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DIA 13 DE AGOSTO REUNIU MILHARES NAS RUAS EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA E DA EDUCAÇÃO

Do portal da Intersindical, instrumento de luta e organização da classe trabalhadora

 

O dia 13 de agosto foi marcado por manifestações em todas as regiões do Brasil contra a desumana reforma da Previdência e contra os cortes na Educação impostas pelo governo Bolsonaro.

Em todo o país, milhares de trabalhadores e estudantes foram às ruas protestar contra os ataques do governo que quer exterminar direitos da Previdência e da Seguridade Social e tenta acabar com a Educação através de cortes no Orçamento e quer entregar as Universidades Públicas para as empresas privadas, com seu programa “Future-se”, que na realidade significa um retrocesso no ensino público e na produção científica.

As intensas manifestações que ocorreram em maio e reuniram centenas de milhares nas ruas, a greve geral de junho e as manifestações de agosto são parte da luta contra esse governo que já mostrou que seu objetivo é destruir os direitos dos trabalhadores e acabar com os serviços públicos para o conjunto da população trabalhadora, tudo para garantir os interesses das grandes indústrias, bancos, comércio e do agronegócio.

A proposta de reforma da Previdência já está no Senado e para barrar a aprovação desse projeto que atenta contra a vida dos trabalhadores e para barrar os ataques aos serviços públicos é necessário fortalecer a luta em cada local de trabalho e estudo, ocupar as ruas e construir uma nova e maior greve geral, instrumento legítimo da classe trabalhadora de defesa dos direitos.

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REPUGNANTE: BOLSONARO NOVAMENTE DEFENDE OS CRIMES DA DITADURA MILITAR

Do portal da Intersindical Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora

Em mais uma apresentação do espetáculo de horrores desse governo, Bolsonaro novamente volta a defender as atrocidades cometidas pela ditadura militar que financiada pela burguesia, prendeu, torturou e matou muitos trabalhadores que lutavam por melhores condições de vida e trabalho e pelo fim do regime em que falar e se colocar em movimento era considerado crime.

Bolsonaro em tom de chacota, declarou a jornalistas que sabe como Fernando Santa Cruz, um jovem que lutava pelo fim da ditadura militar foi morto na década de 70, primeiro disse que se o filho de Fernando, que hoje é presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) quisesse saber como o pai morreu, ele falaria e depois mais atos repugnantes: Bolsonaro mente descaradamente dizendo que a Organização que Fernando militava foi responsável por sua morte.

Fernando era um jovem de 26 anos, estudante de Direito que militava na Ação Popular, foi preso e levado paro o DOI-CODI no Rio de Janeiro, assassinado nos porões da ditadura militar e até hoje seus familiares não conseguiram encontrar seu corpo. Toda a documentação relatando os fatos são parte do relatório da Comissão da Verdade e contam com documentos oficiais do Estado, ou seja, Fernando foi assassinado pelos órgãos de repressão do Estado.

A declaração de Bolsonaro, não é apenas a fala de um boçal que foge de audiências com embaixadores para cortar o cabelo e fazer uma transmissão em rede social defendendo a ditadura militar, sua concepção política defende que os trabalhadores devem ser seres servis ao Capital, que as Organizações da Classe Trabalhadora devem ser destruídas.

Gerações de nossa classe que vieram antes de nós lutaram muito para que tivéssemos os direitos que temos hoje, entre eles o direto de livre organização para lutar por melhores condições de vida e trabalho, essa luta é muito maior e mais forte do que um presidente saudoso da ditadura militar.

A luta segue em defesa dos direitos que o governo quer exterminar com a reforma da Previdência e o aprofundamento da reforma trabalhista, a luta segue em defesa dos serviços públicos que Bolsonaro quer destruir, a luta segue junto às Organizações de defesa da classe trabalhadora.

