Boletim 10

Boletim de Conjuntura Nacional Nº 10: Crise de legitimidade política também será resolvida nas ruas

Coletivo CVM

CRISE DE LEGITIMIDADE POLÍTICA TAMBÉM SERÁ RESOLVIDA NAS RUAS

  1. A crise de legitimidade do governo Dilma Roussef

Os dois primeiros meses do segundo governo de Dilma Roussef que se completarão em 28 de fevereiro próximo foram marcados pela ampliação e aprofundamento da crise política que atinge as “alturas” do Estado burguês. As características da crise são: a divisão da coalizão PT-PMDB, com a decorrente perda de sustentação político parlamentar e o questionamento judicial do sistema político, incluindo a presidência da República, desencadeado pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal contra a direção da Petrobrás.  O impeachment de Dilma tornou-se bandeira de luta da pequena-burguesia direitista que, assumida pelo PSDB, provoca a resposta do PT e, assim, recoloca a polarização nos termos de uma oposição entre esquerda e direita. Tudo indica que a crise de legitimidade também se resolverá também nas ruas.

Lembremos aqui, de modo resumido, as raízes da crise, examinadas no boletim de conjuntura anterior: o resultado da eleição presidencial de 2014 deu vitória a Dilma Roussef por pequena margem de votos; ademais, Aécio Neves venceu com grande votação no Estado de São Paulo, derrotando o PT inclusive nas regiões operárias. A campanha foi caracterizada pelo crescimento de uma “onda conservadora”, contrapartida do esgotamento da política de conciliação de classes. leia mais

Greve da Wolks São Bernardo

A Luta Operária Contra a Exploração Capitalista e o Sindicalismo de Parceria com o Capital e o Governo

A Luta Operária Contra a Exploração Capitalista e o Sindicalismo de Parceria com o Capital e o Governo

Do Blog Cem Flores 

 

- “Se em seus conflitos diários com o capital cedessem covardemente ficariam os          operários, por certo, desclassificados para empreender outros movimentos de maior envergadura.” (Marx) [1]

- “Cada greve lembra aos capitalistas que os verdadeiros donos não são eles, e sim os operários, que proclamam seus direitos com força crescente. Cada greve lembra aos operários que sua situação não é desesperada e que não estão sós. Vejam que enorme influência exerce uma greve tanto sobre os grevistas como sobre os operários das fábricas vizinhas ou próximas, ou das fábricas do mesmo ramo industrial.” (Lenin) [2]

 

O fato político mais importante deste início do ano foi, sem dúvida, a greve de 11 dias consecutivos (6 a 16 de janeiro) dos operários da Volkswagen (Anchieta) de São Bernardo do Campo. A última greve realizada na Volks-Anchieta aconteceu em setembro de 2006, assim como hoje, contra a demissão, à época, de 3.600 trabalhadores.

A unanimidade das correntes políticas sindicais consideraram a greve como uma vitória. Podemos, realmente, falar em vitória da greve? O que significa, para a classe operária, a vitória em uma greve? Melhor dizendo, quais os sentidos da greve para a luta operária? Uma resposta a estas questões deve assumir, do nosso ponto de vista, a perspectiva da classe operária, situar-se da posição dos operários na conjuntura da luta de classes.

Em primeiro lugar, é importante resgatar os acontecimentos que conduziram ao desencadeamento da greve. leia mais

Pacotaço no Paraná

Pressão dos trabalhadores obriga governo do Paraná a recuar e retirar pacotaço de tramitação

do site da Intersindical – Instrumento de luta da classe trabalhadora

 

A classe trabalhadora paranaense impôs uma importante derrota ao capital e seu Estado nesta quinta-feira (12). A força e combatividade de trabalhadores da educação, da saúde, agentes penitenciários e de diversas categorias em greve, além de estudantes, forçaram o governador Beto Richa (PSBD) a voltar atrás e retirar da pauta de votação o ‘pacotaço’ que retira de direitos históricos dos servidores e permite que o estado acesse o fundo de previdência para cobrir gastos.

