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El País: Renda do trabalhador mais pobre segue em queda e ricos já ganham mais que antes da crise

por HELOÍSA MENDONÇA do site El País

 

Desemprego depois da recessão de 2015/2016 derrubou em 20% ganhos dos mais vulneráveis e ampliou a desigualdade no mercado de trabalho apesar do quadro de recuperação da economia

 

A recessão que o Brasil atravessou entre 2015 e 2016 afetou ricos e pobres, mas passados três anos desde o fim da “pior crise do século”, como foi batizada à época, fica claro que os efeitos deletérios desse período foram diferentes para os dois grupos. Os brasileiros mais abastados já viraram a página das vacas magras. Os pobres, ainda não. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas revela que depois da tempestade, os 10% mais ricos já acumulam um aumento de 3,3% de renda do trabalho, ou seja, além de superar as perdas, já ganham mais que antes da recessão. Enquanto isso, os brasileiros mais vulneráveis amargam uma queda de mais de 20% da renda acumulada. Se somarmos os últimos sete anos, a renda do estrato mais rico aumentou 8,5% e a dos mais pobres caiu 14%. leia mais

O sindicalismo burguês no Brasil

Eduardo Stotz

A virada da década de 1980 foi acompanhada do avanço da ideologia burguesa no movimento sindical. O chamado “sindicalismo de resultados” ou da vigência do “sindicato-cidadão” afirmado pela Força Sindical no momento de sua fundação, em 1991[1], tornou-se hegemônico no movimento sindical, tendo influído o setor mais organizado do sindicalismo brasileiro que, estruturado na Central Única dos Trabalhadores (CUT), passa a defender o “sindicalismo propositivo”. A prioridade concedida à negociação coletiva, em clara prevalência sobre a lei, contribui para a fragmentação social dos trabalhadores. A conquista dos direitos sociais e, pois, o embate de classe, remetido ao Estado, insinuada pela CUT, desaparece do cenário sindical nessa virada.

Nada menos que Jair Meneguelli, então presidente da CUT, falando nos idos de 1991, apresentou o Contrato Coletivo de Trabalho em contraposição à luta pela inclusão de direitos sociais na legislação e fez uma revisão da participação da central na mobilização pela incorporação de garantias trabalhistas e sociais na Constituição de 1988. De acordo com ele, em entrevista citada por Armando Boito Junior (1998):

A partir do Contrato Coletivo de Trabalho haverá ou será necessária a mudança na própria Constituição. Faremos as leis, nós faremos a ‘Constituição’ que regerá o capital e o trabalho, ou seja, não se deveria ter discutido redução da jornada de trabalho na Constituição. Deveria se discutir, sim, entre as partes, entre o capital e o trabalho. A única Constituição detalhista que existe no mundo é a nossa. Não queremos mais que o Congresso nos diga como temos de contratar, queremos discutir – nós trabalhadores, com os empregadores, como queremos fazer o contrato.[2]

O efeito prático dessa orientação foi liberar os segmentos mais organizados dos trabalhadores assinarem acordos por setor ou por empresa, sem ter que abranger toda a categoria legalmente constituída. O título de um estudo da socióloga Andréa Galvão é bastante ilustrativo para caracterizar o sentido das negociações e acordos coletivos conduzidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: Da categorial profissional ao setor, do setor para a empresa. É importante reter que as origens desta posição dos sindicalistas cutistas está enraizada uma experiência mais ampla e mundial, tendo por base mais importante o sindicalismo americano. É o que apontou Maria Hermínia num texto publicado em 1975.[3] O sindicalismo brasileiro no ABC era então uma corrente com ideal próximo ao “sindicalismo de negócios norte-americano: combativo, ‘apolítico’, solidamente plantado na empresa”.

