Arquivo da categoria: Artigos

As greves em 2023 no Brasil

Cem Flores – 21.05.2024

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), ocorreram 1.132 greves em 2023 no Brasil. Apesar do número de greves estar em crescimento desde 2021, ainda permanece bem abaixo do último ciclo de greves, cujo pico ocorreu em 2013-16. Em relação às horas paradas, o DIEESE mostrou que houve uma queda em relação a 2022.

Nesta publicação, continuamos nossa análise sobre as greves dos últimos anos no Brasil, focando agora o primeiro ano do governo burguês de Lula-Alckmin. A luta grevista é um importante aspecto da luta das classes exploradas. Sua análise é um passo fundamental para identificar seus limites e potencialidades em determinada conjuntura concreta e, assim, construir táticas e estratégias que apontem para o seu avanço. leia mais

Solidariedade internacional, antimilitarismo e memória social dos trabalhadores

Eduardo Stotz

 

As manifestações estudantis nos campus universitários dos EUA contra a guerra de aniquilação dos palestinos por Israel, em curso na Faixa de Gaza, trouxeram de volta o ativismo antimilitarista característico da época da luta contra a Guerra do Vietnã.

Registre-se que a ajuda militar estadunidense a Israel vem de longe, transformando-o em sua “ponta de lança” nuclear no Oriente Médio. No ultimo ano do governo de Barak Obama, em 2016, foi estabelecido o valor de US$38 bilhões a ser transferido em 10 anos, sendo que 3,3 bilhões destinados a equipamentos militares comprados a empresas americanas. A bomba MK-84, com peso de 900 kg fabricada nos Estados Unidos pela General Dynamics, tem sido usada massivamente contra a população civil em Gaza. Com o apelido de “Martelo” devido a seu poder destrutivo (pode formar crateras com 15,2 m de largura e 11 m de profundidade e perfurar 380 mm de metal ou 3,3 m de concreto, dependendo da altura que for lançada), começou a ser usada na Guerra do Vietnã (O Globo, 14.04.24: Empresas dos EUA lucram com a guerra em Gaza, p. 21; Wikipedia, Mark 84).

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O movimento operário em Contagem, 1968 – Uma análise crítica

João Ferreira

 


Apresentação 

A nossa comemoração do 1° de Maio de 2024, dia internacional de luta dos trabalhadores em todo o mundo, está voltada para resgatar a breve e radical luta dos operários de Contagem, ocorrida entre 16 e 26 de abril de 1968. Procuramos destacar como a massa operária, não encontrando no sindicato uma organização para a luta, abre caminho para o enfrentamento do capital com base na sua experiência e no limite de suas próprias forças.

Na literatura das ciências sociais sobre a greve (Weffort; Grossi; Neves) faz-se referência ao tema da espontaneidade da greve de 1968, concomitantemente à atuação do sindicato dos metalúrgicos e das organizações de esquerda, atuantes nas fábricas e bairros operários (principalmente Ação Popular, Política Operária, Colina, Corrente), naquele momento.  leia mais

Revogação da reforma trabalhista? O caminho da luta de classes

 

O dia Primeiro de Maio tem sido comemorado anualmente pelos trabalhadores do mundo inteiro desde 1890 – por iniciativa da Internacional Socialista – como um dia internacional de luta por suas reivindicações enquanto classe. Assim tem sido igualmente no Brasil, porém o seu sentido tem dependido do grau de consciência e organização alcançado ao longo do tempo.

Neste ano de 2023, em São Paulo (capital), dirigentes das centrais sindicais dividiram o palanque com Lula e seus ministros no ato oficioso do 1º de Maio por “Emprego, Direitos, Renda e Democracia”. Sérgio Nobre, presidente da CUT afirmou ao presidente da República que o movimento sindical realizará campanha permanente contra os juros altos, porque o Banco central está “sabotando o crescimento do país com a taxa de juros de 13,75%”. Palavras que Lula não poderia dizer com essas letras para não desagradar o capital financeiro, mas por ele endossadas na defesa de um “conserto” do Brasil, com a vinda de investimentos estrangeiros para obras de infraestrutura capazes de gerar empregos. leia mais

Gaza, ano zero: as raízes do Holocausto palestino [parte 4]

 

Bernardo Kocher
Prof.  História Contemporânea
Universidade Federal Fluminense
Opera Mundi, 25 de abril de 2024.

 

 

A grande estratégia do Estado sionista tem sido metamorfosear seu projeto político doméstico em uma grande convulsão regional, o que explica a crise com o Irã

 

Em 13 de abril de 2024, o Irã atacou massivamente o Estado sionista em uma retaliação ao bombardeamento com vítimas à sua sede consular em Damasco. O ataque produziu efeitos simbólicos, uma espécie de “efeito demonstração” (por não ter atingido propositadamente áreas sensíveis entre a população civil e a atividade econômica), alcançando substantivamente apenas a base aérea no deserto de Neguev, instalação de onde partiram os aviões F-35 que atacaram a sede consular iraniana.

No dia 19 de abril o Estado sionista atacou o Irã, mas em intensidade bem inferior, se compararmos o número de drones e mísseis que percorreram os céus dos países vizinhos na semana anterior. Não há consenso entre os especialistas reportados na mídia sobre quais ou quantos armamentos foram lançados em direção ao país persa, mas é certo que a simbologia do ataque foi estabelecida ao dirigir parte destes para as imediações das instalações nucleares localizadas na cidade de Isfahan.

Dentro deste quadro de duplo ataque o que resta a considerar é a formação de uma nova equação de poder (militar) no Oriente Médio. Que o Estado de Israel tenha capacidade de externalizar poder é coisa sabida e estabelecida. O que é novo, o que foi demonstrado cabalmente no primeiro ataque, é que o espaço aéreo do Estado sionista também é poroso, vulnerável e suscetível; é possível impor ao Estado sionista uma posição pouco praticada por esta instituição (ao menos desde a Guerra do Yom Kipur, em 1973): a adoção de medidas defensivas no seu território contra hostilidades oriundas do exterior. Aqui é a ação iraniana que realmente precisa ser considerada nesta nova correlação de forças; esta situação foi ensejada pela exposição do território sionista a um arsenal de cerca de três centenas de armas de longo alcance (drones e mísseis), o que denuncia a existência de um estoque maior e mais poderoso em poder das forças armadas persas. leia mais