Conjuntura nacional

Fatos & Crítica 24: “Não é o momento para isso”

Assim teria se manifestado o General Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro, no dia 22 de maio, ao reagir aos ímpetos golpistas de seu chefe, que pretendia destituir à força os 11 ministros do STF. O motivo da irritação do Presidente era a consulta que um dos ministros do tribunal havia feito à Procuradoria Geral da República a respeito da apreensão dos celulares do capitão e de um de seus filhos, em função de uma ação judicial movida por três partidos de oposição. (mais…)

Fatos & Crítica 23: A Pandemia para os trabalhadores

Desde março deste ano quando ocorreu o primeiro óbito pelo covid-19 e a pandemia começou a se disseminar pelo país, o governo Bolsonaro se negava a considerar a projeção feita pelos principais centros de pesquisa epidemiológica daqui e do exterior sobre o provável alto impacto em perdas de vidas humanas, caso medidas de mitigação não fossem adotadas para impedir a transmissão do vírus. Itália e Espanha passavam pelo auge da crise pandêmica com elevado número de óbitos, registrado nas imagens de centenas de corpos sendo levados da cidade de Bergamo para cidades vizinhas por caminhões do exército italiano [1] por falta de espaço no cemitério local. (mais…)

Fatos & Crítica 22: Pandemia, impeachment e autogolpe

Chegando aos 240.000 casos notificados, com cerca de 16.000 mortes, o Brasil se credencia para ocupar um lugar vergonhoso no topo da lista dos países mais atingidos pelo novo coronavírus.

Na propaganda da televisão, uma prefeitura alertou a todos que a doença não escolhia classe social para atingir. Isso é verdade, mas só em parte, pois a burguesia e a pequena-burguesia têm melhores condições de cumprir as regras de distanciamento social que o proletariado, que vive e trabalha em lugares insalubres e densamente povoados, tendo que se deslocar todos os dias em transportes superlotados, para garantir o sustento da família. (mais…)

Fatos & Crítica 21: Bolsonaro e o capitalismo diante da pandemia

No dia 26 de fevereiro um empresário paulista recém regressado do norte da Itália foi diagnosticado com o novo coronavírus, tornando-se o primeiro brasileiro atingido pela pandemia mundial. Apenas três semanas depois, o país já contabilizava 428 casos e 4 mortes pela COVID-19.

No mesmo período de tempo em que o vírus iniciava sua trajetória expansionista, Jair Bolsonaro se ocupava em desgastar os poderes legislativo e judiciário, mobilizando a sua base política para uma manifestação nacional em 15 de março em favor do fechamento dessas instituições. Embora não existam atualmente condições políticas e sociais para o almejado “auto-golpe” do capitão, isso não o vem impedindo de esticar a corda sempre que possível, se preparando para uma hipotética conjuntura em que as suas pretensões tenham chances de se viabilizar. (mais…)

Notas sobre o momento histórico atual: conjuntura internacional e nacional – 2019

1 – Recessão mundial à vista

1.1 Até os anos 80, a taxa de lucro vinha caindo gradativamente no mundo capitalista, mas as políticas neoliberais inauguradas por Thatcher e Reagan, posteriormente exportadas como modelo para o mundo inteiro, permitiram a sua retomada, com o aumento da exploração à custa da diminuição dos salários e dos direitos dos trabalhadores, acompanhado da pilhagem das empresas estatais pelos processos de privatização.

1.2 A incorporação do antigo mundo socialista e da China ao espaço capitalista também contribuiu notavelmente para a retomada da acumulação de capital em nível mundial: formou-se um mercado global, com a internacionalização dos processos de centralização e concentração do capital, liberalização do comércio e dos investimentos diretos e globalização do exército industrial de reserva. A realocação industrial dos EUA e Europa em direção à China e à Ásia em geral são expressão disso. (mais…)

Fatos & Crítica 20: O governo Bolsonaro tem futuro?

Brigas intestinas, declarações desencontradas, demissão de ministros, conflitos com o Judiciário e o Legislativo, queda da aprovação nas pesquisas de popularidade e paralisia econômica com aumento do desemprego: eis o quadro geral dos primeiros meses do governo Bolsonaro.

A alternativa burguesa de extrema-direita à “velha política”, que se revelou a mais capaz de se impor sobre o desgastado PT nas eleições de 2018, vem se deteriorando a uma velocidade muito maior do que a prevista, fazendo relembrar os casos de Jânio Quadros e Fernando Collor, dois políticos de direita que tiveram os seus governos abreviados, o primeiro pelo fracassado golpe da renúncia, o segundo por um processo de impeachment. (mais…)