Fatos & Crítica n° 20: o governo Bolsonaro tem futuro ?

Brigas intestinas, declarações desencontradas, demissão de ministros, conflitos com o Judiciário e o Legislativo, queda da aprovação nas pesquisas de popularidade e paralisia econômica com aumento do desemprego: eis o quadro geral dos primeiros meses do governo Bolsonaro.

A alternativa burguesa de extrema-direita à “velha política”, que se revelou a mais capaz de se impor sobre o desgastado PT nas eleições de 2018, vem se deteriorando a uma velocidade muito maior do que a prevista, fazendo relembrar os casos de Jânio Quadros e Fernando Collor, dois políticos de direita que tiveram os seus governos abreviados, o primeiro pelo fracassado golpe da renúncia, o segundo por um processo de impeachment.

Uma economia que não sai do lugar

Os meios de comunicação da burguesia martelaram àexaustão durante a campanha eleitoral que a crise econômica brasileira era devida às políticas econômicas erradas dos governos do PT. Pois bem, passados três anos do afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, as políticas neoliberais de Meirelles e Guedes também não foram capazes de reerguer significativamente a economia do país.

Os dados do primeiro trimestre de 2018 são eloquentes: sucessivas quedas nas projeções dos bancos para o crescimento do país para este ano, a última delas situada abaixo de 1,5%, com viés de queda; produção industrial com decréscimo de 0,1% em doze meses; desemprego em alta, fechando o primeiro trimestre em 13,4 milhões, aos quais devem ser agregados mais 28,3 milhões de pessoas que estão subempregadas ou desistiram de procurar trabalho; e para coroar, uma inflação da cesta básica que chegou a 16,28% em São Paulo, também nos últimos doze meses, com destaque para produtos como feijão, batata e tomate.

Que a situação ruim não é só do Brasil, apontando para uma crise global, mostram as previsões da OCDE para o crescimento de algumas economias desenvolvidas em 2019: apenas 0,7% na Alemanha, 0,8% no Japão e retração de 0,2% na Itália. Retração prevista também para a Argentina, onde a política econômica neoliberal de Macri não só não impedirá como ainda agravará a queda do produto interno bruto do país, queda estimada em -1,5%. Até mesmo a economia chinesa reduzirá o seucrescimento de 6,6% em 2018 para 6,2% neste ano, segundo a mesma fonte.

Num cenário de baixo crescimento mundial – ou mesmode recessão em alguns países – não é de se admirar que os Estados Unidos adotem políticas protecionistas, como as que Trump vem empregando recentemente, tendo a China e outros países como alvos. Isso tem garantido um crescimento ainda significativo para a primeira economia do mundo, mas já existem sinais de que esse quadro não será duradouro.

Depois de tentar iludir a opinião pública com a atribuição da responsabilidade da crise econômica, que é de fato mundial, às medidas keynesianas do PT de elevação dos gastos públicos, a mídia burguesa agora divulga o mantra de que tudo estará resolvido instantaneamente com a aprovação da famigerada Reforma da Previdência. Para eles, o baixo nível de investimentos seria um fenômeno psicológico, derivado das incertezas em relação ao sucesso do programa econômico do capital financeiro, hoje apoiado por todos os setores da burguesia.

É certo que a Reforma da Previdência, se aprovada, reduzirá os gastos do governo, aumentando a capacidade de pagamento dos juros da dívida interna e, assim, satisfazendo as necessidades do capital financeiro. Mas só isso não bastará. Vem pela frente uma investida ainda maior sobre as condições de vida do trabalhador, já bastante precarizadas com a aprovação da Reforma Trabalhista de 2017. Fala-se agora de uma carteira de trabalho “verde-amarela”, onde o contrato individual prevalecerá sobre o que restou da CLT.

