Frente aos ataques da classe patronal, resistir e se organizar

 


A classe trabalhadora vive um momento de grave perigo, uma situação de ameaça
imediata à sobrevivência causada pela conjunção entre a pandemia de coronavirus (o Brasil ocupa o segundo lugar com maior número de casos no mundo, com 4.041.638 pessoas contaminadas e 124.614 mortos) e as demissões, a perda de direitos e o agravamento da exploração dos patrões.

Nesta situação de extrema fragilidade da saúde dos trabalhadores, os patrões resolveram passar ao ataque: apoiados por medidas do governo federal, suspenderam contratos, demitiram trabalhadores e mantiveram empregados uma parte com jornadas e salários reduzidos. Não satisfeitos, entenderam que havia chegado a hora de arrochar ainda mais a exploração da classe trabalhadora, colocando-a contra a parede, atacando os contratos coletivos de trabalho já estabelecidos e avançando, mediante terceirização, no rebaixamento dos pisos salariais. Entenderam assim porque perceberam como a maioria dos sindicatos e as centrais sindicais abandonaram a luta, encarando a situação como aquela “normal” das campanhas salariais, pautando-se apenas na manutenção dos acordos coletivos anteriores, aceitando a compensação dos abonos ao invés do aumento salarial apesar do custo de vida crescente, querendo se livrar da tarefa árdua da resistência nos locais de trabalho em troca da dedicação ao pleito eleitoral de novembro vindouro nos municípios.

A classe trabalhadora enfrenta grandes dificuldades para enfrentar os ataques concentrados da classe patronal, devido aos limites da estrutura sindical que funciona nos termos impostos pela legislação trabalhista, com datas-bases separadas para cada categoria, impedimento de organização independente nos locais de trabalho, e a dependência da ação da Justiça do Trabalho para resolver os conflitos com os patrões. Mesmo a defesa dos acordos coletivos assumida pelos dirigentes das federações e centrais sindicais da boca para fora pouco significa num momento em que, como a greve dos Correios deixa claro, os patrões anulam acordos e impõem perdas de conquistas e de direitos estabelecidos. Mais: apoiados pelo governo federal estão maquinando uma reforma para criar sindicatos por empresas. Os patrões querem voltar aos tempos da escravidão, com o poder de vida e de morte sobre os trabalhadores.

Entretanto, como as greves dos metalúrgicos da Renault contra as demissões em julho/agosto e a greve dos Correios, em andamento, demonstram, na situação de perigo não outro caminho senão o de resistir e se organizar. A história nos mostra que nos piores momentos, a exemplo daqueles vividos sob a ditadura militar, sempre há possibilidade de organização e resistência, tal como aconteceu a partir de 1975 em São Paulo: com os sindicatos atrelados ao Estado dos patrões sob o comando de diretorias pelegas, os metalúrgicos paulistas mais conscientes abriram o caminho das oposições sindicais organizadas de modo independente nos locais de trabalho, obrigando algumas diretorias de sindicatos assumirem as lutas.Mais tarde este legado foi assumido pelo movimento chamado CUT pela base, de onde saíram a Intersindical – instrumento de luta e organização da classe trabalhadora e a CSP/Conlutas, as quais romperam a partir de 2006 com a linha de conciliação de classe e o cupulismo da CUT e demais centrais sindicais.

Este é o caminho: construir a organização independente nos locais de trabalho na prática diária de resistência à exploração capitalista, baseando-se nos laços de confiança e de solidariedade nascidos nesta luta. Os patrões, na desmedida sanha do capital pela exploração dos trabalhadores, somente conhecem um único limite: aquele imposto pela luta dos trabalhadores.

coletivo CVM, 05/09/2020

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