Arquivo da categoria: Pandemia de Coronavírus

Fatos & Crítica n° 21: Bolsonaro e o capitalismo diante da pandemia

No dia 26 de fevereiro um empresário paulista recém regressado do norte da Itália foi diagnosticado com o novo coronavírus, tornando-se o primeiro brasileiro atingido pela pandemia mundial. Apenas três semanas depois, o país já contabilizava 428 casos e 4 mortes pela COVID-19.

No mesmo período de tempo em que o vírus iniciava sua trajetória expansionista, Jair Bolsonaro se ocupava em desgastar os poderes legislativo e judiciário, mobilizando a sua base política para uma manifestação nacional em 15 de março em favor do fechamento dessas instituições. Embora não existam atualmente condições políticas e sociais para o almejado “auto-golpe” do capitão, isso não o vem impedindo de esticar a corda sempre que possível, se preparando para uma hipotética conjuntura em que as suas pretensões tenham chances de se viabilizar.

Não contava, entretanto, com a aparição em cena de um minúsculo microrganismo capaz de causar não apenas uma pandemia, como também de potencializar e aprofundar uma depressão econômica em nível mundial cujos sinais começaram a se manifestar há meses, com todas as consequências políticas e sociais que essa sinergia pode produzir.

O novo coronavírus, embora tenha uma letalidade relativamente baixa, tem a propriedade de ser altamente contagioso e atinge principalmente pessoas com comorbidades (a exemplo de diabéticos e hipertensos com elevada prevalência na população brasileira), embora mais freqüente na faixa de acima de 60 anos. Esta situação pode aumentar rápida e drasticamente a demanda pela assistência hospitalar e levar ao colapso o sistema de saúde pública já normalmente precário, depois de anos e anos de políticas neoliberais de corte de gastos.

No caso brasileiro, um estudo do Imperial College de Londres projetou cenários que variam de 44.200 mortos, se forem tomadas todas as medidas de isolamento social, a 1.150.000 mortos, caso a epidemia siga o seu curso normal, sem nenhuma medida de proteção à população.

O capitão que dirige o governo brasileiro, cujas características pessoais incluem baixos recursos intelectuais, ignorância de fatos básicos e desequilíbrio emocional, desdenhou do potencial destrutivo do novo vírus e fez questão de comparecer pessoalmente às manifestações da extrema direita de 15 de março, mesmo depois de saber que parte significativa de sua comitiva, que havia ido ao encontro de Donald Trump, encontrava-se infectada pelo coronavírus.

Insistindo em esticar a corda, Bolsonaro ainda foi capaz de se contrapor às medidas de isolamento colocadas em prática pelos governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados, acusando-os de tentar prejudicá-lo politicamente. Em rede nacional caracterizou a nova doença como uma “gripezinha”, visitou o pequeno comércio de Taguatinga e o seu gabinete providenciou peça publicitária com o mote “O Brasil não pode parar”, na qual defende o isolamento apenas para idosos e pessoas com deficiência imunológica, como se fosse possível separá-las das demais.

É certo que o comportamento de Bolsonaro não pode ser debitado apenas às características nefastas de sua personalidade. Ele vem recebendo o apoio – público, inclusive – de vários empresários, em especial aqueles proprietários de empresas de comércio e serviços, que, não sendo essenciais ao abastecimento, terão que fechar as portas e amargar prejuízos. Em sua visão de curto prazo esses capitalistas pouco se importam com o número de mortes que a epidemia ocasionará, desde que os seus lucros sejam de alguma forma preservados.

Incluem-se também entre os ramos de atividade prejudicados pelas medidas de isolamento social aqueles destinados aos serviços espirituais, pois a proibição de cultos tem também como consequência a queda do recolhimento dos dízimos e outras contribuições dos fiéis. Não foi à toa que Bolsonaro, que tem aí outra base de apoio, tenta incluir os cultos entre os setores “essenciais”, isentos de cumprir as regras de isolamento social.