Mas se o aumento da exploração do trabalhador é a forma clássica de recuperar a taxa de lucros e propiciar a retomada da acumulação de capital, os cortes generalizados nas despesas públicas – a exemplo dos 30% nas universidades – e a abertura da economia ao comércio internacional, com a redução de alíquotas de exportação, como proposto por Paulo Guedes, são medidas que, ao invés de impulsionarem a economia, contribuirão para agravar ainda mais a crise. Não é a toa que um economista burguês insuspeito como André Lara Resente já aventa a necessidade do retorno a medidas keynesianas para a retomada da economia, questionando a ortodoxia neoliberal.

Um governo sem coesão interna

Bolsonaro foi o único candidato que conseguiu capitalizar com o seu discurso direto e radical a insatisfação dos eleitores com a corrupção, com a situação econômica (“culpa do PT”) e com a crise da segurança pública.

Apesar disso, representa de longe a liderança mais despreparada política e intelectualmente, o pior outsiderque a burguesia poderia sonhar para levar adiante oprograma do capital financeiro – apoiado por todas as frações da burguesia – que tem como objetivo central a redução dos direitos e benefícios sociais adquiridos historicamente pelos trabalhadores.

Em poucos meses de existência, as brigas internas por espaço entre os setores que constituem o seu núcleo político (a ala ideológica de Olavo de Carvalho, os militares e os evangélicos) vêm ocasionando desgastes sucessivos, que põem em questão a capacidade de o governo aprovar no Congresso o programa do capital, condição essencial para a sua continuidade.

Os ataques verbais da ala “olavista”, da qual fazem parte os filhos do capitão, aos militares do governo propiciaram crises que redundaram na demissão dos ministros da Secretaria Geral e da Educação, bem como de dois presidentes da Associação de Promoção de Exportações, órgão com robusto orçamento, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores.

Nesse conflito do qual não escapou nem o General VillasBôas, aquele mesmo que na ativa ameaçou o STF quando da votação do habeas corpus que tiraria Lula da prisão surge como personagem moderado e racional o próprio General Mourão, o Vice-Presidente, que vem se apresentando abertamente como opção de governo, no caso de Bolsonaro vir a ser afastado do cargo por incompetência política.

Também em relação à crise na Venezuela os militares tiveram que intervir para que a ala “olavista”, representada pelo Ministro das Relações Exteriores, não viesse a lançar o país na aventura de uma intervenção militar externa, de consequências imprevisíveis.

A ala evangélica neopentecostal também tem tido motivos para entrar em atrito com o governo, por dois relevantes motivos: a política de incentivo ao armamento individual e a possibilidade de tributação das igrejas, por meio de impostos sobre a movimentação de dinheiro.

Mas a maior preocupação com os rumos do governo veio dos lados do capital financeiro, representado pelo próprioMinistro da Economia Paulo Guedes. Pressionado pelos caminhoneiros autônomos, que fazem parte de sua base política e social, Bolsonaro mandou sustar o aumento do preço do óleo diesel programado pela Petrobras, com base no dogma neoliberal de acompanhamento dos preços internacionais para não prejudicar os acionistas da companhia.

Paulo Guedes teve que retornar às pressas do exterior para evitar a desmoralização da sua política e convencerBolsonaro a voltar atrás. A greve que vinha sendo ameaçada foi suspensa, após uma série de promessas vagas feitas pelo governo aos caminhoneiros, incluindo a de maior fiscalização do valor mínimo do frete, tabelamento que também é considerado um pecado para os defensores do livre mercado. Que o assunto parece estar longe de ter sido resolvido, não há a menor dúvida e mais cedo ou mais tarde o capitão terá que decidir entre atender os ditames do capital financeiro ou os interesses dos caminhoneiros autônomos.

Para completar o quadro de confusão na área econômica, o governo anunciou que estuda a diminuição dos impostos na indústria do tabaco, desoneração que diminuirá as receitas em época de déficit fiscal e entrará em inevitável choque com os profissionais e instituições do setor da saúde.

