Interpretação1

InterPretaAção – Wil Melo

Ei irmão
Sei como tem sido foda
Sei que a escravidão
ainda te incomoda
Que em sua porta
ainda corre esgoto
e um branco escroto
ainda te humilha

Eu sei…
Mas seja confiante
Lute mais do que antes
Seja arrogante!
Faz bem pra sua pele

Interpretação3

Não aceite
nenhum tipo
de desrespeito
Seja preto
Seja crespo

É… Eu sei companheira
O dia da preta
tem poucas horas
Mas se essa senhora
lhe faltar com o respeito
lhe crave uma faca nas costas
Não se contente com cotas
Diga ao tenente
que a cota da gente
foi paga na história
E que a mensão honrosa
à Duque de Caxias
ofende nossas filhas
que foram estupradas
junto as das Índias

Interpretação4

Seja paciente
com seu irmão de cor
Quanto ao gesto opressor
esteja ciente de que
é inaceitável
Não seja educado
Fale de boca cheia
desse dobrado
que você tem cortado
Não aceite esse Estado

Interpretação5

A branca que manda
não tá do seu lado
Não se sinta humilhado
se ela tiver te tratado
como um empregado
Sirva sua cabeça num prato

Pareço exagerado?!…

O preço do trabalho
é cotado em centavos,
O preso ao seu lado
é negro e drogado,
O prêmio do silêncio
é prato zerado
e o pacto na mesa
te quer calado
O estado de nervos
dos negros
é insustentável

Fale alto
Exija
Bata no peito e diga:
Cuide da sua vida,
classe parasita!

Defenda-se
Ande armado
Tenha a seu lado
aliados igualmente explorados
não seja mais um soldado

Interpretação2

Tente,
erre
Não seja temente
Diga ao tenente
que se ferre
Diga como se sente
Faça greve
Não espere
É você quem vai limpar essa merda
Coitados não vencem guerras
E se for acender uma vela
use uma tática velha
e com ela
acenda um molotov
pois a memória
daquele que morre
não se honra com reza
Opressão
se responde é com guerra
Não cometa o mesmo erro
duas vezes
Não confie em nada
que te faça menor
Se preciso
Faça menos e melhor
Seja grosso
Fale alto
Só não faça tudo só

InterPretaAção - Wil Melo

‪#‎PoesiadeWilMelo‬
‪#‎LetraPretaeVermelha‬

Interpretação6

aristocratas_int

Sindicalismo burguês e as origens do sindicalismo metalúrgico do ABC

Pelo Coletivo CVM

 

O sindicato dos metalúrgicos do ABC tem sido a ponta de lança do sindicalismo da classe dos patrões ou da burguesia no Brasil da atualidade.

Por sindicalismo burguês entendemos a posição de defesa ativa dos interesses dessa classe junto aos grupos de trabalhadores organizados em sindicatos. Esse tem sido, desde 2011, o sentido da proposta do Acordo Coletivo especial (ACE), projeto de lei que aguarda tramitação na Câmara dos Deputados. No caso, implica em fazer prevalecer o que foi objeto de negociação direta com os patrões sobre os direitos conquistados em lutas de classes no passado constantes na Consolidação das Leis do Trabalho e na Constituição de 1988.

A proposta volta a ser acenada agora como uma “solução” para separar e enfraquecer as classes trabalhadoras, contando para isso com o apoio de sindicatos mais organizadas, como a dos metalúrgicos do ABC.

Mas as origens dessa posição estão enraizadas numa experiência sindical mais ampla e mundial, tendo por base principalmente o sindicalismo americano. O ponto central em torno do qual gira essa prática sindical há muitas décadas é a de conseguir aumentos salariais e outros benefícios condicionados ao aumento da produtividade, ou seja, do sindicato apoiar o aumento da exploração da força de trabalho em troca dessas supostas vantagens limitadas ao âmbito das grandes empresas, como as automobilísticas. Foi esta, aliás, a linha geral defendida pelo sindicato dos metalúrgicos do ABC na Segunda Conferência Nacional de Trabalhadores em indústrias Automotivas, de Tratores, Máquinas de Terraplanagem e Implementos Agrícolas, realizada em maio de 1975. Nesse momento o sindicato passa a ser dirigido por Luis Inácio da Silva, conhecido pelo apelido de Lula.

É o que Maria Hermínia Tavares de Almeida aponta no artigo “O sindicato no Brasil: novos problemas, velhas estruturas”, publicado na revista Debate & Crítica, vol.6 , n.32, julho de 1975.

