Conjuntura internacional

Reflexões sobre o texto de Michael Roberts quanto ao resultado das eleições alemãs

A análise de Michael Roberts [ver no final a nota do CVM] é muito interessante e contém muitas observações corretas, mas não aborda o ponto crucial do problema.

Roberts constata um forte deslocamento para a direita. As direitas radicais até agora estavam divididas em diferentes partidos, que compreendiam cerca de 10% dos votos. A novidade é que elas se juntaram num partido (AfD) que agora obteve 12,6%. Isso ainda não significa um forte deslocamento para a direita. (mais…)

Breve informe sobre a eleição na Alemanha

Provavelmente há também na imprensa brasileira relatos dos resultados eleitorais na Alemanha. Gostaria de dar a vocês uma avaliação resumida. Três fatos são marcantes: o maior partido do governo, o CDU/CSU, perdeu mais de 8,5 pontos percentuais e o menor, o SPD, 5,2 pontos percentuais; os populistas de direita ganharam 7,9 pontos percentuais e chegaram a 12,6% dos votos; um partido liberal de direita foi eleito para o parlamento com 10,7%.

A Alemanha vai bem economicamente, o desemprego diminui, ficando algo acima de 5%. O balanço do governo não é mau, à primeira vista. E, apesar disso, ocorreu esse resultado. (mais…)

Síria: Fissão Tóxica

“Esses atos odiosos do regime Assad não podem ser tolerados.” Assim falou o presidente dos EUA. Tradução instantânea: Donald Trump – e/ou toda a sopa de letras das agências de inteligência dos EUA, sem qualquer investigação detalhada –, estão convencidos de que o Ministério de Defesa da Rússia está simplesmente mentindo.

É acusação gravíssima. O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, major-general Igor Konashenkov, reforçando que se tratava de informação “absolutamente objetiva e verificada”,  identificou  um ataque da Força Aérea Síria lançado contra um depósito “rebelde moderado” a leste da cidade de Khan Sheikhoun usado pelos rebeldes para produzir e estocar ogivas carregadas com gás tóxico. (mais…)

Portugal 1974: Liquidação das conquistas democráticas

Como complemento a leitura do texto A “Doutrina Soares” de Raquel Varela, o CVM publica esta análise de Ernesto Martins (Érico Sachs), originalmente escrita para a Revista Marxismo Militante Nº 2 exterior em fevereiro de 1976.  (CVM)

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O Segundo Pacto, concluído entre militares e representantes dos partidos políticos, deverá marcar a volta de Portugal a um regime democrático-parlamentar burguês. Embora os militares resguardassem o direito de intervenção política nos próximos quatro anos, o princípio da divisão dos poderes e o acesso dos políticos ao governo foram garantidos pelo Pacto. (mais…)

A «Doutrina Soares»

Mário Soares morreu com honras, merecidas, de funeral de Estado. Era o seu Estado, o seu regime democrático-representativo. De que ele foi não o pai – isso seria uma oligarquia –, mas um dos dirigentes fundamentais. A sua importância como dirigente político foi marcada não pelo que fez como resistente antifascista, preso 12 vezes, ou pela liberalização das leis laborais dos anos 80 ou pela resistência à troika neoliberal pós 2008. Nenhum destes acontecimentos exigia homens excepcionais, recordo. (mais…)