Isolamento político

O comportamento irresponsável de Bolsonaro diante da pandemia acelerou o seu isolamento político, que já era progressivo após um ano de desgastes do governo. Os panelaços que se ouvem nos bairros burgueses e pequeno-burgueses das principais cidades brasileiras provêm das mesmas caçarolas que soaram pelo impeachment de Dilma Rousseff em passado recente e é bastante provável que muitos dos que hoje se manifestam sejam compostos por eleitores arrependidos de Bolsonaro. Os débeis resultados econômicos, mesmo antes da pandemia, já fomentavam esse desgaste de parte significativa da pequena-burguesia da base de apoio do capitão. leia mais

Crise do coronavírus: o colapso iminente

 

ESPECIAL CORONAVÍRUS

 

26.03.2020 |Tomasz Konicz,

O sistema capitalista mundial está a entrar na crise mais grave da sua história, cujas consequências – se não forem ultrapassadas rapidamente – podem deixar na sombra até mesmo a década de 1930.

Chegou novamente a hora do “nós” muito grande. Quando o capitalismo tardio, consumido pelas contradições internas, é tomado por outro surto de crise, surge então o momento de grandes apelos ao sentido do comum, à coesão e à disponibilidade para fazer sacrifícios. Todos os prisioneiros de uma sociedade profundamente dividida são igualmente chamados a fazer sacrifícios – do bilionário ao assalariado e ao sem-abrigo. Trata-se do grande e falso todo, quando inúmeros milhares de milhões têm de ser queimados para suportar um sistema destrutivo e irracional. Mas desta vez o sacrifício ao Mamon parece exigir, literalmente, sangue. O capitalismo é assim desmascarado como a religião secularizada que Walter Benjamin descreveu já em 1921.

Sangue para o deus sanguinário

Que tal o sacrifício da vida? É por uma boa causa, para a economia! É isso que eles estão realmente a discutir agora. Todos têm de fazer sacrifícios, Dan Patrick, vice-governador do Texas, exigiu recentemente aos seus cidadãos que todos fizessem sacrifícios. Afinal de contas, a economia tem de continuar a funcionar. Os assalariados deveriam, portanto, ir trabalhar apesar da pandemia, e os idosos, que morrem com mais frequência do que a média com o Coronavírus, deveriam simplesmente ser sacrificados para que os netos possam continuar a trabalhar – exigiu o vice-governador. Ele próprio estava preparado para dar a ida pela economia, afirmou Patrick, de 70 anos. O próprio Trump argumenta de forma semelhante, vendo o seu país “não ter sido feito para isso”, para “permanecer fechado”. Entretanto o presidente dos EUA fala em “reabrir” os EUA até à Páscoa.

Mas também na Alemanha há apelos para que a economia não seja arruinada por uma pandemia passageira. O Handelsblatt, por exemplo, lançou recentemente os excrementos do investidor Alexander Dibelius (McKinsey, Goldman Sachs) em forma de artigo, também defendendo que as rodas têm de voltar a rolar: “Mais vale uma gripe do que uma economia quebrada”. É precisamente em frases cínicas como estas, que na verdade só chegam aos holofotes da opinião publicada em tempos de crise, que o irracionalismo do modo de produção capitalista, que ameaça a civilização, é claramente evidente. O capital é o fim em si mesmo de um movimento de valorização sem limites, um fim em si mesmo ao qual tudo pode ser realmente sacrificado. leia mais

Mercedes Benz: la vida de las personas por delante de los beneficios

ESPECIAL CORONAVÍRUS

 

21/03/2020 | por Dani Ramos

[El 16 de marzo, la factoría de Mercedes Benz en Vitoria-Gasteiz saltó a la portada de los medios de comunicación: el Comité de empresa bloqueó la producción ante la actitud diletante de la dirección para hacer frente a la evolución de la epidemia no ya a nivel social, sino en el interior de la planta. En su momento no se conocía cómo se habían desarrollado los hechos. Hoy contamos con una exposición detallada de los mismos por parte de Dani Ramos, sindicalista de ESK y miembro del Comité de Empresa.

Este ejemplo de Mercedes pone en evidencia varios elementos. En primer lugar uno de los puntos negros del Estado de Alarma decretado por el Gobierno que, por una parte, impone un confinamiento total a la gente y, por otra, permite que empresas que en ningún caso desempeñan una actividad indispensable (como son garantizar la nutrición y la asistencia médica o trabajos de sanidad y limpieza, etc.) puedan seguir trabajando, con lo que implica de movilidad de la gente y cercanía física en la actividad productiva; en segundo lugar, la irresponsabilidad criminal de los sistemas de salud (central y autonómico) de no realizar test sistemáticos en la población (como en Corea del Sur) para detectar los focos de la crisis y poder establecer barreras eficaces contra su propagación; en tercer lugar, el despotismo de la empresa que, en un territorio de especial riesgo, como Vitoria-Gasteiz, pretendía seguir como si la epidemia no fuera con ellos, cuando para esa fecha –en Francia, sin ir más lejos- Renault ya había cerrado sus tres factorías; y en cuarto lugar, la necesidad de salir de la parálisis-confinamiento en la que se encuentran los sindicatos, los grandes ausentes en esta crisis que afecta al 99%.

