POLOP

FRÁGUA INOVADORA: O TORMENTOSO PERCURSO DA POLOP

Victor Meyer

Introdução

No começo de 1961, no interior de São Paulo, realizava-se o Congresso de fundação da Organização Revolucionária Marxista – Política Operária, mais conhecida como POLOP. Seu impacto intelectual sobre o pensamento radical de esquerda no Brasil, sua influência política sobre frações importantes da esquerda organizada, do movimento estudantil e mesmo do movimento operário, seriam fortemente crescentes ao longo dos anos 60. Na década seguinte, período de auge da ditadura militar, mergulharia num doloroso processo de isolamento social, seja pelos cruentos ataques que sofreu da polícia política – DOPS, Polícia Federal, OBAN e demais signos do terror anticomunista daqueles anos – seja pela diáspora dos quadros no exílio e recorrentes fragmentações internas. Somente nos primeiros anos da década de 80 se firmaria um movimento interno de «volta às raízes», longamente preparado: tarde demais, pois o contingente de militantes remanescentes estava demasiadamente reduzido e distante do centro dinâmico das lutas sociais brasileiras, na maré montante das greves, da fundação do PT e da gestação da CUT. A POLOP reconheceu a importância política própria do PT, mas ao mesmo tempo entendeu os seus limites; por isso, aderiu ao novo Partido, mas ao mesmo tempo tentou manter-se como organização autônoma. Sem êxito nesse último projeto, extinguiu-se no decorrer da primeira metade dos anos 80.

Durante a fase ascendente, até 1968, participou da Organização um número expressivo de destacados intelectuais, vários dos quais iriam adiante compor o núcleo dirigente do PT. No movimento estudantil, no seu auge histórico, a POLOP sustentou várias vice-presidências da diretoria da UNE eleita no vigésimo nono Congresso, aquela que seria posta à testa das grandes mobilizações de 1968. No movimento operário, sua presença se fez sentir com relativa importância nas greves de Contagem e Osasco. Por outro lado, ainda na sua fase expansiva, polarizou uma ação aglutinadora sobre a esquerda revolucionaria, cujo ponto mais alto foi a formação do Núcleo Marxista-Leninista, em 1967, conjugando-se com a Dissidência do PC no Estado da Guanabara e com a Dissidência do PC no Rio Grande do Sul. Juntamente com esta última Dissidência, formaria o POC (do qual se retiraria no começo de 1970). Num sentido contrario, da POLOP sairiam facções fundamentais para a construção de várias organizações que se dirigiram à guerrilha urbana: a Colina, parte da VPR, parte da VAR-Palmares, além de outros agrupamentos menores. Mais adiante, nos primeiros anos 70, da POLOP sairia a Fração Bolchevique, depois denominada MEP.