O próprio agronegócio, outra base social importante do governo, está em alerta com certas atitudes de extremismo ideológico do governo, como a inauguração de um escritório de negócios brasileiros em Jerusalém, que agrada aos evangélicos, mas ameaça as exportações de carne; ou o desprezo em relação ao meio ambiente, que agrada aos grileiros e desmatadores em geral, mas colocam os produtos agrícolas do país sob suspeita no mercado internacional.

Um governo sem base sólida no Congresso

Disposto a combater a “velha política”, aquela que troca apoio no Congresso por cargos que propiciem negócios lucrativos, o governo tem tido dificuldade de aprovar a sua pauta no parlamento e vem sofrendo sucessivas derrotas.

Teve que engolir a aprovação do orçamento impositivo para as emendas parlamentares, ou seja, a obrigação de liberar recursos para os projetos de interesse dos deputados e senadores, o que representa mais um engessamento do orçamento e uma margem menor para os cortes de despesas por parte da equipe econômica.

Mais recentemente, sofreu derrota na comissão parlamentar que examina o decreto que alterou a estrutura ministerial do governo, tendo se comprometido a recriar os Ministérios das Cidades e da Integração Nacional, ambos muito cobiçados pelos políticos para a realização de práticas eleitoreiras. Também o COAF – órgão de controle da movimentação financeira – sairá do Ministério da Justiça e retornará para o da Economia, dando um alívio aos parlamentares que temiam ter suas contas bancárias investigadas e transformadas imediatamente em processos, caso o órgão se mantivesse nas mãos do “paladino” da luta anticorrupção, Sérgio Moro.

Para consolar Moro por conta da perda desse importante instrumento de investigação, Bolsonaro divulgou que a próxima vaga no STF estaria destinada ao atual Ministro da Justiça, para o seu constrangimento, diante da exposição precoce da candidatura e da revelação de que sua aceitação do cargo ministerial teve uma motivação carreirista.

Moro também já havia entrado em choque com o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pela insistência do primeiro em pautar imediatamente o seu “pacote anticrime”, em paralelo com o da Reforma da Previdência.

Enfim, um governo que não se esforça em articular uma base parlamentar mínima que permita a aprovação dos seus projetos de lei. Do ponto de vista político essa articulação não seria difícil, considerando a predominância da direita e da centro-direita no Parlamento brasileiro. O que ocorre é que os deputados e senadores só sabem trabalhar com contrapartida financeira e se o governo Bolsonaro não estender a mão de novo à “velha política” ficará imobilizado e à mercê de “pautas-bomba”, como as que Eduardo Cunha preparou para Dilma Rousseff.

Governar com as redes sociais?

Tendo ganhado as eleições com o uso intensivo das redes sociais, é possível que Bolsonaro e seu grupo mais próximo imaginem que o seu sucesso se deveu não à conjuntura política especial do país em 2018, com a crise econômica e o desgaste dos governos do PT e de Temer, mas sim à utilização intensiva desses instrumentos modernos de comunicação.

Assim como Collor imaginou que os “descamisados” pudessem se mobilizar para salvá-lo do impeachment, é possível que Bolsonaro acredite poder governar por meio da mobilização política de suas bases com o uso das redes sociais. Para isso procura manter unidos e inflamados os seus apoiadores, combinado campanhas nas redes contra os seus “inimigos” com a constante divulgação de políticas do agrado da extrema-direita.

Assim, promoveram ataques ao STF pelas redes sociais, o que gerou reação forte do Presidente do Tribunal, que abriu investigação sobre os autores das ameaças, mas foram também anunciadas medidas populistas de direitacom o objetivo de manter a coesão de sua base política.

São exemplos disso: a não renovação dos contratos de fiscalização automática da velocidade nas estradas, a defesa do fim da reserva legal na Amazônia, as críticas à fiscalização ambiental, a nomeação de policiais militares para o Instituto Chico Mendes, o estímulo à posse e ao porte de armas, a defesa da liberdade de matar dos fazendeiros em suas propriedades rurais, a revisão do papel da ditadura militar e o corte em 30% dos recursos de universidades públicas, em clara retaliação às suas críticas ao governo, desde o período eleitoral.

