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O que vale para o Capital é seu lucro!

Tragédia em Brumadinho foi provocada pela mineradora vale com a conivência do Estado.

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

No dia 25 de janeiro, uma barragem da empresa mineradora Vale se rompeu na cidade de Brumadinho/MG, causando mortes, dezenas de feridos e centenas de desaparecidos. No momento do rompimento da barragem aproximadamente 300 trabalhadores trabalhavam na Mina do Feijão onde ocorreu o rompimento.

Em 2015, também em Minas Gerais, a mineradora Vale provocou mais uma tragédia, com o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, a Samarco empresa responsável pela mineradora é de propriedade da Vale e da BHP. A tragédia provocou a morte de 19 pessoas, destruiu parte da cidade e avançou sob a bacia do Rio Doce chegando até o Espírito Santo.

No dia 18 de dezembro, os órgãos de fiscalização ambiental do governo de Minas Gerais liberaram o funcionamento da mina em Brumadinho, pouco mais de um mês, a Vale, com a conivência do Estado, provoca mais uma tragédia.

A Vale nunca se preocupou com a saúde e a vida dos trabalhadores, tão pouco se importou com a destruição que a décadas vem fazendo ao meio ambiente, destruindo recursos naturais de acordo com seus interesses.

Depois da privatização da empresa realizada em 1997 pelo governo Fernando Henrique Cardoso/PSDB, a situação só piorou, pois, entregue de uma vez por todas para as empresas privadas, a prioridade da direção da Vale foi buscar mais e melhores formas de garantir lucros, explorando os trabalhadores com salários e direitos reduzidos, péssimas condições de trabalho e atacando o meio ambiente.

O Estado agiu para garantir os interesses privados da Vale: FHC privatizou a Vale, os governos do PT com Lula e Dilma foram coniventes com a prática da empresa que para preservar seus lucros secundarizaram a segurança da vida dos trabalhadores e da comunidade e o governo Bolsonaro mesmo antes de ser governo já declarava que seu objetivo era afrouxar cada vez mais a legislação trabalhista e ambiental, ou seja, mais ataque aos salários e direitos dos trabalhadores, menos ou quase nenhuma restrição para o funcionamento das empresas que além de explorar e destruir recursos naturais, atacam a vida dos trabalhadores, dizimam rios e cidades.

Para a Vale, o que vale são investimentos que potencializem seus lucros, é por isso que não há investimento em processos mais seguros de operação. A alegação da mineradora para não se utilizar de processos com tecnologia que reduz o uso da água e portanto reduzem as chances de rompimento de barragem de rejeitos da mineração é que eles são muito caros, o resultado do disso é a tragédia que matou trabalhadores e destruiu parte da cidade.

Trabalhadores mortos, centenas de trabalhadores e da população de Brumadinho feridos ou desaparecidos, crianças aterrorizadas e com fome, rios poluídos, plantações destruídas, essa foi a escolha da Vale.

E o governo Bolsonaro e seus parlamentares propõem flexibilizar ainda mais a legislação ambiental, ou seja, pretendem legitimar essa prática que provoca morte e destruição.

Além de nossa solidariedade ativa aos trabalhadores e a comunidade em Brumadinho é necessário colocar a revolta e a dor em movimento. Organizar a mobilização que exija punição contra a Vale e também contra os governos cúmplices em mais essa tragédia anunciada.

 

O Fim do Neoliberalismo Reformista

Foto: Manifestantes em Chicago na luta por $15/hora de trabalho, 11 de Fevereiro de 2016  (Bob Simpson/Flickr)

Num momento de convulsão política, cabe à esquerda rejeitar as falsas escolhas oferecidas e aproveitar o descontentamento generalizado para redefinir os termos do debate.[1]

Nancy Fraser [2]

 

