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Bolso 2

Isso é a ideologia: alienar para avançar na exploração. O que significa riqueza para poucos, miséria para muitos.

É nisso que o governo Bolsonaro está empenhado.

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

Menos diretos, menos salários e mais demissões:

Pela proposta do governo Bolsonaro, os empresários terão mais condições para avançar na exploração contra os trabalhadores, pois ao avançar na reforma trabalhista permitindo uma Carteira de Trabalho em que direitos garantidos na CLT e em Convenção Coletivas de Trabalho não sejam respeitados, os trabalhadores serão submetidos a jornadas de trabalho que melhor convierem aos patrões e não terão sequer um piso salarial. E as demissões continuarão como um instrumento para os patrões achatarem ainda mais os salários do conjunto dos trabalhadores, ao demitir quem recebe um salário normatizado por uma Convenção Coletiva de Trabalho e depois contratando por muito menos e sem direitos.

Trabalhar mais e não se aposentar:

O direito a aposentadoria passa a não ser mais uma garantia, pois com o avanço da informalidade e de uma nova reforma da Previdência, os patrões serão cada vez mais liberados para dar calote na arrecadação para a Previdência e os trabalhadores mesmo trabalhando muito mais, receberão muito menos e terão mais restrições para ter acesso à aposentadoria. leia mais

vale brumadinho

O que vale para o Capital é seu lucro!

Tragédia em Brumadinho foi provocada pela mineradora vale com a conivência do Estado.

Do portal da Intersindical – Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora

No dia 25 de janeiro, uma barragem da empresa mineradora Vale se rompeu na cidade de Brumadinho/MG, causando mortes, dezenas de feridos e centenas de desaparecidos. No momento do rompimento da barragem aproximadamente 300 trabalhadores trabalhavam na Mina do Feijão onde ocorreu o rompimento.

Em 2015, também em Minas Gerais, a mineradora Vale provocou mais uma tragédia, com o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, a Samarco empresa responsável pela mineradora é de propriedade da Vale e da BHP. A tragédia provocou a morte de 19 pessoas, destruiu parte da cidade e avançou sob a bacia do Rio Doce chegando até o Espírito Santo.

No dia 18 de dezembro, os órgãos de fiscalização ambiental do governo de Minas Gerais liberaram o funcionamento da mina em Brumadinho, pouco mais de um mês, a Vale, com a conivência do Estado, provoca mais uma tragédia.

A Vale nunca se preocupou com a saúde e a vida dos trabalhadores, tão pouco se importou com a destruição que a décadas vem fazendo ao meio ambiente, destruindo recursos naturais de acordo com seus interesses.

Depois da privatização da empresa realizada em 1997 pelo governo Fernando Henrique Cardoso/PSDB, a situação só piorou, pois, entregue de uma vez por todas para as empresas privadas, a prioridade da direção da Vale foi buscar mais e melhores formas de garantir lucros, explorando os trabalhadores com salários e direitos reduzidos, péssimas condições de trabalho e atacando o meio ambiente.

O Estado agiu para garantir os interesses privados da Vale: FHC privatizou a Vale, os governos do PT com Lula e Dilma foram coniventes com a prática da empresa que para preservar seus lucros secundarizaram a segurança da vida dos trabalhadores e da comunidade e o governo Bolsonaro mesmo antes de ser governo já declarava que seu objetivo era afrouxar cada vez mais a legislação trabalhista e ambiental, ou seja, mais ataque aos salários e direitos dos trabalhadores, menos ou quase nenhuma restrição para o funcionamento das empresas que além de explorar e destruir recursos naturais, atacam a vida dos trabalhadores, dizimam rios e cidades.

Para a Vale, o que vale são investimentos que potencializem seus lucros, é por isso que não há investimento em processos mais seguros de operação. A alegação da mineradora para não se utilizar de processos com tecnologia que reduz o uso da água e portanto reduzem as chances de rompimento de barragem de rejeitos da mineração é que eles são muito caros, o resultado do disso é a tragédia que matou trabalhadores e destruiu parte da cidade.

Trabalhadores mortos, centenas de trabalhadores e da população de Brumadinho feridos ou desaparecidos, crianças aterrorizadas e com fome, rios poluídos, plantações destruídas, essa foi a escolha da Vale.

E o governo Bolsonaro e seus parlamentares propõem flexibilizar ainda mais a legislação ambiental, ou seja, pretendem legitimar essa prática que provoca morte e destruição.

