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Greves selvagens estouram na Itália exigindo fechamento de fábricas durante pandemia do coronavírus

ESPECIAL CORONAVÍRUS

 

 

Por Will Morrow e Alex Lantier

 

Enquanto o número de mortos aumentava na Itália na quinta e sexta-feira em decorrência da pandemia global do coronavírus, greves selvagens estouraram em toda a península, lutando para deter a propagação da doença mortal. Ao mesmo tempo que o governo do primeiro-ministro Giuseppe Conte pede aos trabalhadores administrativos que evitem sair às ruas e que trabalhem de casa, os trabalhadores das fábricas estão exigindo que o contágio seja contido através do fechamento das plantas industriais cujas operações não são essenciais para o combate ao vírus.

Eles estão desafiando a burocracia sindical corrupta da Itália, que tem trabalhado de mãos dadas com os bancos e o governo Conte para exigir que os trabalhadores da produção permaneçam em suas empresas e continuem trabalhando – apesar da doença ameaçar acabar com milhões de vidas. Esse movimento é parte de uma crescente onda internacional de greves operárias contra a indiferença criminosa da aristocracia financeira à pandemia do coronavírus. Já ocorreram greves de trabalhadores dos correios em Londres, de motoristas de ônibus particulares em Paris e de trabalhadores da Fiat Chrysler (FCA) no Canadá. leia mais

Contágio Social – coronavírus, China, capitalismo tardio e o ‘mundo natural’

ESPECIAL CORONAVÍRUS

 

Publicado em A Fita

 

[Aqui chegamos com mais uma tradução. Dessa vez um extenso artigo sobre as condições do capitalismo tardio que levaram a mais uma nova epidemia viral e possíveis consequências sociais do coronavírus sobre a população chinesa. O coletivo Chuang (que pode ser traduzido grosseiramente como ‘libertar-se; atacar, fazer carga; romper as linhas inimigas; agir impetuosamente’) é um grupo de comunistas chineses críticos tanto do ‘capitalismo de Estado’ do Partido Comunista Chinês quanto da visão neoliberal e por vezes racista dos movimentos de ‘libertação’ de Hong Kong. O coletivo publica, além de artigos em seu blog, um periódico temático que já tem duas edições, em inglês, e que pode ser consultado aqui ou adquirido via AKPress. Fiquei sabendo deste artigo através do Twitter do podcast estadunidense The Antifada (‘where unrest is best!’). Como a versão de WordPress que estou usando não parece suportar ‘âncoras’, coloquei as citações do texto, marcadas por colchetes em números romanos minúsculos, no final do post. Leia a publicação origainal, em inglês, aqui. Para continuar lendo traduções como essa e ouvindo nossos podcasts, considere colaborar com nosso Apoia.se. Quaisquer dúvidas  ou correções podem ser encaminhadas para o nosso e-mail: mailto:afitapodcast@gmail.com]

 

A fornalha

Wuhan é conhecida coloquialmente como uma dos “quatro fornalhas” (火炉 火炉) da China por seu verão opressivamente úmido e quente, compartilhado com Chongqing, Nanjing e alternadamente Nanchang ou Changsha, todas cidades agitadas e antigas, localizadas perto ou ao longo do vale do rio Yangtze . Das quatro, Wuhan, no entanto, também é polvilhada com fornalhas literais: o enorme complexo urbano atua como uma espécie de núcleo para as indústrias siderúrgicas, de concreto e outras indústrias relacionadas à construção da China, com uma paisagem pontilhada pelos altos fornos de resfriamento lento das fundições remanescentes de ferro e aço pertencentes ao Estado, agora atormentadas pela superprodução e forçadas a uma nova e contenciosa rodada de downsizing, privatização e reestruturação geral – resultando em várias grandes greves e protestos nos últimos cinco anos. A cidade é essencialmente a capital da construção da China, o que significa que desempenhou um papel particularmente importante no período após a crise econômica global, uma vez que foram os anos em que o crescimento chinês foi impulsionado pela canalização de fundos de investimento para projetos de infraestrutura e construção de imóveis. Wuhan não apenas alimentou essa bolha com sua superoferta de materiais de construção e engenheiros civis, mas também, ao fazê-lo, tornou-se uma cidade em expansão imobiliária. De acordo com nossos próprios cálculos, em 2018-2019, a área total dedicada aos canteiros de obras em Wuhan era equivalente ao tamanho da ilha de Hong Kong como um todo.