Ah! Ça Ira, Ça Ira, Ça Ira! as canções da Revolução Francesa

Imagem: «A liberdade guiando o povo», do artista francês Eugène Delacroix

Estudar e seguir as canções da Revolução Francesa é verificar a importância das canções no imaginário popular e patriótico e a sua iniludível contribuição para os avanços revolucionários.

POR MANUEL AUGUSTO ARAÚJO

Durante séculos, as canções participaram directamente na vida social. Eram o espelho dos acontecimentos, o seu catalisador, a sua memória. Registavam a evolução dos costumes, do trabalho, dos amores e desamores, das batalhas, das ilusões e desilusões, cóleras e esperanças.

Relatavam os principais acontecimentos, apropriavam-se naturalmente da actualidade que estava a ser vivida. Difundiam-se das cidades para os campos, faziam o caminho inverso, voando de boca em boca. Nem sempre ficando impressas em folhas volantes muitas perderam-se outras foram recuperados nas recolhas gravadas de musicólogos, etnólogos e antropólogos.

Uma boa parte delas são de autores anónimos. É vulgar colarem os versos a músicas que estavam em voga. Compulsar os cancioneiros de uma determinada época acrescenta conhecimento ao conhecimento que os historiadores recolhem de outras fontes. São reveladores das diversas pontes existentes entre as formas populares e as que tendo origem nos cultos enquanto objecto ritual se secularizaram como forma cultural e estética.
Num tempo em que o analfabetismo era corrente as canções eram uma forma popular particularmente eficaz de circulação das ideias e das notícias.

Da boca para os ouvidos reproduziam-se saltando por cima das barreiras entre os salões aristocráticos e as tascas populares, entre as cidades e os campos. As folhas volantes, os periódicos, os almanaques, registam as suas variações, por vezes burlescas, dando relevo ao papel ocupado pelas canções como retrato crítico dos acontecimentos mas também o seu papel interventivo nas acções consciencializando, politizando. Tudo começava e tudo acabava numa canção.

Tudo muda com a invenção da rádio, que de recurso tecnológico de comunicação nos finais do séc. XIX se expande para as transmissões radiofónicas de entretenimento nas primeiras décadas do séc. XX, popularizando-se no mundo. leia mais

El País: Renda do trabalhador mais pobre segue em queda e ricos já ganham mais que antes da crise

por HELOÍSA MENDONÇA do site El País

 

Desemprego depois da recessão de 2015/2016 derrubou em 20% ganhos dos mais vulneráveis e ampliou a desigualdade no mercado de trabalho apesar do quadro de recuperação da economia

 

A recessão que o Brasil atravessou entre 2015 e 2016 afetou ricos e pobres, mas passados três anos desde o fim da “pior crise do século”, como foi batizada à época, fica claro que os efeitos deletérios desse período foram diferentes para os dois grupos. Os brasileiros mais abastados já viraram a página das vacas magras. Os pobres, ainda não. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas revela que depois da tempestade, os 10% mais ricos já acumulam um aumento de 3,3% de renda do trabalho, ou seja, além de superar as perdas, já ganham mais que antes da recessão. Enquanto isso, os brasileiros mais vulneráveis amargam uma queda de mais de 20% da renda acumulada. Se somarmos os últimos sete anos, a renda do estrato mais rico aumentou 8,5% e a dos mais pobres caiu 14%. leia mais

O sindicalismo burguês no Brasil

Eduardo Stotz

A virada da década de 1980 foi acompanhada do avanço da ideologia burguesa no movimento sindical. O chamado “sindicalismo de resultados” ou da vigência do “sindicato-cidadão” afirmado pela Força Sindical no momento de sua fundação, em 1991[1], tornou-se hegemônico no movimento sindical, tendo influído o setor mais organizado do sindicalismo brasileiro que, estruturado na Central Única dos Trabalhadores (CUT), passa a defender o “sindicalismo propositivo”. A prioridade concedida à negociação coletiva, em clara prevalência sobre a lei, contribui para a fragmentação social dos trabalhadores. A conquista dos direitos sociais e, pois, o embate de classe, remetido ao Estado, insinuada pela CUT, desaparece do cenário sindical nessa virada.

