Novo Germinal: O ato golpista de 8 de janeiro e as condições de luta da classe trabalhadora. Entrevista com Glaudionor Barbosa e Eduardo Stotz

O programa Segunda Opinião retoma as atividades em 2023 trazendo os camaradas Glaudionor Barbosa e Eduardo Stotz, do Centro de Estudos Victor Meyer para apresentar o Boletim Fatos e Crítica nº 40, que trata do ato golpista de 8 de janeiro e as condições de luta da classe trabalhadora.

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Fatos & Crítica nº40: O ato golpista de 8 de janeiro e as condições de luta dos trabalhadores

 

 

Em 8 de janeiro de 2023, um domingo, o Brasil assistiu, pela grande mídia burguesa e pelas redes sociais, à invasão de Brasília, capital federal, por uma multidão de bolsonaristas vindos de ônibus de diversos estados a qual se juntou um punhado de outros acampados diante do Quartel General do Comando Militar do Planalto (11ª Região Militar). Estimada em 4.000 manifestantes bolsonaristas, a multidão, uma verdadeira turba, sob a complacência das forças de segurança pública, principalmente do Exército, ocupou a Praça dos Três Poderes, e, durante quase duas horas, destruiu os edifícios e bens do patrimônio público da Presidência da República, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.  Foi um ato golpista de ampla repercussão, consequências e implicações.[1]

Duas semanas após a tentativa de golpe contra o governo Lula já é possível reconstituir o desenvolvimento que, depois da festiva posse presidencial, levou aos fatos de 8 de janeiro. Ao nos determos nesta análise pretendemos examinar as raízes e tendências do golpismo, inclusive das ações em resposta dadas pelo governo Lula, de modo a entender todo o processo como parte das condições de luta dos trabalhadores.

 

Os pretextos da tentativa golpista

Desde que assumiu o governo, em 2019, Bolsonaro fez o possível ao seu alcance para viabilizar um “autogolpe”, ou seja, um golpe militar com sua manutenção na presidência. Esse era o item mais importante de sua plataforma de governo e já havia sido explicitamente apresentado por seu colega de chapa, o General Mourão, na campanha eleitoral de 2018.

Como todo golpe teria que ter um pretexto, nesse caso específico houve dois. Em primeiro lugar, o artigo 142 da Constituição, que – na interpretação dos militares e de juristas de extrema direita – daria às Forças Armadas (FFAA) o direito de intervir para garantir a lei e a ordem, por iniciativa de um dos poderes, no caso o Poder Executivo, chefiado por Bolsonaro. leia mais

Entrevista com a operária, poeta e militante Golondrina Ferreira

do blog Cem Flores – 06.01.2023

 

A poesia é uma forma de resistência contra a tirania. Para o poeta, o povo deve “defender, mais que a vida, / a canção dentro da vida”. Essa canção, na ditadura militar que Thiago de Mello enfrentou, podia ser “um simples canto de amor. / Mas de amor armado”!

E a poesia é um canto à liberdade. Como Cecília Meireles a define na sua elegia à revolução nas Minas Gerais:

Liberdade – essa palavra,

que o sonho humano alimenta:

que não há ninguém que explique,

e ninguém que não entenda!

A poesia é um chamado à luta contra os exploradores. Castro Alves defende a “vingança feroz” das/os escravizadas/os contra os latifundiários. Os/as revolucionários/as de 1917 na Rússia cantavam Maiakóvski durante a tomada do Palácio de Inverno em Petrogrado:

Come ananás, mastiga perdiz.

Teu dia está prestes, burguês.

E a poesia é um canto ao futuro sem exploração. Do socialismo da Cidade Prevista, de Drummond, ou da república proletária, de Brecht:

Pois esta maravilha de construção testemunhava

O que nenhuma das anteriores, em muitas cidades de muitas épocas

Havia testemunhado: os próprios construtores como senhores!

A poesia é uma denúncia das condições de vida dos trabalhadores e das trabalhadoras exploradas no capitalismo. A Bomba Suja, de Ferreira Gullar, denuncia não só a diarreia que mata crianças Brasil afora, mas também “quem é que faz essa fome”:

Quem é que rouba a esse homem

o cereal que ele planta,

quem come o arroz que ele colhe

se ele o colhe e não janta.

Quem faz café virar dólar

e faz arroz virar fome leia mais

Novo Germinal: Boletim Fatos & Crítica n° 39 : A vitória eleitoral de Lula e a ameaça bolsonarista. Entrevista com Glaudionor Barbosa.

Nesta segunda-feira, 12/12, às 19h, no Programa Segunda Opinião, o camarada Glaudionor Barbosa apresenta o mais recente boletim de conjuntura do Centro de Estudos Victor Meyer (CVM): Boletim Fatos & Crítica n° 39 : A vitória eleitoral de Lula e a ameaça bolsonarista.

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Para ler o Boletim, clique no link: http://centrovictormeyer.org.br/fatos-critica-n-39-a-vitoria-eleitoral-de-lula-e-a-ameaca-bolsonarista/

Fatos & Crítica n° 39 : A vitória eleitoral de Lula e a ameaça bolsonarista

Após a vitória de Lula no segundo turno das eleições, caminhoneiros bloquearam rodovias em vários pontos do país – em movimento orquestrado por determinação de donos de grandes frotas e pela vontade própria de motoristas autônomos – e aguardaram as ordens de Bolsonaro, como já haviam feito no dia 7 de setembro de 2021.

Como há um ano, quando teve que baixar o tom e se desculpar pelas agressões verbais a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o pronunciamento do líder decepcionou suas bases: Bolsonaro veio a público dois dias depois da derrota e, em rápido discurso, agradeceu a votação que recebeu e disse que as manifestações eram resultado do “sentimento de injustiça”. Porém, condenou o “cerceamento do direito de ir e vir” (ou seja, os bloqueios das estradas) e reafirmou o seu compromisso com a Constituição.

Depois do banho de água fria ocasionado pelo dúbio pronunciamento, agravado pela visita do capitão ao STF, na qual teria reconhecido a sua derrota eleitoral, os comunicadores bolsonaristas se recuperaram do choque e interpretaram a postura do “mito” como uma inteligente manobra de despiste, necessária para preparar os últimos detalhes do ansiado golpe militar. leia mais