Na política externa, escancarou o alinhamento com o governo Trump, liberando os vistos de entrada de americanos no Brasil sem contrapartida, cedendo a base de lançamento de satélites em Alcântara, aceitando trocar o status de país com tratamento especial na Organização Mundial do Comércio por um vago apoio à entrada na OCDE, apoiando as agressões americanas na Venezuela e, para culminar, Bolsonaro fez algo inédito, pelo menos para um presidente brasileiro: de forma a não deixar dúvidas sobre o seu alinhamento, fez questão de visitarpessoalmente o órgão de espionagem americano, a CIA.

Alternativas do Governo Bolsonaro

Enquanto o capital financeiro e a burguesia em geral mantiverem a esperança de que a Reforma da Previdência e outras políticas contra os trabalhadores venham a ser aprovadas, o Governo Bolsonaro seguirá contando com o indispensável apoio social para continuar existindo.

Mas a melhor alternativa para a burguesia seria que o “bom senso” prevalecesse e que o governo desistisse de alvejar a “velha política”, entrando em acordo para a divisão de cargos com os partidos de centro-direita, de forma a obter maioria no Congresso Nacional.  É certo que isso representaria o fim da prevalência da ala “ideológica” no governo, mas estariam preservados a governabilidade e o programa burguês.

A segunda alternativa, em caso de impasse com o Congresso que inviabilizasse as medidas, seria a de um processo de impeachment contra o Presidente e a subida de Mourão ao poder, que, possivelmente, não teria dificuldades em negociar com a “velha política” e acertar as aparas com o Legislativo.

A terceira alternativa seria um autogolpe, em que Bolsonaro apelaria para as Forças Armadas, diante da resistência do Congresso de se livrar dos seus velhos vícios políticos. Parece pouco provável que os generais, principalmente depois dos ataques da ala “ideológica”, venham a embarcar nessa aventura. Se o fizerem, certamente não será em benefício de Bolsonaro. As condições para isso também exigiriam um acirramento da luta de classes, o que não está no horizonte próximo.

A quarta alternativa seria um autogolpe com o apoio do médio e baixo oficialato, com os quais Bolsonaro tem boas relações. Diz-se que houve, por ocasião do julgamento do habeas corpus de Lula pelo STF, uma movimentação nesse sentido, que foi neutralizada pela ação do General VillasBôas, ao tomar para si a tarefa de intimidar a corte. Uma ação desse tipo, nas condições atuais teria tanta chance de êxito como teve a renúncia de Jânio Quadros no passado. Mas Bolsonaro e seu grupo próximo não se pautam exatamente pela racionalidade e podem tentar fustigar a esquerda para criar o acirramento político necessário a uma ação desse tipo.

Alternativa dos trabalhadores

Diante das investidas contra seus direitos sociais e o rebaixamento de suas condições de vida, os trabalhadores ainda não se mobilizaram. A principal explicação para isso é que a crise econômica gerou demissões em massa e o fechamento de fábricas, como no caso da Ford caminhões, reforçando a tirania do capital nos locais de trabalho.

O desgaste dos governos do PT e a prática sindical de rebaixamento das reivindicações e nenhum incentivo à organização pela base também contribuíram para limitar a ação da classe operária a lutas econômicas restritas. A votação expressiva de Bolsonaro em áreas industriais importantes revela também que a ideologia de direita chegou a penetrar nas fábricas, no vácuo causado pelo descrédito do PT e da CUT.

O balanço de forças é tão favorável à burguesia, que ela se deu ao luxo de prescindir até dos seus aliados históricos, os sindicatos pelegos, deixando-os também na penúria financeira com o fim do imposto sindical, da contribuição assistencial obrigatória e até mesmo do desconto das contribuições na folha de pagamento das empresas.