Contida pela conjuntura de radicalização das greves entre 1978 e 1988, a nova corrente consolidou o enraizamento da ideologia burguesa no seio do movimento operário a partir da virada dos anos 1980. Participou das câmaras setoriais organizadas durante o governo de Itamar Franco e de práticas de gestão da produção e da força de trabalho iniciadas pelas empresas, posteriormente transformadas em lei, como a da Participação dos Lucros e Resultados (PLR) e a da flexibilização da jornada de trabalho por meio do Banco de Horas.

Essas e outras práticas de gestão orientadas para aumentar a produtividade e intensificar o trabalho estão difundidas, ainda que de modo diferenciado, nos processos produtivos de inúmeros setores econômicos, privados ou públicos. Tais práticas de exploração são inseparáveis das múltiplas formas de resistência, veladas ou abertas, individuais ou coletivas, desenvolvidas pelos trabalhadores, muitas vezes, em confronto com a orientação (ou ação) sindical de colaboração com empresas.

Mas é importante ter em mente a natureza de classe de um sindicalismo voltado para a suposta defesa do emprego e dos benefícios quando se empenha em defender um nível extremamente elevado de exploração da força de trabalho pelo capital, pois tal é o verdadeiro sentido do aumento da sanção às práticas empresariais de aumento da produtividade. Uma corrente sindical assim pautada não passa de uma força auxiliar da burguesia. Merece de fato a denominação de sindicalismo burguês.

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Notas:

[1] Patrícia Vieira Trópia. O impacto da ideologia neoliberal no meio operário: um estudo sobre os metalúrgicos da cidade de São Paulo e a Força Sindical. Universidade Estadual de Campinas, 2004.

[2] Boito Jr., Armando. Política neoliberal e sindicalismo no Brasil. Xamã Editoria, 1999, p. 150.

[3] Almeida, Maria Hermínia Tavares de. O Sindicato no Brasil: novos problemas, velhas estruturas. Debate & Crítica, v.6, n.32, julho 1975, p. 73.

Morre Carlos Eugênio Paz, o Comandante Clemente da ALN

Militante foi o último comandante da Ação Libertadora Nacional, assumindo a tarefa após os assassinatos de Marighella e Joaquim Câmara Ferreira

 

do site Ópera Mundi

 

Faleceu neste sábado (29/06), em Ribeirão Preto (SP), o músico, escritor e ex-guerrilheiro Carlos Eugênio Paz. Conhecido pelo codinome Clemente, Carlos Eugênio, que tinha 68 anos, foi o último comandante da Ação Libertadora Nacional (ALN), assumindo a tarefa após os assassinatos de Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira.

Nascido em Maceió (AL), em 23 de julho de 1950, se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II. Militante da ALN, participou ativamente de inúmeras ações contra a ditadura militar, entre elas o justiçamento do industrial dinamarquês Henning Boilesen, um dos principais financiadores da Operação Bandeirantes (OBAN) e espectador assíduo de sessões de tortura contra presos políticos praticadas nas dependências do DOI-Codi.

Em 1973, Clemente vai para Havana e de lá segue para a União Soviética e a Iugoslávia. Clemente também passou pela França e voltou ao Brasil em 1981, após a anistia.

De volta ao Brasil, Carlos Eugênio trabalhou como professor de Música e escreveu dois livros sobre a resistência à ditadura: Viagem à luta armada (1996) e Nas trilhas da ALN (1997).

“Ele se vai como viveu a vida: com coragem”, disse Maria Cláudia, sua companheira, ao informar a amigos e companheiros sobre a partida de Clemente, vítima de falência respiratória, aos 68 anos.

Carlos Eugênio deixa o exemplo de coragem e solidariedade aos companheiros de uma vida de lutas. “Fui agraciado pela valentia, pela dignidade dos companheiros que foram torturados pra dizerem onde eu estava – e muitas vezes eles sabiam – mas não disseram. Minha sobrevivência eu dedico a eles”.