A eleição de Donald Trump representa uma de uma série de dramáticas manifestações políticas que juntas sinalizam um colapso da hegemonia neoliberal. Essas manifestações incluem a votação do Brexit no Reino Unido, a rejeição das reformas de Renzi[3] na Itália, a campanha de Bernie Sanders para a indicação do Partido Democrata nos Estados Unidos e o crescente apoio à Frente Nacional na França, entre outros. Embora difiram em ideologia e objetivos, esses motins eleitorais compartilham um objetivo comum: todos são rejeições da globalização corporativa, do neoliberalismo e das instituições políticas que os promoveram. Em todos os casos, os eleitores estão dizendo “Não!” à combinação letal de austeridade, livre comércio, dívida predatória e trabalho precário e mal pago que caracterizam o capitalismo financeirizado atualmente. Seus votos são uma resposta à crise estrutural dessa forma de capitalismo, que apareceu inicialmente à plena vista com o quase colapso da ordem financeira global em 2008.

Até recentemente, no entanto, a resposta principal à crise era o protesto social – dramático e vigoroso, com certeza, mas em grande parte efêmero. Os sistemas políticos, ao contrário, pareciam relativamente imunes, ainda controlados pelos funcionários de partidos e pelas elites do establishment, pelo menos em estados capitalistas poderosos como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha. Agora, no entanto, ondas de choque eleitorais reverberam em todo o mundo, inclusive nas cidadelas das finanças globais. Aqueles que votaram em Trump, como aqueles que votaram no Brexit e contra as reformas italianas, levantaram-se contra seus senhores políticos. Empinando o nariz para os partidos do establishment, eles repudiaram o sistema que erodiu suas condições de vida nos últimos trinta anos. Que eles tenham feito isso não é surpresa, mas sim porque eles demoraram tanto.

Entretanto, a vitória de Trump não é apenas uma revolta contra as finanças globais. O que seus eleitores rejeitaram não foi o neoliberalismo tout court, mas o neoliberalismo reformista. Isso pode soar para alguns como um paradoxo, mas é um alinhamento político real, embora perverso, que detém a chave para entender os resultados das eleições nos EUA e talvez alguns desenvolvimentos em outros lugares também. Em sua forma norte-americana, o neoliberalismo reformista é uma aliança das principais correntes de novos movimentos sociais (feminismo, antirracismo, multiculturalismo e direitos LGBT), de um lado, e setores comerciais “simbólicos” e por outro de serviços de ponta (Wall Street, Vale do Silício e Hollywood). Nesta aliança, as forças reformistas estão efetivamente unidas às forças reconhecidas do capitalismo, especialmente à financeirização. No entanto, inadvertidamente, o primeiro empresta seu carisma ao segundo. Ideais como a diversidade e o empoderamento, que poderiam, em princípio, ter objetivos diferentes, agora refletem políticas que devastaram a indústria e o que antes eram vidas de classe média.

O neoliberalismo reformista se desenvolveu nos Estados Unidos nas últimas três décadas e foi ratificado com a eleição de Bill Clinton em 1992. Clinton foi o principal engenheiro e porta-estandarte dos “Novos Democratas”, o equivalente americano do “Novo Trabalhismo” de Tony Blair. No lugar da coalizão do New Deal entre operários sindicalizados, afro-americanos e as classes médias urbanas, ele forjou uma nova aliança de empreendedores, suburbanos, novos movimentos sociais e jovens, proclamando sua boa-fé moderna e progressista ao abraçar a diversidade e o multiculturalismo, e os direitos das mulheres. Mesmo endossando tais noções progressistas, o governo Clinton cortejou Wall Street. Transferindo a economia para a Goldman Sachs, ela desregulamentou o sistema bancário e negociou os acordos de livre comércio que aceleraram a desindustrialização. O que caiu no esquecimento foi o Rust Belt[4] (Cinturão da Ferrugem) – outrora a fortaleza da democracia social do New Deal, e agora a região que entregou o colégio eleitoral a Donald Trump. Aquela região, junto com os centros industriais mais novos do Sul, sofreu um grande impacto à medida que a financeirização descontrolada se desdobrou ao longo das duas últimas décadas. Mantida por seus sucessores, incluindo Barack Obama, as políticas de Clinton degradaram as condições de vida de todos os trabalhadores, especialmente aqueles empregados na produção industrial. Em suma, o Clintonismo[5] tem uma grande parcela de responsabilidade pelo enfraquecimento dos sindicatos, o declínio dos salários reais, a crescente precariedade do trabalho e a ascensão da família de dois assalariados[6] no lugar do finado salário familiar. leia mais

Redução de direitos e salários, mais violência e miséria

Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

Quem tem que dar duro todos os dias para garantir comida, moradia e estudo vive dias muito difíceis.