Se no longo prazo essas medidas acabam por contribuir para a organização independente dos trabalhadores, no curto prazo elas deixam todas as entidades sindicais, pelegas ou não, em grave crise financeira, afetando a sua capacidade de mobilização. Não é a toa que várias categorias fecharam acordos de dois anos, como a dos bancários e parte dos metalúrgicos.

Mas algumas manifestações, ainda que tímidas, começam a aparecer, como as que foram feitas contra a Reforma da Previdência em 22 de março em São Paulo. A comemoração unificada do 1º de maio no Anhangabaú, quando, depois de muitos anos, predominaram os discursos em relação aos shows e às distribuições de prêmios, mostrou que todas as entidades sindicais, independentemente de suas posições políticas, sentiram fortemente o impacto das investidas da burguesia.

Os sindicatos pelegos usam as manifestações para pressionar o governo para uma Reforma da Previdência mais “light” e buscam negociar o seu apoio a ela em troca da volta das contribuições compulsórias, que os liberaria da ingrata tarefa de ter que conquistar o apoio financeiro como decorrência da mobilização e da consciência dos trabalhadores.

Ainda no mês de maio, estão previstas uma greve dos professores contra a Reforma da Previdência e manifestações em todo o país contra os cortes de verbas nas instituições federais.

Para 14 de junho está programada uma Greve Geral contra a Reforma da Previdência, que representará um teste tanto para as entidades sindicais que se unificaram para a sua convocação, quanto para a reação de um governo declaradamente inimigo do trabalhador e que parece estar procurando um confronto, como no caso das instituições de ensino.

Por fim, cabe uma menção à prisão de Lula. Após a reforma de sua pena no STJ, será possível a saída da prisão em setembro, se não vier a ser condenado em outro processo. A decisão do STJ também liberou a pressão que impedia o julgamento sobre o cumprimento da sentença na segunda instância no STF e é possível que o assunto seja retomado, dando mais fôlego para manter Lula fora da prisão.

A autorização pelo STF da concessão de entrevistas de Lula a órgãos da imprensa revela que, passado o perigo de ele vir a ser eleito Presidente, algum relaxamento de sua situação prisional pode ser esperado. Que o assunto não desperta tantas emoções como no passado mostram as fracas manifestações, tanto da esquerda quanto da direita, quando foi comemorado um ano de sua prisão.

As declarações nas entrevistas do único líder carismático ainda em atividade no país revelam, entretanto, um tom de luta pela união nacional, no velho estilo de conciliação de classes que praticou durante o tempo em que esteve no poder. Ocorre que agora os tempos são outros e a burguesia julga ter força suficiente para impor o seu programa, sem ter que perder tempo em negociar com qualquer um que leve em conta, mesmo que minimamente, os interesses dos trabalhadores.

PS: a redação deste texto foi fechada antes das manifestações contra o corte de verbas do governo federal para educação em todo país. Em breve publicaremos uma análise abordando as repercussões e em especial, os preparativos para a greve geral de 14 de junho.

CVM, 15 de maio de 2019

Bertolt Brecht: Cinco Dificuldades no Escrever a Verdade

  • FÜNF SCHWIERIGKEITEN BEIM SCHREIBEN DER WAHRHEIT 1934. Tradução de Florian Geyer. Este panfleto político foi escrito para ser distribuído ilegalmente ma Alemanha hitlerista. Foi também publicado no jornal de asilados políticos alemães, em Paris, Nosso Tempo. Em- bora seja um trabalho dirigido diretamente à luta contra o nazismo, indica alguns elementos fundamentais da atitude assumida por Brecht como escritor revolucionário. Impresso no Versuche 9, 1949.