Além de nossa solidariedade ativa aos trabalhadores e a comunidade em Brumadinho é necessário colocar a revolta e a dor em movimento. Organizar a mobilização que exija punição contra a Vale e também contra os governos cúmplices em mais essa tragédia anunciada.

 

B4

Fatos & Crítica nº 19: Por que Bolsonaro ganhou as eleições?

O que parecia bastante improvável há alguns meses acabou acontecendo. O país será comandado, a partir de 2019, por um presidente de extrema-direita, eleito nas urnas. Não é um fato único no mundo, afinal países como Hungria e Polônia, e mesmo a Itália e os Estados Unidos, são comandados por gente que provém do que existe de pior no espectro político burguês.

Como foi possível que alguém intelectualmente tão limitado, com uma visão de mundo que não ultrapassa os marcos de alguém habituado a ouvir no rádio programas policiais de nível rasteiro, tenha recebido mais de 57 milhões de votos no segundo turno das eleições presidenciais?

O quadro geral

Que o capitão recebesse os votos de uma pequena-burguesia reacionária, habituada historicamente a se perfilar à direita, desde os tempos do integralismo nos anos 30, não seria nenhuma surpresa. Esses setores sempre existiram no Brasil e costumam sair de sua toca, do seu tradicional silêncio e imobilismo, quando consideram que seus interesses materiais estão sob a ameaça do proletariado, seja o perigo real ou imaginário.

O que surpreende agora é que parte significativa do próprio proletariado tenha sido atraída pela opção bolsonarista, que foi amplamente majoritária nos centros industriais do Sul e Sudeste do país. Como exemplo emblemático, São Bernardo do Campo, berço do PT, deu quase 60% dos votos válidos no segundo turno ao capitão, acima da média nacional.

Contribuíram para isso o desgaste dos 13 anos de governo do PT, abreviados abruptamente pelo impeachment de Dilma, em meio a uma crise econômica sem precedentes e escândalos de corrupção envolvendo toda a sua base política de sustentação. A mídia burguesa cuidou de atribuir a crise econômica de caráter mundial, que afetou o preço das commodities que o país exporta e deu fim aos tempos de bonança, à má condução econômica dos governos petistas. Além disso, ficaram também na conta do PT as descobertas da operação Lava-Jato, revelando fabulosos esquemas de corrupção. É como se essas práticas seculares tivessem sido inventadas pelo Partido, e não adotadas por ele por simples pragmatismo, pelo menos de início.

Se esses dois fatores não fossem suficientes para justificar os gritos de “Fora PT”, o país foi afetado pela crise do sistema de representação democrático-burguês, incapaz de dar respostas à queda do padrão de vida da população, abrindo campo (em face da desmoralização da esquerda) para uma onda direitista de caráter mundial. Essa onda foi responsável pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia, pela eleição de Trump nos Estados Unidos e pela formação de governos reacionários em diversos países.

A maré direitista, além de eleger o PT como bode expiatório dos problemas nacionais, retirou o conservadorismo dos guetos em que se escondia, permitindo a sua difusão ampliada pelas seitas evangélicas neopentecostais e pelo uso intensivo das redes sociais. A disseminação do ódio ao PT foi acompanhada pela propaganda aberta da volta da ditadura militar, pela defesa da tortura, pela apologia ao uso de violência contra os movimentos sociais, pela defesa da censura no ensino e pela oposição feroz às pautas relacionadas com as mudanças de costumes. A histeria também foi alimentada pela propaganda negativa da situação na Venezuela, cuja crise social e econômica foi atribuída às políticas da esquerda, ligando o sinal de alarme para a pequena-burguesia do país, como se um hipotético governo Haddad pudesse ir pelo mesmo caminho.

A crise econômica

Com cerca de 12,4 milhões de desempregados e um crescimento econômico pífio ou negativo desde 2014, a crise foi colocada pela imprensa burguesa na conta dos governos petistas, mesmo que eles já tivessem deixado o poder há algum tempo, com o afastamento de Dilma em maio de 2016 e o seu posterior impedimento. Além disso, desde a posse da Presidente em janeiro de 2015, a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda já indicava um abandono pelo governo do PT das tentativas infrutíferas de debelar a crise com medidas keynesianas de estímulo aos gastos públicos.

Portanto, desde o início de 2015 o capital financeiro já pôde impor sem restrições o seu programa de austeridade ao governo Dilma, com a implantação de reajuste de tarifas de energia elétrica e de combustíveis, o que provocou o aumento da inflação e dos juros e agravou ainda mais um movimento de descenso econômico cujas origens remontam à crise financeira mundial de 2008. leia mais