Não verás País nenhum?

Eduardo Stotz


– D
écadas de destruição do Pantanal e Amazônia comprovam a barbárie capitalista que ameaça o nosso futuro do presente 

 

 

Este foi o inverno de nosso descontentamento.

Repetimos esta frase de Ricardo III, personagem da peça teatral de William Shakespeare (1564-1616), mas com outro sentido: infelizmente nada nos permite concluir que o inverno de 2020, ao findar, tal como na pretendida intenção daquele cruel e depois malfadado rei, afaste nuvens ameaçadoras e antecipe um glorioso verão. [1]

Marcados pela pandemia que atingiu até o momento mais de 4 milhões e 500 mil pessoas, entre sintomáticas, doentes e assintomáticas e causou 136 mil mortes – contexto utilizado para o ataque dos capitalistas contra o emprego e os direitos dos trabalhadores –, somos agora afligidos pela maior seca das últimas décadas e uma onda de queimadas numa área quase continental há mais de dois meses. A devastação de áreas de rios, de terra, fauna e flora, significa uma ameaça imediata à vida humana e não humana no Centro Oeste e Norte do país.

Devastação no Pantanal. Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal 

 

Como sempre, numa sociedade dividida em classes, a devastação dos incêndios em larga escala nestas regiões ameaça quem vive do trabalho, as pequenas comunidades do interior e as extremamente vulneráveis populações indígenas, principalmente na região amazônica.

 

Distopia

Em 1983 Ignácio Loyola Brandão publicava “Não verás país nenhum”, romance distópico elaborado a partir de notícias censuradas guardadas na gaveta da mesa na época em que atuava como editor do jornal Última Hora. [2] Assim arquitetou a distopia que toma forma na sociedade brasileira num futuro não muito distante, sobrevivendo sob um governo despótico em meio à seca decorrente da destruição ambiental. Talvez o autor tenha se inspirado em “A hora dos ruminantes”, de José J. Veiga (1966) que antecipa a visão distópica.

Contudo, a ditadura militar acabou antes de se cumprir o vaticínio de destruição. Na realidade, as forças econômicas do chamado agronegócio – o grande capital na agricultura brasileira, voltado para a exportação de carne, soja e outros bens primários – estavam recém se implantando no Brasil. A soja torna-se a principal cultura exportável a partir de 1975, mas seu maior impulso econômico, a arrastar milhares de hectares terras para cultivo, acontecerá no final dos anos 1990, em razão do engajamento empresarial brasileiro no crescimento da China como oficina mundial do capitalismo. Desde então o presságio de Brandão se metamorfoseou numa versão mais aceitável, menos cruel a se repetir anualmente, num processo de naturalização da tragédia. leia mais

Contágios na Europa estão mais altos que no início da pandemia, diz OMS

Estadão de 17/09/2020

 

GENEBRA – O nível de transmissão da covid-19 na Europa está mais alto do que na primeira onda da pandemia, entre março e abril, afirmou nesta quinta-feira, 17, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que se declarou preocupada com a redução do tempo de quarentena decidida ou planejada por alguns países, como a França.

Novos surtos da epidemia e a maior quantidade de testes, em comparação com a onda de março-abril, levaram o número diário de casos a algo entre 40 mil e 50 mil. Na primeira onda, o dia 1º de abril registrou o recorde de 43 mil contágios, de acordo com a OMS Europa.

 

Abe prometeu que o Japão ajudaria as mulheres a 'brilharem' – elas ainda esperam
Abe prometeu que o Japão ajudaria as mulheres a ‘brilharem’ – elas ainda esperam

 

“Os números de setembro deveriam servir de alerta para todos nós na Europa, onde o número de casos é superior aos registrados em março e abril“, declarou em Copenhague o diretor da OMS no continente, Hans Kluge.

O novo recorde absoluto diário foi registrado em 11 de setembro, com 54 mil contágios em 24 horas.

A agência das Nações Unidas descartou a mudança do tempo de quarentena de 14 dias, recomendado para todos aqueles que já estiveram em contato com o vírus. leia mais

O que está acontecendo nos bairros operários de Madrid ? Ouça esta enfermeira

CVM: Acrescentamos: enquanto isso, em nosso país  muito se reclama das praias e bares cheios nos fins de semana. Nada se fala dos transportes públicos superlotados de segunda a sexta. O número de mortos pela Covid-19 tem permanecido cronicamente acima de 1.000 por dia.

Os mais atingidos por essa política de morte da classe dominante são os trabalhadores.

Greve dos trabalhadores nos Correios entra na 5ª semana e se amplia a luta em defesa dos direitos e dos empregos

Do portal da Intersindical, instrumento de luta e organização da classe trabalhadora


Na audiência no Tribunal Superior do Trabalho os representantes do governo escancararam que seu objetivo é exterminar os direitos para privatizar a ECT

 

Os/as trabalhadores/as nos Correios estão em greve desde o dia 18 de agosto, uma greve que atinge todas as regiões do país e segue firme na defesa dos direitos que tanto o governo da morte de Bolsonaro tenta exterminar.

Das 79 cláusulas que estão no Acordo Coletivo de Trabalho, o governo quer acabar com 70 e modificar as 9 restantes com o mesmo objetivo de acabar com os direitos.

O presidente dos Correios, o tal general Floriano Peixoto, que entre salário e bônus recebe mais de R$ 40 mil mensais e mantém assessores recebendo salários de R$20 mil, busca retirar direitos de trabalhadores que recebem em média apenas R$ 1700,00 e ao ter seu tíquete alimentação e tantos outros direitos cortados, não terão como colocar comida dentro de casa.

O governo Bolsonaro quer impor aos trabalhadores nos Correios o que os patrões nas empresas privadas impõem desde 2017 depois da aprovação de sua reforma trabalhista encaminhada pelo governo Temer/MDB e apoiada pela maioria dos deputados e senadores, o que significa tentar acabar com os direitos contidos nas Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho que foram garantidos através de muita luta.

Na audiência realizada na semana passada no Tribunal Superior do Trabalho (TST), os representantes do general, que a serviço do governo Bolsonaro se recusaram a qualquer negociação, mostraram que sua intenção é destruir os direitos. Não apresentaram nenhuma proposta, simplesmente mantiveram a posição de rasgar o Acordo Coletivo dos trabalhadores.

Esse governo saudoso da ditadura militar, que tem na presidência dos Correios mais um dos muitos milicos que estão ocupando cada vez mais cargos na estrutura do Executivo busca piorar ainda mais as condições de vida e trabalho dos trabalhadores, sucatear ainda mais os serviços para depois entregar a ECT nas mãos das empresas privadas. A consequência disso será demissões em massa e o fim do atendimento dos serviços básicos para a população trabalhadora.

Fortalecer a solidariedade ativa a greve e ampliar essa luta: os próximos dias são muito importantes para a greve dos trabalhadores nos Correios e a solidariedade ativa do conjunto da classe é fundamental, solidariedade que se expressa participando ativamente dos atos que acontecerão no próximo dia 17/09, do ato nacional do dia 21/09 quando acontece o julgamento da greve no TST em Brasília  e em cada categoria onde estamos seguir cercando de solidariedade a greve dos nossos irmãos de classe nos Correios, pois a luta em defesa dos direitos e contras as privatizações é uma luta do conjunto da classe trabalhadora por melhores condições de vida e trabalho.