Quem, nos dias de hoje, quiser lutar contra a mentira e a ignorância e escrever a verdade tem de superar ao menos cinco dificuldades. Deve ter a coragem de escrever a verdade, embora ela se encontre escamoteada em toda parte; deve ter a inteligência de reconhecê-la, embora ela se mostre permanentemente disfarçada; deve entender da arte de manejá-la como arma; deve ter a capacidade de escolher em que mãos será eficiente: deve ter a astúcia de divulgá-la entre os escolhidos. Estas dificuldades são grandes para os escritores que vivem sob o fascismo, mas existem também para aqueles que fugiram ou se asilaram. E mesmo para aqueles que escrevem em países de liberdade burguesa.

1) A CORAGEM DE ESCREVER A VERDADE

Entende-se que o escritor deva escrever a verdade no sentido de que não deve suprimi-la ou silenciá-la, nem escrever inverdades, nem curvar-se perante os detentores do poder, muito menos enganar os fracos. Naturalmente, é muito difícil não se curvar diante dos poderosos e é muito vantajoso enganar os fracos.

Desagradar o proprietários quer dizer, renunciar à posse de bens. Renunciar ao pagamento de determinado trabalho significa em certas circunstâncias renunciar ao trabalho. Recusar a glória dos potentados quer dizer renunciar de vez a glória. Isto requer coragem.

Os tempos de máxima opressão são aqueles em que quase sempre se fala de causas grandiosas. Em tais épocas, é necessário ter coragem para falar de coisas pequenas e mesquinhas como a comida e a moradia dos que trabalham, no meio do palavreado homérico em que o espírito de sacrifício é agitado como estandarte glorioso.

Quando se derramam homenagens sobre os camponeses, é corajoso falar em máquinas agrícolas e forragem barata, que tornarão mais fácil o seu tão louvado trabalho. Se todas as emissoras berram que o homem sem cultura e sem instrução tem mais valor que o instruído, então é corajoso perguntar: tem valor para quem ?

Se falam de raças inferiores e superiores, então é corajoso perguntar se não é a fome, a ignorância e a guerra que provocam deformações graves.

Também é preciso ter coragem para falar a verdade sobre nós mesmos, sobre os vencidos. Muitos dos que estão sendo perseguidos perdem a capacidade de reconhecer seus erros. A perseguição parece-lhes a maior injustiça. Os perseguidores, porque perseguem, são os maus, e os perseguidos terminam caçados por causa de sua bondade. Mas essa bondade foi derrotada, impedida, vencida. Então era uma bondade fraca, uma bondade ruim, insustentável, desmerecedora de confiança. Porque não é admissível aceitar a fraqueza como par- te intrínseca da bondade, assim como se constata a umidade na chuva. Dizer que os bons são vencidos, não porque sejam bons, mas porque são fracos, isto requer coragem. Naturalmente, a verdade deve ser dita na luta contra a mentira e não cabe disfarçá-la em algo generalizado, sublime, sujeito a múltiplas interpretações. A inverdade é feita precisamente desse caráter genérico, sublime e ambíguo.

Se de alguém se diz que falou a verdade, é porque, antes, alguns ou muitos, ou um só, falaram algo diferente, uma mentira ou qualquer generalidade. Ele, porém, falou a verdade: algo prático, efetivo, inegável, aquilo de que se tratava. Não é preciso grande coragem para queixar-se da maldade do mundo, do triunfo da crueldade em geral, e de acenar com O triunfo do espírito e uma parte do mundo onde isto ainda é permitido. Aí muitos se comportam como se fossem alvo para canhões. Na realidade, estão servindo apenas como alvo de binóculos de teatro. Proclamam suas exigências vagas perante uma platéia ingênua. Exigem uma justiça em geral pela qual jamais fizeram qualquer coisa; uma liberdade genérica, para obter uma parte do que já há muito tempo foi partilhado com eles. Acham que verdade é o que soa bem. Se a verdade vem expressa em cifras, como algo árido e consiste em dos, então essa verdade não lhes serve, não consegue entusiasmá-los. Têm apenas o comportamento exterior dos que dizem a verdade. Sua desgraça é ignorar a verdade. leia mais

ACABAR COM OS DIREITOS E COM O POUCO DO QUE RESTA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE.