Nada menos que Jair Meneguelli, então presidente da CUT, falando nos idos de 1991, apresentou o Contrato Coletivo de Trabalho em contraposição à luta pela inclusão de direitos sociais na legislação e fez uma revisão da participação da central na mobilização pela incorporação de garantias trabalhistas e sociais na Constituição de 1988. De acordo com ele, em entrevista citada por Armando Boito Junior (1998):

A partir do Contrato Coletivo de Trabalho haverá ou será necessária a mudança na própria Constituição. Faremos as leis, nós faremos a ‘Constituição’ que regerá o capital e o trabalho, ou seja, não se deveria ter discutido redução da jornada de trabalho na Constituição. Deveria se discutir, sim, entre as partes, entre o capital e o trabalho. A única Constituição detalhista que existe no mundo é a nossa. Não queremos mais que o Congresso nos diga como temos de contratar, queremos discutir – nós trabalhadores, com os empregadores, como queremos fazer o contrato.[2]

O efeito prático dessa orientação foi liberar os segmentos mais organizados dos trabalhadores assinarem acordos por setor ou por empresa, sem ter que abranger toda a categoria legalmente constituída. O título de um estudo da socióloga Andréa Galvão é bastante ilustrativo para caracterizar o sentido das negociações e acordos coletivos conduzidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: Da categorial profissional ao setor, do setor para a empresa. É importante reter que as origens desta posição dos sindicalistas cutistas está enraizada uma experiência mais ampla e mundial, tendo por base mais importante o sindicalismo americano. É o que apontou Maria Hermínia num texto publicado em 1975.[3] O sindicalismo brasileiro no ABC era então uma corrente com ideal próximo ao “sindicalismo de negócios norte-americano: combativo, ‘apolítico’, solidamente plantado na empresa”.

Contida pela conjuntura de radicalização das greves entre 1978 e 1988, a nova corrente consolidou o enraizamento da ideologia burguesa no seio do movimento operário a partir da virada dos anos 1980. Participou das câmaras setoriais organizadas durante o governo de Itamar Franco e de práticas de gestão da produção e da força de trabalho iniciadas pelas empresas, posteriormente transformadas em lei, como a da Participação dos Lucros e Resultados (PLR) e a da flexibilização da jornada de trabalho por meio do Banco de Horas.

Essas e outras práticas de gestão orientadas para aumentar a produtividade e intensificar o trabalho estão difundidas, ainda que de modo diferenciado, nos processos produtivos de inúmeros setores econômicos, privados ou públicos. Tais práticas de exploração são inseparáveis das múltiplas formas de resistência, veladas ou abertas, individuais ou coletivas, desenvolvidas pelos trabalhadores, muitas vezes, em confronto com a orientação (ou ação) sindical de colaboração com empresas.

Mas é importante ter em mente a natureza de classe de um sindicalismo voltado para a suposta defesa do emprego e dos benefícios quando se empenha em defender um nível extremamente elevado de exploração da força de trabalho pelo capital, pois tal é o verdadeiro sentido do aumento da sanção às práticas empresariais de aumento da produtividade. Uma corrente sindical assim pautada não passa de uma força auxiliar da burguesia. Merece de fato a denominação de sindicalismo burguês.

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Notas:

[1] Patrícia Vieira Trópia. O impacto da ideologia neoliberal no meio operário: um estudo sobre os metalúrgicos da cidade de São Paulo e a Força Sindical. Universidade Estadual de Campinas, 2004.

[2] Boito Jr., Armando. Política neoliberal e sindicalismo no Brasil. Xamã Editoria, 1999, p. 150.

[3] Almeida, Maria Hermínia Tavares de. O Sindicato no Brasil: novos problemas, velhas estruturas. Debate & Crítica, v.6, n.32, julho 1975, p. 73.