No início da manhã, milhares de trabalhadores que ocupavam a Assembleia Legislativa desde o dia 10 bloquearam os portões da casa para impedir que os deputados estaduais aprovassem o pacote através de um tratoraço. Para que a votação ocorresse, os deputados foram transportados dentro de um camburão do BOPE, protegidos por um cordão de isolamento. Spray de pimenta, bombas de efeito moral e balas de borracha foram usados para tentar impedir a entrada dos servidores na Assembleia. leia mais

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Trabalhadores em luta contra ‘pacotaço de austeridade’ ocupam a Assembleia Legislativa do Paraná

do site da Intersindical – Instrumento de luta e organização da classe trabalhadora

A luta contra o ‘pacotaço’ que retira direitos dos servidores estaduais teve um capítulo central nesta terça-feira (10). A mobilização de professores da rede estadual em greve, servidores das universidades estaduais, da saúde, agentes penitenciários e trabalhadores de outras categorias do funcionalismo público impediu a votação do pacote de medidas de austeridade do governo Beto Richa (PSDB) que prevê a retirada de direitos históricos dos servidores e permite ao estado acessar o fundo de previdência para cobrir gastos.

Durante a tarde, mais de 15 mil servidores permaneceram mobilizados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) para acompanhar a votação e fazer pressão contra a aprovação do projeto. Os servidores entraram na assembleia e conseguiram interromperam a sessão depois que os deputados estaduais aprovaram um requerimento que transforma a sessão em Comissão Geral e autoriza a realização de várias sessões no mesmo dia. Esse procedimento é conhecido como “tratoraço” por atropelar a discussão normal do projeto de lei no legislativo estadual. leia mais

Syriza

FATOS & CRÍTICA: Algo de novo na Europa

Fatos & Crítica

 

Nesta nova seção do Portal CVM, Fatos & Crítica, iremos abordar os assuntos de maior destaque da conjuntura nacional, do movimento operário e da conjuntura internacional. 

Iniciamos com o artigo de Lothar Wentzel, cujos artigos sobre o movimento operário europeu estão publicados em nosso Portal (Leia aqui "O movimento operário na Alemanha hoje" e "A Ucrânia na zona de tensão entre Rússia e o Ocidente".    

Lothar Wentzel deixa claro a forte probabilidade de confrontos do novo governo com a chamada Troika, sob hegemonia do imperialismo alemão. O Syriza, por ser uma organização heterogênea e semelhante ao PT, pretende se contrapor a esta dominação que asfixia os trabalhadores por meio de reformas legais. Como não tem maioria parlamentar, fez aliança com um partido de direita.

O novo governo não irá suportar esse enfrentamento sem uma mobilização forte e independente dos próprios trabalhadores. Estes, por sua vez, parecem estar sob influência do velho estalinismo.
É uma situação extremamente difícil.

                                                             Coletivo CVM 

Algo de novo na Europa 

Lothar Wentzel

Há algo acontecendo na Europa. A vitória eleitoral do Syriza na Grécia colocou em questão, em grande medida, a política de austeridade na Europa, pela primeira depois de anos da crise financeira iniciada em 2008. Além disso, o Syrisa pressiona por uma política externa europeia mais independente dos EUA, em relação à Rússia.

O Syriza é para a Grécia um novo tipo de partido reformista de esquerda. Pode-se talvez compará-lo com o PT em seus primórdios. Diversas correntes de esquerda e da esquerda ecológica decidiram em conjunto se constituir em Partido e, após discussões acaloradas – abertas e democráticas – uniram-se em torno de um Programa.

Os membros desse Partido não provêm da elite dominante que até agora tem governado a Grécia. Trata-se principalmente de ativistas jovens. Mas o Syriza atraiu também experientes quadros de esquerda, que queriam se distanciar da corrupção geral reinante. O Partido é forte no movimento social e nas organizações de autoajuda (cooperativas, clínicas, etc.). leia mais