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A Lenda do Outubro Alemão e outros Escritos – August Thalheimer

1923: uma oportunidade perdida?

Este quinto volume da série “Marxismo Militante” é dedicado a August Thalheimer, importante liderança do movimento dos trabalhadores alemães, que viveu de 1884 a 1948, tendo participado sucessivamente da socialdemocracia (até a I Guerra Mundial), da Liga Espartaquista em torno de Rosa Luxemburgo, da formação e da direção do Partido Comunista Alemão (onde teve um importante papel na defesa da tática da “frente única” dos partidos operários) e do Partido Comunista – Oposição (KPO), após 1928.

O primeiro artigo desta coletânea é uma biografia publicada pelo Gruppe Arbeiterpolitik por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1984. Ali o leitor encontrará um quadro geral do contexto histórico em que ele viveu e produziu suas principais contribuições teóricas e políticas.

No segundo artigo, sobre a lenda da “oportunidade perdida” de outubro de 1923 na Alemanha, Thalheimer aponta as diferenças entre os outubros russo e alemão, para concluir que os partidos comunistas deveriam aprender a avaliar as relações de classes em seus respectivos países, e a desenvolver a tática e a estratégia de forma independente, sem submissão à direção internacional.

O terceiro e quarto artigos dizem respeito à questão do “governo operário” e das condições para a participação em governos nacionais e o último contém uma importante contribuição para o entendimento da situação política internacional depois da II Guerra Mundial, quando Thalheimer desenvolveu o conceito de “cooperação antagônica” entre os países imperialistas, criticou o conceito de “imperialismo soviético” e caracterizou a economia da URSS como “socialismo de estado”.

Os textos que compõem este caderno são exemplos da defesa e do exercício de um pensamento marxista crítico, livre de amarras dogmáticas, cuja utilidade transcende em muito os horizontes geográficos e temporais em que foram originalmente produzidos.

Curso Básico da ORM-PO

O trabalho ora divulgado surgiu em primeira edição em inícios de 1968, como curso de formação básica da ORM-PO, Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop), vindo a ser um instrumento importante daquela organização para transmitir e debater os conceitos básicos do marxismo com os novos militantes que despertavam para a luta política. Vários estudantes e operários, que se integraram na militância política durante a ditadura militar nas décadas de 60 e 70, tiveram sua formação política inicial baseada no referido curso.

Nas aulas contidas no Curso, encontramos o primeiro arsenal de conceitos utilizado por Marx para dissecar o funcionamento do capitalismo, tais como sociedade e luta de classes, mercadoria, força de trabalho, mais valia, lucro e exploração capitalista.

Encontramos também o conceito de Estado como instrumento de dominação de classe, de crises do capitalismo, bem como o conceito de imperialismo, a nova fase do capitalismo. Por fim, a questão do socialismo, do partido revolucionário e as particularidades do desenvolvimento capitalista no Brasil.

É admirável o poder de síntese e o didatismo dos autores do trabalho que, sem prejuízo do conteúdo, transmitem com explicações simples conceitos e análises de certo grau de complexidade, não se limitando a uma visão acadêmica de uma formação voltada para militantes.

O livro, com 212 páginas e preço promocional de R$ 15,00, contém uma nota introdutória do Prof. Ivaldo Pontes Filho, Professor Adjunto da Universidade Federal de Pernambuco.

Sobre o Fascismo – August Thalheimer

Os dois primeiros trabalhos são de 1923: “Entre Jena e Leipzig” foi publicado na “Internationale”, órgão teórico do KPD (Partido Comunista Alemão). “O Fascismo, A Pequena-burguesia e a Classe Operária”, foi publicado no “Rote Fahne”, o órgão diário do Partido. Já o terceiro artigo, o célebre trabalho de August Thalheimer, “Sobre o Fascismo”, embora redigido em 1928, só veio a ser publicado em 1930.

Os dois primeiros artigos cuidam das origens e do caráter do movimento e dizem respeito, fundamentalmente, às relações do fascismo com a pequena burguesia. 1923 foi o ano em que o nazismo fez a sua primeira tentativa de disputar o poder. Não conseguiu em virtude da recusa da classe dominante alemã de abrir mão dos seus instrumentos de governo direto – e a burguesia pôde tomar essa atitude porque tinha ainda à sua frente anos de prosperidade econômica, o primeiro “Milagre Econômico”. O problema fascista na Alemanha se tornou agudo de novo de 1929 em diante.

