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A Falsa Mudança

Este artigo foi escrito por Érico Sachs para a edição nº 1 do Jornal Política Operária (leia aqui), publicado em janeiro de 1962.  O parlamentarismo foi uma espécie de golpe civil pressionado pelos militares. Em 1963, por meio do plebiscito, Goulart retoma o presidencialismo e assim, seu mandato. Mas pode fazê-lo por conta da mobilização dos trabalhadores que, deste modo, serviu para “tirar as castanhas do fogo” (dos quartéis). Embora se tratasse de um latifundiário, comprometido com a classe dominante, Jango tinha o apoio dos sindicatos. A ilusão das reformas de base é desvelada, considerada por Érico como um fator de barganha da burguesia frente ao imperialismo e não como uma ameaça real aos pilares do Estado burguês. Mesmo reconhecendo um movimento golpista em curso, na visão da classe operária, a oposição ao golpe não deveria implicar no alinhamento com os chamados “setores progressistas da burguesia” ou com a defesa de Jango e suas reformas . (CVM)

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A crise política suscitada pela renúncia do sr. Jânio Quadros e agravada pela tentativa dos setores mais reacionários da Forças Armadas para impor ao país uma ditadura militar teve, como resultado, a mudança do sistema presidencial para o parlamentar. Desapareceu, assim, a separação dos poderes para elaborar as leis e executá-las, antes exercidos, respectivamente, pelo Congresso e pelo Presidente da República, passando a concentrar as funções legislativas e executivas. leia mais

Adotar uma posição de classe frente ao golpismo em curso

Frente ao golpismo em curso, adotar uma posição de classe significa muito mais do que denunciar a supressão desta ou daquela cláusula da Constituição e do direito burguês, a exemplo de acusações sem prova material, e denunciar sim a intenção política do Ministério Público depor este governo para viabilizar os interesses de classe da burguesia, tornando-o alvo exclusivo do desmonte do esquema de corrupção que sempre alimentou a democracia burguesa não apenas no Brasil mas em qualquer país do mundo. De reconhecer que a democracia burguesa é uma forma de ditadura na qual se dá aplicação do proverbial princípio da política burguesa: “aos inimigos, a lei” mesmo se a lei for burlada – como está a acontecer no Brasil neste momento – alvo de “interpretações” amparadas exclusivamente na autoridade de quem as aplica. leia mais

Boletim de Conjuntura Nacional Nº 8 – A eleição presidencial em 2014 e o “terceiro turno”

Acabada a apuração das urnas do segundo turno da eleição presidencial, em 26 de outubro, todo espetáculo que apertou os inimigos em combate e parecia prometer pólvora arrefeceu com as conclamações à paz, ao diálogo e à união nacional.  Esse foi o tom do discurso de vitória de Dilma Roussef (coligação Com a Força do Povo, liderada pelo PT), que conquistou 51,63 % dos votos, vitória reconhecida por Aécio Neves (Muda Brasil, liderada pelo PSDB), derrotado por pequena margem (48,36 %).

O processo, marcado pela disputa acirrada entre as candidaturas e uma mobilização política extremamente tensa no final do segundo turno, de fato dividiu o país. Por outro lado, o questionamento da vitória de Dilma parecia abrir o risco de um terceiro turno, trazendo de volta à cena política ecos do golpismo. Tudo deixando um rastro de descontentamento que não se fechará apenas com discursos de pacificação. O pavio da luta de classes continua aceso. leia mais