La crisis es grave y aún estamos a tiempo de recuperar el tiempo perdido. Gobierno y patronal siguen en sus trece: querer abordar la crisis del Covid-19 sin poner en cuestión los elementos fundamentales de las políticas neoliberales impulsadas hasta ahora, así como limitar su alternativa a un agotamiento del personal sanitario y la aplicación cada vez más dura de medidas de confinamiento en una dinámica de militarización de la sociedad. Corresponde a la izquierda social y política comenzar a plantear alternativas a esta catástrofe respondiendo a las inquietudes de la gente y presionando a las instituciones y los gobiernos para un giro radical en sus políticas.]

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Pasado un tiempo de los hechos sucedidos el pasado lunes 16 de marzo en la fábrica de Mercedes en Vitoria, que derivaron en la paralización de la producción, escribo este artículo con las pulsaciones más bajas y el estado de ánimo más tranquilo.

Debo comenzar explicando que, desde que se inició la crisis por el COVID-19, la sensación de vértigo que he tenido ha sido similar a lo sucedido en la sociedad, fruto de los acontecimientos que me han llevado, desde no darle excesiva importancia al tema del coronavirus, a verme confinado en casa en aplicación del Estado de Alarma Sanitaria establecido por real decreto del Gobierno del Estado español del sábado 14 de marzo, con aplicación inmediata desde el domingo 15.

Cronología de la crisis en Mercedes Benz

Paso a centrarme en cómo se sucedieron los acontecimientos en la fábrica de Mercedes. Desde los primeros días de alerta en el tema del COVID-19, la empresa puso de referencia a la comisión de riesgos laborales (PRL). Organizó una serie de reuniones periódicas (lunes, miércoles y viernes de cada semana), para hacer un seguimiento de posibles casos, acciones a realizar y recoger sugerencias de la parte social sobre el tema. En esos primeros días, se conocen los primeros casos aislados en la sociedad y se descubren “contactos estrechos” (nombre oficial que el servicio vasco de salud, Osakidetza, da a las personas que han tenido relación directa con casos positivos de COVID-19) en la fábrica. La empresa siempre ha dicho seguir a rajatabla las indicaciones de Osakidetza, por lo que, en esos primeros casos, envió a casa a las personas que los habían mantenido. Mientras, fue tomando otro tipo de medidas, centradas sobre todo en el tema de la higiene: colocó dispensadores de desinfectantes para las manos, nos consta que reforzó la contrata de limpieza para mantener limpias las zonas comunes, líneas de montaje, cuando no se estaba produciendo, y vestuarios. Y así fueron transcurriendo los días. Hasta que llega el 5 de marzo. leia mais

Greves selvagens estouram na Itália exigindo fechamento de fábricas durante pandemia do coronavírus

ESPECIAL CORONAVÍRUS

 

 

Por Will Morrow e Alex Lantier

 

Enquanto o número de mortos aumentava na Itália na quinta e sexta-feira em decorrência da pandemia global do coronavírus, greves selvagens estouraram em toda a península, lutando para deter a propagação da doença mortal. Ao mesmo tempo que o governo do primeiro-ministro Giuseppe Conte pede aos trabalhadores administrativos que evitem sair às ruas e que trabalhem de casa, os trabalhadores das fábricas estão exigindo que o contágio seja contido através do fechamento das plantas industriais cujas operações não são essenciais para o combate ao vírus.

Eles estão desafiando a burocracia sindical corrupta da Itália, que tem trabalhado de mãos dadas com os bancos e o governo Conte para exigir que os trabalhadores da produção permaneçam em suas empresas e continuem trabalhando – apesar da doença ameaçar acabar com milhões de vidas. Esse movimento é parte de uma crescente onda internacional de greves operárias contra a indiferença criminosa da aristocracia financeira à pandemia do coronavírus. Já ocorreram greves de trabalhadores dos correios em Londres, de motoristas de ônibus particulares em Paris e de trabalhadores da Fiat Chrysler (FCA) no Canadá. leia mais