Enquanto a vida das mulheres, dos jovens, do conjunto dos trabalhadores está cada vez mais difícil, para os empresários, os lucros voltam a crescer na exata medida que eles aumentam as demissões, retiram direitos e diminuem os salários. Conseguiram isso com sua reforma trabalhista que foi aprovada pelo governo Temer e pela maioria dos deputados e senadores que estão em Brasília.

A miséria aumenta, as mortes nas periferias também, sendo que a maior parte por causa da repressão da Polícia Militar. E depois do congelamento dos gastos do Estado, o que já estava muito ruim na saúde e na educação piorou. Pessoas vão para os hospitais e não conseguem atendimento e nas escolas até merenda falta. leia mais

Mais um atentado contra a vida provocado pela Usiminas

Do portal da INTERSINDICAL – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora

No dia de hoje um gasômetro explodiu dentro da usina de Ipatinga/MG deixando dezenas de feridos e centenas que moram na cidade expostos a gás tóxico.

Dois dias se passaram da morte do companheiro Luis Fernando, vítima das condições assassinas de trabalho e a Usiminas provoca mais uma tragédia, dessa vez foi a explosão de parte de um dos gasômetros que deixou dezenas de feridos dentro da usina, espalhou gás pela cidade e provocou tremor em vários bairros de Ipatinga. O pânico se espalhou dentro e fora da Usiminas por causa da violenta explosão e do vazamento de gás que aconteceu hoje, 10 de agosto.

Na véspera dessa tragédia, o presidente da empresa novamente desrespeitou os trabalhadores, ao dizer que “a integridade física das pessoas é valor fundamental para Usiminas” aonde isso? Se a realidade mostra equipamentos de segurança sucateados e nenhuma proteção coletiva aos trabalhadores. O desrespeito é tão grande que tanto o presidente da empresa como seus chefetes tentam colocar nas costas dos trabalhadores a responsabilidade pela segurança.

Não há como prevenir acidentes ou trabalhar de forma segura se todos os procedimentos que os trabalhadores são obrigados a realizar são em condições cada vez piores de trabalho. leia mais

Paralisação nacional dos caminhoneiros: greve ou locaute? Os interesses de classe em jogo

Passadas algumas semanas do fim da paralisação dos caminhoneiros, foram divulgados os primeiros indicadores estatísticos sobre a sua repercussão na economia do país. Ficamos sabendo que o seu impacto na distribuição de mercadorias foi responsável por uma queda de 10,9% na produção industrial no mês de maio e que a inflação subiu 1,26% no mês seguinte. O FMI refez os seus cálculos e rebaixou a previsão de crescimento do Brasil para este ano, colocando a culpa na paralisação dos caminhoneiros e na “incerteza política”.

Empresas de transporte e caminhoneiros autônomos

Quem foram os responsáveis por esse movimento que paralisou amplos setores da economia e ameaçou os grandes centros urbanos com o desabastecimento de combustíveis e de gêneros de primeira necessidade?

Em primeiro lugar, cabe dizer que no Brasil o transporte rodoviário domina amplamente a movimentação das cargas e que dos 1.664.000 caminhões existentes, 1.088.000 pertencem a empresas, que empregam 868.000 motoristas como empregados. A diferença entre o número de caminhões em posse de empresas e de trabalhadores assalariados indica que elas se utilizam também de motoristas autônomos, na condição de pessoas físicas (PF) ou jurídicas (PJ), e que essa tendência de substituição do empregado assalariado por outras formas de contratação, com menos ônus para as empresas, tende a se tornar ainda maior com a vigência da reforma trabalhista aprovada no ano passado. leia mais