Tempo de Militância (Em memória de Victor Meyer)

Corria o ano de 1971. Eu estava cursando a Faculdade de Direito em Curitiba, quando tive a oportunidade de viajar para São Paulo. Conhecer a grande cidade, a metrópole da América Latina era, de certo modo, entrar no cenário onde transcorria a história e na corrente contra a qual remávamos, marinheiros jovens e destemidos. Eu viera com o objetivo de discutir, com um companheiro alcunhado de Vicente, a orientação da Organização para o setor estudantil. Ele tinha participado da elaboração das teses para o ativo de fundação da OCML-PO [1] correspondentes ao papel do movimento estudantil na luta revolucionária contra a ditadura militar que – estava escrito no Programa Socialista para o Brasil (PSB) – deveria ser dirigida pela classe operária numa frente de trabalhadores da cidade e do campo. (mais…)

Victor Augusto Meyer Nascimento, revolucionário socialista (16.07.1948 – 17.04.2001)

Dentre as principais contribuições da Política Operária à teoria da revolução brasileira, destaca-se, em primeiro lugar, a tese de que a revolução brasileira teria um caráter socialista, ou não seria revolução. Se hoje esse assunto parece fora de moda, deve-se lembrar que até os anos 60 predominavam os defensores do caráter democrático burguês da revolução brasileira e a Política Operária se esforçava em comprovar que não existia uma burguesia nacional revolucionária e que o país apresentava-se já como um país capitalista, ainda que dependente e submetido à dominação imperialista dos países centrais. (mais…)

Operário tem braço decepado na Volkswagen

Um funcionário da fábrica de São Bernardo da Volkswagen teve o braço decepado na manhã de ontem após acidente com uma prensa. O operário, que trabalha no setor de estamparia, foi socorrido ao Hospital Assunção, na mesma cidade, onde passou por cirurgia no período da tarde. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, seu estado de saúde é estável. (mais…)

Fatos & Crítica 7: Fechando a torneira da Lava-Jato

A enxurrada diária de denúncias de corrupção na imprensa tem revelado o óbvio, ou seja, que veteranos peixes graúdos da política nacional, oriundos principalmente do PMDB, mas também de quase todo o espectro partidário, estão tão enredados nas malhas da Operação Lava-Jato, quanto os acusados do PT.

O próprio presidente interino Temer, oriundo do golpe civil por ele mesmo capitaneado na vice-presidência da República com apoio parlamentar, do judiciário e de ampla sustentação midiática, foi atingido. Com cara de falsa indignação, ele teve que usar todos os seus recursos cênicos para desmentir a acusação de que teria intermediado propinas de uma empreiteira para o candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo. Ousou até dizer, num gesto digno de um kamikaze, que se isso fosse verdade não poderia estar ocupando a cadeira mais importante da República. Ato contínuo destituiu o seu amigo Henrique Eduardo Alves, Ministro do Turismo, que veio a somar-se a dois outros colegas de ministério que já haviam experimentado a mesma sorte, por motivos análogos: o recebimento de gordas propinas oriundas de contratos de empreiteiras com a Transpetro, de acordo com as denúncias do ex-presidente da empresa, Sérgio Machado. (mais…)

Entre a fuga e o retorno: Érico Sachs no exílio na Alemanha (1970-1980)

Preâmbulo do CVM ao texto de Elke Stichs e Lothar Wentzel “Entre a fuga e o retorno: Érico Sachs no exílio na Alemanha (1970-1980)”.

Há 30 anos, no dia 9 de maio de 1986, morria no Rio de Janeiro um dos mais influentes líderes da “Política Operária” e do movimento revolucionário brasileiro: Érico Czaczkes Sachs.

Nascido em Viena em 1922, emigrou com sua mãe para a União Soviética em 1934, onde estudou na escola de língua alemã de Moscou, a Escola Karl Liebknecht, também conhecida como a “escola dos sonhos”. A instituição enquadrava-se na política soviética de promover a igualdade entre as inúmeras nacionalidades do país e era destinada, em princípio, a acolher os filhos da minoria alemã da URSS. Posteriormente, abrigou também os filhos dos comunistas de língua alemã que fugiam do fascismo. Por sua qualidade e por seu ensino de vanguarda, caracterizado por abrigar experiências pedagógicas ambiciosas para a época, como a abolição das notas, a promoção do sentimento coletivo por meio de trabalhos de grupo e a relação amigável entre alunos e professores, a escola também era muito procurada por pessoas que não tinham ascendência alemã. (mais…)

UFPE lamenta a morte do professor Ivaldo Pontes

Lamentamos a perda de nosso companheiro Ivaldo Pontes Filho, cuja trajetória como militante da Política Operária e grande colaborador do Centro de Estudos Victor Meyer, sempre guardou coerência com a perspectiva proletária da luta pelo socialismo. Nós do CVM que tivemos o privilégio de compartilhar com sua amizade e convivência, te saudamos com a palavras de ordem:

– Companheiro Ivaldo, presente! 

Cabem muito bem ao companheiro Ivaldo Pontes, essas palavras do poeta russo Tchernichevski: “não se lamente por nada que tenha feito o seu tempo, e diga: aconteça o que acontecer, no final das contas a vitória pertencerá ao nosso campo.” (mais…)