Carlos Eugênio Paz conta o dia em que descobriu que o Cabo Anselmo era um traidor

 

Foi dia de greve geral em defesa da previdência, contra os ataques do governo Bolsonaro aos nossos direitos

Paralisações da produção e circulação de mercadorias, manifestações nas ruas em todas as regiões do país, marcaram mais esse importante dia de luta da classe trabalhadora

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

A madrugada do dia 14 de junho começou com os trabalhadores se colocando em movimento em defesa da Previdência Pública e a Seguridade Social, contra os cortes na educação, contra os ataques do governo Bolsonaro que quer exterminar os direitos da classe trabalhadora.

Em todas as regiões do país, metalúrgicos, trabalhadores em transporte, operários têxteis, professores, bancários, sapateiros, servidores públicos, radialistas se colocaram em movimento, que foram desde atraso à paralisação de 24 horas.

A Greve Geral de hoje, marcou que os trabalhadores mais do que avançar na compreensão do que significa a proposta do governo Bolsonaro contra a Previdência e toda a sua política que vai ter como resultado aumentar as demissões e a miséria e diminuir os direitos e salários, os trabalhadores também avançam na mobilização em defesa dos direitos.

O dia foi intenso e repleto das bandeiras vermelhas que mais do que um símbolo, marcam a nossa resistência e luta.  O dia mostrou que são só os trabalhadores em luta que podem derrotar os ataques dos patrões e dos governos. Somos nós que produzimos todas as mercadorias, somos nós que as fazemos circular, somos nós que atendemos nos serviços públicos, somos nós que socializamos o saber. Somos nós que produzimos a riqueza, somos nós e não nenhum patrão e governo que garantiram direitos, fomos nós com nossa luta que garantimos os direitos que eles tentam arrancar.

As manifestações contra os ataques do governo Bolsonaro se transformaram em grandes atos de rua no mês de maio reunindo centenas de milhares e a Greve geral do dia de hoje mostra que a luta não só vai continuar, como vai se ampliar.

A Intersindical esteve presente na organização desse importante dia de Greve Geral dos trabalhadores e seguimos firmes na ampliação dessa luta que vai se ampliar em greves maiores e mais intensas. Vamos seguir avançando na organização da luta em cada local de trabalho, estudo e moradia e na construção da unidade de ação com as Centrais e Organizações que estejam dispostas a lutar para derrotar essa desumana reforma da Previdência. leia mais

Preste atenção: dia 14 é dia de ir para rua lutar é dia de greve geral em defesa dos direitos

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

Dia 14 não é dia de trabalhar para o patrão, é dia de ir pra rua lutar. É preciso lutar contra a política desse governo que está a serviço de aumentar as demissões, retirar direitos, acabar com a aposentadoria, destruir a educação, a saúde e assistência social.

Em todas as regiões do país, os trabalhadores das mais diversas categorias já decidiram que vão parar no dia 14 de junho. Ônibus, trens e metros não vão circular, pois os trabalhadores nos transportes vão parar em defesa dos direitos. Metalúrgicos, químicos, sapateiros, têxteis e tantos outros operários também vão começar o dia 14 não produzindo mercadoria para o patrão, mas em luta em defesa da aposentadoria.

Servidores públicos nas escolas, saúde, previdência, assistência social, carteiros, estarão na luta não só por seus direitos e empregos, mas em defesa dos serviços públicos e de qualidade para o conjunto da classe trabalhadora.

Então se liga e faça parte dessa luta. Se você quer um futuro melhor pra si e para aqueles que fazem parte da sua vida, o futuro se faz na luta que acontece agora.

Não adianta se preocupar em perder um dia de trabalho, porque se você não for para a luta agora, é mais do que um dia de trabalho que vai perder. Vai perder direitos, vai perder sua aposentadoria e também seu emprego.

Converse com seus amigos e familiares, se organize e participe da GREVE GERAL, faça sua parte na luta por melhores condições de vida e trabalho. leia mais