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

 

Diminuir o Orçamento das Universidades Federais significa tirar dos trabalhadores para botar nas mãos da burguesia e de seus capachos no Estado

O governo Bolsonaro, através do Ministério da Educação anunciou o corte de 30% do Orçamento destinado para as Universidades federais, isso significa num curto prazo de tempo inviabilizar estudos de qualidade, pesquisa e também o atendimento nos Hospitais Universitários. O corte em várias Universidades já e maior do que os 30% que já inviabilizam várias ações das Universidades e Institutos Federais.

Trabalhadores em empresas terceirizadas que prestam serviços nas Universidades serão demitidos em massa, estudantes vindos de várias regiões distantes não terão condições de se manter, pesquisas científicas que podem colaborar na evolução e melhora das condições de vida e trabalho da população trabalhadora serão paralisadas.

E além disso e muito grave, milhares de pessoas que fazem tratamento e são atendidas nos Hospitais Universitários ficaram à mercê desse governo desumano que quer tirar de quem quase nada tem e forrar as mãos dos deputados e senadores para aprovar a reforma da Previdência que agrada a burguesia.

O que o governo Bolsonaro faz é piorar ainda mais a situação já precária das Universidades e Institutos Federais que há tempos vêm sofrendo com os cortes de verbas e quem perde é conjunto da nossa classe. Além de atingir professores, servidores que trabalham nesses espaços, atinge trabalhadores em empresas terceirizadas, alunos e também o conjunto da população trabalhadora que busca os serviços prestados pelas Universidades.

Ao mesmo tempo em que corta o orçamento de serviços essenciais como na Saúde e na Educação, Bolsonaro promete para os deputados que votarem em sua desumana reforma da Previdência, R$40 milhões em emendas parlamentares.

Quem faz balbúrdia é esse governo de ódio contra os pobres: a justificativa absurda do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub para cortar o orçamento das Universidades é a de que, segundo a visão desse ministro preconceituoso e desprovido de conhecimento, as Universidades são espaço de balburdia, de muitos seminários e nada de resultados.

De qual balburdia esse ministro fala? Das Universidades Públicas ainda serem um espaço que além da socialização do conhecimento também produz através de muita pesquisa avanços que podem melhorar a qualidade de vida do conjunto da população? Para Bolsonaro e seus ministros, Universidade não é lugar para pobre, seja ele filho de um operário ou de um trabalhador rural, para o governo, esses não devem ter acesso ao conhecimento e se o tiverem somente para as disciplinas que sejam de interesse do Capital.

As insistentes declarações desse governo contra a Cuba, retirou centenas de médicos cubanos do Brasil, nos lugares onde esses médicos atendiam, médicos que se formaram aprendendo que a medicina não pode ser mercantilizada, mas sim estar a serviço de ajudar a salvar vidas, hoje são centenas e mais centenas de idosos, crianças e trabalhadores que estão à deriva, sem atendimento e acompanhamento.

Esse governo que muita fala em combater a ideologização, a cada dia tenta impô-la, pois, a ideologia nada mais é do que impor ao conjunto da sociedade os interesses da classe economicamente dominante: adestrar os seres humanos para que sejam servis ao Capital, seres humanos órfãos de sua própria história como classe trabalhadora explorada e oprimida. Enquanto fala de combate a ideologia, Bolsonaro tenta acabar com o ensino de disciplinas fundamentais para a construção da consciência crítica, mais do que isso, enquanto fala de combate a ideologia retira verbas da saúde, da educação, da assistência social e tenta chantagear dizendo que isso é necessário enquanto a reforma da Previdência não for aprovada. Uma reforma que quer retirar dos trabalhadores, dos idosos, ou seja, de quem quase nada tem para entregar nas mãos do Capital industrial e financeiro a nossa aposentadoria, acabar com a Previdência, a Seguridade Social e todos os direitos que conseguimos através de muita luta.

