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Breve informe sobre a eleição na Alemanha

 

por Lothar Wentzel

Provavelmente há também na imprensa brasileira relatos dos resultados eleitorais na Alemanha. Gostaria de dar a vocês uma avaliação resumida. Três fatos são marcantes: o maior partido do governo, o CDU/CSU, perdeu mais de 8,5 pontos percentuais e o menor, o SPD, 5,2 pontos percentuais; os populistas de direita ganharam 7,9 pontos percentuais e chegaram a 12,6% dos votos; um partido liberal de direita foi eleito para o parlamento com 10,7%.

A Alemanha vai bem economicamente, o desemprego diminui, ficando algo acima de 5%. O balanço do governo não é mau, à primeira vista. E, apesar disso, ocorreu esse resultado.

Observando mais de perto, identificam-se diversas situações problemáticas:

  • A antiga Alemanha Oriental não se aproxima economicamente da Alemanha Ocidental. Muitas pessoas se sentem sem base e ignoradas.
  • A Alemanha possui um setor de baixos salários muito grande, compreendendo 25% dos empregados. Não poucas pessoas trabalham muito e, apesar disso, têm que receber auxílio do estado. Os empregados que formam os 40% de menores salários perderam 5% de sua renda, de 2000 até hoje. Os 10% que estão no topo, ao contrário, aumentaram em 20% os seus rendimentos.
  • A idade de aposentadoria é agora de 67 anos. Muitas pessoas têm medo de não poder trabalhar até essa idade e, assim, vir a receber apenas uma aposentadoria muito pequena.
  • Em 2016, a Alemanha acolheu um milhão de refugiados sírios. É natural que no início esses refugiados custem dinheiro, até que encontrem trabalho.  Isso desperta a inveja. Por se tratar de muçulmanos, provenientes de outra cultura, as pessoas conservadoras se sentem assustadas. Elas têm medo deles e acreditam  que eles sejam mais criminosos do que os outros, o que não é verdade.

Os populistas de direita empurraram a questão dos refugiados e da segurança para o primeiro plano. Com isso, pautaram a luta eleitoral.

Os socialdemocratas foram os que mais falharam. Em vez de colocar os temas sociais no ponto central, com reivindicações claras, deixaram-se envolver pelos populistas de direita. Por isso, muitos operários tiveram o sentimento de que não havia ninguém que representasse os seus interesses. Eles não votaram ou votaram nos populistas de direita por acreditar que, com isso, vão despertar a atenção para os seus problemas.

O partido da esquerda – Die Linke – obteve 9,2% dos votos, ganhando 0,6 pontos percentuais. Ele colocou os temas corretos, mas ficou sozinho nisso. Ele ainda carrega o peso do passado e não está suficiente e profundamente enraizado na classe operária alemã-ocidental. Mas encontra apoio crescente entre os jovens.

Provavelmente, teremos um novo governo formado por CDU, liberais e verdes. Não haverá grande mudança com isso.

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