“Sobre o Fascismo”, foi originalmente uma contribuição de Thalheimer à Comissão de Programa da Internacional Comunista, da qual o autor fez parte. Foi publicado pela primeira vez em 1930, em “Gegen der Strom” (Contra a Corrente), órgão teórico da recém fundada Oposição Comunista Alemã (KPO). A KPO surgiu em 1928/29, depois do VI Congresso da Internacional Comunista ter adotado um programa ultra-esquerdista, que inaugurou a luta contra o “social-fascismo”.

Além dos artigos acima referidos, a publicação inclui três outros artigos do autor, estes sobre a problemática da Frente Popular, os quais tratam das lutas operárias européias, notadamente no cenário dos fascismos. São eles: “Marx, Engels, Lenin e a Frente Popular”, “Doze meses da Frente Popular” e “Advertência aos revolucionários”, que circularam originalmente em 1936 / 1937.

POLOP, uma Trajetória de Luta pela Organização Independente da Classe Operária no Brasil

O ato foi o coroamento de uma série de debates e articulações entre quadros políticos e intelectuais que então militavam em pequenas organizações políticas ou se articulavam em torno de publicações marxistas.
Um conjunto de ideias básicas unia o grupo:

  • a condenação à política de colaboração de classes à época comandada pelo PCB, PSB e PTB;
  • a defesa do caráter socialista de qualquer futura revolução no Brasil;
  • o reconhecimento do papel da classe operária como força aglutinadora de uma frente dos trabalhadores da cidade e do campo;
  • a defesa da construção de um partido representativo da classe operária, em oposição aos partidos burgueses e reformistas;
  • crítica às deformações burocráticas dos Estados do então campo socialista, mas solidariedade a esses países em seus conflitos com o sistema imperialista.

A influência da nova organização na esquerda brasileira, em especial na chamada Esquerda Revolucionária, foi profunda. Pode-se dizer que a Polop catalisou as lutas internas que envolveram o PCB nos anos que se seguiram ao golpe militar de 1964. Todas as organizações políticas então formadas na fase da ditadura militar mantiveram algum tido de relacionamento ou mesmo foram diretamente originadas das fileiras da Polop, cujas análises e propaganda política atuaram como um polo irradiador de proposições revolucionárias.

Mas as condições gerais do período que se seguiu, marcadas pela consolidação da ditadura militar pela prolongada clandestinidade – aliadas à onda voluntarista que terminou prevalecendo na Esquerda Revolucionária – selaram o destino da Organização. O cerco repressivo, as prisões, o exílio forçado, provocaram a desintegração do seu núcleo dirigente ao longo dos anos 70.

Com a anistia e o retorno ao país dos exilados, verifica-se um movimento no sentido de reaglutinação da Organização. Tarde demais, pois o contingente de militantes disponíveis era demasiadamente reduzido e isolado do centro dinâmico das lutas sociais brasileiras, numa conjuntura marcada pela retomada das greves operárias, pelo surgimento do PT e pela gestação da CUT. Reconhecendo a importância política própria do PT naquele momento – e sem deixar de entender os seus limites –, a Polop aderiu ao novo partido, mas ao mesmo tempo procurou se manter como organização autônoma. Sem êxito nesse último projeto, dispersou-se lentamente no decorrer da primeira metade dos anos 80.

Este livro contem uma coletânea dos principais documentos elaborados pela Polop durante a sua trajetória, cuja leitura é obrigatória para todos aqueles que se preocupam com as questões sociais do nosso país.

Notas Sobre o Momento Histórico Atual – 2012 (versão impressa)

As notas a respeito das características do desenvolvimento capitalista e papel do Estado no Brasil, das tendências do movimento sindical e do Partido dos Trabalhadores constantes no presente texto foram elaboradas com base nas discussões realizadas no Encontro Nacional do Centro de Estudos Victor Meyer, no Rio de Janeiro, em 15/09/2012.
Disponível em versão pdf.