Mas agora a fornalha que impulsiona a economia chinesa pós-crise parece, bem como aquelas encontradas em suas fundições de ferro e aço, estar esfriando. Embora esse processo já estivesse em andamento, a metáfora não é mais simplesmente econômica, pois a cidade outrora movimentada está fechada por mais de um mês, suas ruas esvaziadas por ordem do governo: “A maior contribuição que você pode dar é: não se reúnam, não causem caos ”, dizia uma manchete no Guangming Daily, jornal dirigido pelo departamento de propaganda do Partido Comunista Chinês. Hoje, as amplas avenidas novas de Wuhan e os brilhantes edifícios de aço e vidro que as coroam estão todos frios e vazios, à medida que o inverno diminui com o Ano Novo Lunar e a cidade entra em estagnação sob a constrição da ampla quarentena. Isolar-se é um bom conselho para qualquer pessoa na China, onde o surto do novo coronavírus (recentemente renomeado para “SARS-CoV-2” e sua doença “COVID-19”) matou quase três mil pessoas – mais do que seu antecessor, a epidemia de SARS em 2003. Todo o país está em bloqueado, como ocorreu durante a SARS. As escolas estão fechadas e as pessoas seguem trancadas em suas casas em todo o país. Quase toda a atividade econômica parou no feriado do Ano Novo Lunar em 25 de janeiro, mas a pausa foi estendida por um mês para conter a propagação da epidemia. As fornalhas da China parecem ter parado de queimar ou, pelo menos, foram reduzidos a leves braseiros. De certa forma, porém, a cidade se tornou outro tipo de fornalha, pois o coronavírus queima sua população maciçamente, como uma febre em grande escala. leia mais

Cuba: um gigante moral

ESPECIAL CORONAVÍRUS

por Jonas Duarte

O tamanho de Cuba não pode ser medido por suas dimensões físicas-geográficas ou econômicas e sociais.

A Ilha Socialista só precisa ser medida por sua dimensão humanitária. Por sua infinita solidariedade.

_”Compartimos o que temos, não o que nos sobra”_
Dizem os cubanos com sorrisos largos em seus rostos.

E assim é.

E compartem amor, solidariedade, humanidade.

Os valores socialistas se consolidam na Ilha. Nestes 60 anos de Revolução e Resistência se forjou uma cultura de solidariedade só possível sob um sistema socioeconômico socialista.

Jamais o capitalismo formará tamanha consciência cidadã, humanitária, solidária.

Foi Cuba Socialista quem salvou a humanidade do Ebola. É a mesma Cubita, linda, negra, banhada pelo sol e sal caribenhos que se apresenta ao mundo firme para dá uma contribuição valiosa (determinante mesmo) no enfrentamento ao Coronavírus.

Médicos cubanos já chegam em todas as partes do Planeta para arregaçar as mangas e domar a contaminação do vírus.
Também se destaca no tratamento seu remédio *Interferón Alpha 2b*, destacado pelos chineses como o mais eficiente dos fármacos utilizado no tratamento do Coronavírus. leia mais

CORONAVÍRUS: A CLASSE TRABALHADORA EM DEFESA DA VIDA !

ESPECIAL CORONAVÍRUS

 

Caros leitores, a epidemia do coronavírus está no centro da conjuntura. A partir de hoje vamos publicar matérias que destacam a defesa dos trabalhadores no país e no mundo frente a pandemia de coronavírus.

As precauções sanitárias não atingem a todos igualmente. Os trabalhadores vivem em áreas urbanas mais densas e desprovidas de saneamento, se deslocam para o trabalho em transportes abarrotados, que favorecem a transmissão do vírus, trabalham em ambientes coletivos, frequentemente sem condições salubres na produção, nos refeitórios, nos banheiros.

Se adoecerem pelo contágio, a assistência médica nas unidades públicas que estão habitualmente lotadas e são insuficientes para demanda rotineira, agora então ficará caótica, vide a atual situação da população na Itália, principalmente no que se refere a cuidados intensivos onde a ocupação desses leitos já depende de fila judicial na maioria dos estados.

Logo, a morte rondará mais os trabalhadores e seus familiares do que as classes dominantes, sejam assalariadas ou proprietárias, que detém mais recursos para fazer frente a esta grave adversidade sanitária e econômica que se cristaliza no país e no mundo. O vírus não tem classe mas é desigual o acesso aos meios para se defender dele assim como a chance de exposição.    

Uma face visível da política burguesa para crise é a recente tentativa do governo de evitar concessões na política fiscal, querendo manter a política neoliberal de condicionar as medidas de controle da epidemia a compensação as empresas e a continuidade das draconianas medidas de interesse do capital financeiro.  

Outro aspecto a ressaltar é a disputa política dos representantes do capital para viabilizarem suas candidaturas à presidência da República em 2022.

Os trabalhadores submetidos ao trabalho precário ou eventual serão ainda mais prejudicados pois a redução da atividade econômica os afetará duramente. 

Neste quadro grave e ameaçador, resta a classe trabalhadora arrancar do capital suas necessidades urgentes em defesa da vida para sobreviver a pandemia do coronavírus. Para esse combate é fundamental a informação, a solidariedade e a luta contra o capital e seu estado.