Nota do CVM: Companheiro Wil, entre em contato conosco. Gostaríamos de publicar outras poesias suas.
Nosso email é: centrovictormeyer@gmail.com
André Ribeiro – Coletivo CVM