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NA BOLÍVIA FOI GOLPE PATROCINADO PELA BURGUESIA, GOLPE PARA TENTAR FREAR AS LUTAS E AS CONQUISTAS DOS TRABALHADORES

Do portal da Intersindical, instrumento de luta e organização da classe trabalhadora

Na manhã de domingo, dia 10 de novembro, o presidente da Bolívia Evo Morales anuncia que convocará novas eleições, depois da Organização dos Estados Americanos (OEA) fazer coro com a oposição capitaneada pela burguesia boliviana e apoiada pelos EUA, afirmando haver vários indícios de fraude no processo eleitoral de outubro.

Na tarde do mesmo domingo, Evo Morales é forçado pelas Forças Armadas a renunciar do cargo de presidente, antes disso a violência comandada pela burguesia se espalhava pelo país.

Invadiram casas de trabalhadores, prenderam em postes dirigentes sindicais, a prefeita indígena da cidade de Vinto, Arce Guzman, teve os cabelos cortados, o corpo coberto de tinta e foi arrastada pelas ruas, a casa da irmã de Evo Morales foi incendiada, entre outros ataques que mostravam a fúria de uma burguesia que não se conformou em ver os avanços que os trabalhadores conquistaram através de muita luta. leia mais

Bolívia. “O elemento central da derrubada de Evo Morales não é a direita, mas o levante popular”.

Entrevista com Fábio Luís Barbosa dos Santos

A derrubada de Evo Morales pegou o continente de surpresa e os dias que se seguiram são de forte conflitividade social na Bolívia. Enquanto a direita reacionária e racista tenta se afirmar no poder, as complexidades étnico-sociais do país andino voltam à superfície, o que indica um vazio de legitimidade política. Enquanto os dois lados gritam golpe, é necessário compreender as repercussões para um povo acostumado aos levantes de massa. É sobre todo este contexto que o Correio da Cidadaniaentrevistou Fabio Luis Barbosa dos Santos, autor do livro Uma história da onda progressista sul-americana (1998-2016).

A entrevista é de Gabriel Brito, publicada por Correio da Cidadania, 14-11-2019.

“Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que não se trata de uma disputa da esquerda contra a direita. Há muitos anos, a base popular do governo Morales está cindida. O ponto de inflexão foi a repressão à marcha contra a construção da rodovia atravessando o parque nacional e reserva indígena Tipnis(Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Secure), em 2011. Naquele momento, diversas organizações deixaram a base do governo”.

Na conversa, Fabio Luís recupera a trajetória de mais um governo que não soube evitar o caminho da burocratização associada ao afastamento de parte de sua base e acomodação com as velhas elites econômicas, inclusive aquelas que quase colocaram o país na guerra civil em 2008.

“O outro lado da moeda foi a incorporação da agenda dos poderosos na Bolívia; gente da velha política ingressou no MAS, enquanto os militares foram afagados com muito dinheiro e privilégios. É importante reiterar que tanto em 2016 como nas eleições disputadas em outubro de 2019 muitos na esquerda e setores importantes do movimento social votaram contra o MAS”, explicou. leia mais

Bolívia: um levante popular aproveitado pela ultradireita

Do portal Passa Palavra

O levante do povo boliviano e de suas organizações foi o que, em última instância, provocou a queda do governo. Os principais movimentos exigiram a renúncia antes que as forças armadas e a polícia o fizessem.

Por Raúl Zibechi

 

O levante do povo boliviano e de suas organizações foi o que, em última instância, provocou a queda do governo. Os principais movimentos exigiram a renúncia antes que as forças armadas e a polícia o fizessem. A OEA sustentou o governo até o final. A conjuntura crítica pela qual passa a Bolívia não começou com a fraude eleitoral, mas com o ataque sistemático do governo de Evo Morales e Álvaro García Linera aos movimentos populares que os levaram ao Palácio Quemado, ao ponto que, quando precisaram que eles os defendessem, estavam desativados e desmoralizados.