EM CADA LOCAL DE TRABALHO, MORADIA E ESTUDO CONSTRUIR A GREVE GERAL: os ataques desse governo atingem o conjunto trabalhadores, aqueles que estão empregados e os que estão desempregados, aposentados, jovens e crianças, as mulheres que trabalham dentro e fora de casa e para combater tudo isso, não tem outro caminho que não seja a nossa luta. A luta dos que sofrem na vida, as consequências da política desse governo dos patrões e da repressão oficial e oficiosa com suas milícias, um governo que quer ampliar a miséria e violência contra os trabalhadores, na exata medida que tenta impor reformas para aumentar a concentração de riqueza nas mãos da burguesia.

Dia 15 de Maio é dia nacional de paralisação na Educação, um dia de luta que além de defender os trabalhadores na Educação e os estudantes é um dia de luta do conjunto da classe trabalhadora atingida pelos duros ataques desse governo.

E NO DIA 14 DE JUNHO É DIA DE GREVE GERAL contra a desumana reforma da Previdência do governo Bolsonaro, contra as privatizações e de todas as medidas ditadas por esse governo que quer acabar com direitos, ampliar a fome, a miséria e a violência contra a classe trabalhadora.

BOLSONARO ESPARRAMA R$ 40 MILHÕES NAS MÃOS DOS DEPUTADOS PARA ACABAR COM A APOSENTADORIA DOS TRABALHADORES PARA ENFRENTAR MAIS ESSE ATAQUE AOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA É HORA DE GREVE GERAL

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

 

O governo Bolsonaro para tentar acabar com aposentadorias que em sua grande maioria são no valor de um salário mínimo, para obrigar os trabalhadores a trabalhar até morrer ou morrer de fome porque não conseguem emprego e nem aposentadoria, prometeu distribuir a cada deputado R$ 40 milhões em emendas parlamentares para tentar aprovar sua desumana reforma da Previdência.

A distribuição de cargos no governo para os indicados dos parlamentares e a promessa dos R$ 40 milhões em emendas para os deputados que o apoiarem se deu às vésperas da votação da proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

A desumana reforma de Bolsonaro que quer aumentar ainda mais a idade para aposentadoria e diminuir os valores pagos é na realidade impedir que os trabalhadores consigam se aposentar.

A proposta do governo que aumenta para 65 anos de idade para homens e 62 para mulheres e exige no mínimo 40 anos de contribuição, obriga os trabalhadores a trabalhar quase mais uma década e vão trabalhar aonde? Se para o patrão quem tem mais de 40 anos já está velho para trabalhar e para o governo quem tem menos 65 anos é novo para se aposentar.

O candidato que dizia que ia combater o toma lá dá cá no Congresso, que dizia que aumentar a idade para aposentadoria era um ato desumano, escancara seu ódio contra a classe trabalhadora e revela a cada dia que sua “nova política” é a velha política de comprar votos para tentar aprovar a desumana reforma da Previdência que significa arrancar direitos dos trabalhadores e acabar com o acesso a benefícios básicos da Previdência aos mais pobres.

Enquanto quer acabar com direitos de quem quase nada tem, o governo Bolsonaro mantém os privilégios dos deputados, senadores, juízes e militares e mantém o calote dos patrões à Previdência.

PARA BARRAR A REFORMA É HORA DE GREVE GERAL: mais dos que as pesquisas que mostram que a maioria da população trabalhadora é contra a reforma da Previdência, a indignação contra os ataques aos direitos aumenta a cada dia, agora é hora de transformar a indignação em movimento, é hora de construir a GREVE GERAL para impedir essa reforma, pois é só na luta que vamos barrar o massacre aos direitos do conjunto da classe trabalhadora.