Em resumo, pareceria que o ideal dessa nova corrente sindical seria algo próxima ao “sindicalismo de negócios (business union) norte-americano: combativo, “apolítico”, solidamente plantado na empresa, tecnicamente preparado para enfrentar e resolver os problemas gerais e específicos de seus representados. (p.73)

Contudo, a tendência patronal no sindicato ficou contida por causa do arrocho salarial mantido pela ditadura militar e pela radicalização das lutas que aconteceram durante os anos de 1978 a 1989. O sindicalismo burguês foi tomando forma após a derrota de Luiz Inácio Lula da Silva (coligação Frente Brasil Popular) para Fernando Collor de Mello (coligação Movimento Brasil Novo) na eleição presidencial de 1989. Consolidou-se ao longo dos anos 1990 em diante, a partir da criação das câmaras setoriais e das alterações na legislação trabalhista baixadas por Medidas Provisórias no final do governo Itamar Franco, a exemplo da Participação nos Lucros e resultados (PLR), e consolidadas no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso que “flexibiliza” vários artigos da CLT como foi o relativo à jornada de trabalho por meio do “banco de horas”. leia mais

MPL 3

O Movimento Passe Livre acabou?

Considero que o MPL, ao não se pensar como um movimento inserido nas dinâmicas de lutas mais amplas dos trabalhadores e trabalhadoras, foi incapaz de superar seus próprios limites.
Por Legume Lucas
do site Passa Palavra

 

Após 11 anos de dedicação ininterrupta ao Movimento Passe Livre afirmo que o MPL chegou ao seu fim. Parece-me evidente que isso se deu após a maior mobilização da classe trabalhadora no Brasil dos últimos 30 anos. A participação do MPL nas mobilizações ocorridas em junho de 2013 foi fundamental e fruto de anos de trabalho regular na luta por transporte. Entendo que esse processo já foi analisado e está documentado em diferentes textos e entrevistas, por isso não o retomarei nesse texto.

Considero que após realizar sua maior potencialidade ao iniciar o processo que barrou o aumento em mais de 100 cidades no Brasil, o movimento não conseguiu caminhar para a reorganização – nacional e local – necessária para superar seus limites anteriores e, ao sermos incapazes de fazer isso, nos fechamos entre nós mesmos. Analisar o MPL é, necessariamente, olhar para os limites do movimento autônomo, pois ele foi o que de mais avançado existiu na tentativa de organizar um movimento social que se pautasse pela horizontalidade, autonomia e independência. O fim do MPL implica uma revisão de quais práticas pretendemos adotar para continuarmos em luta. leia mais

vito-giannotti

Companheiro Vito Giannotti, presente!

O Centro de Estudos Victor Meyer lamenta a perda de Vito Giannotti, que dedicou sua vida a causa do socialismo.

- Companheiro Vito Giannotti, presente !

“Filho de italianos Vito Giannotti, 61, chegou a São Paulo em 1964, trabalhou como metalúrgico, mas como gostava muito de escrever, no tempo que tinha livre buscava exercitar o desejo. Fez um ano de sociologia, parou para fazer política e nunca mais voltou. É autor de mais de 20 livros. O escritor era membro da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que ajudou a fundar em 1983. leia mais

Eduardo Cunha 1

FATOS & CRÍTICA nº 3: Balbúrdia entre os representantes da classe dominante enquanto se mantém o jogo de soma nula

FATOS & CRÍTICA nº 3

Coletivo CVM

Nos quatro meses decorridos desde a última edição de Fatos & Crítica nº 2 pode-se dizer que a crise se mantém nos mesmos limites que deram origem ao título Jogo de soma nula. Apesar de ter conseguido aprovar parte do ajuste fiscal imposto pelos interesses do capital financeiro, no qual se unificam os interesses das demais frações do grande capital, do industrial ao agrário, o governo Dilma continuou a enfrentar a ameaça de impeachment e a recusa do Congresso a implementar outras medidas do ajuste, a exemplo do aumento dos impostos.

Uma aliança entre o PMDB e PSDB, interessados em desgastar e inviabilizar politicamente Dilma e o PT no rumo à sucessão de 2018, reuniu Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e Aécio Neves, candidato derrotado na eleição passada e atual líder das pesquisas sobre intenções de voto se a eleição acontecesse no momento atual. Na primeira semana de julho, considerando a probabilidade do Tribunal de Contas da União rejeitar as contas do governo Dilma, articularam-se para o impeachment. Entretanto, pairava sobre a cabeça de Eduardo Cunha (e também de Renan Calheiros, presidente do Senado), a ameaça da cassação de mandato em decorrência de denúncias oriundas da Operação Lava-Jato. leia mais