1.
A mobilização social e a negativa dos movimentos de defender o que, em dado momento, consideraram “seu” governo, foi o que provocou a renúncia. Assim testemunham-no as declarações da Central Operária Boliviana, de professores e autoridades da Universidade Pública de El Alto (UPEA), de dezenas de organizações e das Mulheres Criando, talvez a mais clara de todas. A esquerda latino-americana não pode aceitar que uma parte considerável do movimento popular tenha exigido a renúncia do governo, porque não enxerga mais além dos caudilhos.

A declaração da histórica Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB), próxima ao governo, é o exemplo mais claro do sentimento de muitos movimentos: “Presidente Evo, já fizeste muito pela Bolívia, melhoraste a educação, a saúde, deste dignidade a muita gente pobre. Presidente, não deixes que teu povo arda, nem carregue mais mortos em suas costas, presidente. Todo o povo irá valorizá-lo pela posição que deves adotar, e a renúncia é inevitável, companheiro presidente. Temos de deixar o governo nacional nas mãos do povo”.

2.
Este triste desenlace tem antecedentes que remontam, em síntese apressada, à marcha em defesa do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Sécure (TIPNIS) em 2011. Em seguida a esta ação multitudinária, o governo começou a dividir as organizações que a convocaram.

Enquanto Morales e García Linera mantiveram excelentes relações com o empresariado, deram um golpe de Estado contra o Conselho Nacional de Ayllus e Markas do Qullasuyu (CONAMAQ) e contra a Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB), duas organizações históricas dos povos originários. Mandaram a polícia, livraram-se dos dirigentes legítimos e logo depois chegaram, protegidos pela polícia, os dirigentes próximos ao governo. leia mais

O plano “mais brasil” de Bolsonaro significa: mais lucro para os patrões, mais miséria para os trabalhadores

Do portal da Intersindical, instrumento de luta e organização da classe trabalhadora

As PEC’s apresentadas pelo governo Bolsonaro, através de seu ministro da economia Paulo Guedes, o fiel escudeiro dos banqueiros, quer impor ao Brasil as mesmas políticas impostas pela ditadura de Pinochet no Chile, que provocou mais miséria e privatização de serviços essenciais à população trabalhadora, como Saúde, Educação, Previdência.

O pacote batizado pelo governo de Plano “Mais Brasil”, na realidade tem por objetivo desviar recursos da saúde e da educação, congelar os reajustes do salário mínimo, liberar geral as privatizações, diminuir os salários e a jornada de trabalho dos servidores que atendem diretamente a população trabalhadora.

Para os patrões, lucro garantido; para os trabalhadores, mais miséria: o discurso do governo e a propaganda desesperada da grande imprensa apoiando o projeto tenta esconder que o real objetivo desse pacote perverso é acabar com o serviço público e aumentar a desigualdade social, por isso é preciso enxergar para além da propaganda hipócrita desse governo que a cada ato vomita seu ódio contra os trabalhadores:

– A PEC impõe o congelamento do reajuste dos salários mínimos, ou seja, se hoje o salário mínimo não cobre o básico para sobrevivência, só o repasse do índice do INPC vai impedir que milhões de trabalhadores, que hoje só recebem o salário mínimo, tenham condições de colocar comida em casa e pagar outras despesas básicas para sobrevivência. leia mais

Notícias do Chile

A luta de classes continua a ser o motor da história


Por Ota C. Rojas no blog Jornalistas Livres

Como muitos já estão acompanhando, há uma verdadeira rebelião popular em curso no Chile. O país que era o exemplo sul-americano de estabilidade e modernidade explodiu.

Quero contar um pouco de como estão as coisas por aqui desde o início da rebelião.

Na semana passada o governo anunciou um aumento da passagem dos ônibus e metrôs de Santiago. O aumento anunciado foi de 30 pesos, mais ou menos 4 centavos de dólar. Um valor irrisório, se não fosse só a ponta do iceberg. No entanto, o buraco é mais embaixo, como dizemos no Brasil. leia mais