Arquivo da categoria: Memórias de um revolucionário

Rosa Luxemburgo ou Lenin

No dia 15 de janeiro, a classe trabalhadora revolucionária na Alemanha celebra simultaneamente Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Lenin. No imaginário e no sentimento do trabalhador revolucionário alemão, eles ocupam o mesmo patamar, como os maiores campeões da revolução proletária até então. Cada um com suas próprias características, suas próprias realizações, seu próprio caráter revolucionário, seu próprio papel. O nome de Lenin brilha com o fulgor claro do vencedor da primeira revolução proletária e seu impacto frenético e contagiante em todo o mundo. Os nomes de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são envoltos pelo brilho sombrio dos líderes de uma revolução esmagada em seu primeiro ataque, dos mártires da luta revolucionária, dos símbolos mais marcantes do árduo caminho do martírio e do sofrimento, mas também do espírito combativo inabalável da classe trabalhadora alemã. Se a primeira personifica o presente vitorioso e a verdadeira realidade da revolução proletária, o segundo personifica seu futuro, sua esperança, sua intenção de romper as barreiras e alcançar o Ocidente capitalista avançado. Os três são igualmente caros aos corações da classe trabalhadora revolucionária. leia mais

Morre Carlos Eugênio Paz, o Comandante Clemente da ALN

Militante foi o último comandante da Ação Libertadora Nacional, assumindo a tarefa após os assassinatos de Marighella e Joaquim Câmara Ferreira

Faleceu neste sábado (29/06), em Ribeirão Preto (SP), o músico, escritor e ex-guerrilheiro Carlos Eugênio Paz. Conhecido pelo codinome Clemente, Carlos Eugênio, que tinha 68 anos, foi o último comandante da Ação Libertadora Nacional (ALN), assumindo a tarefa após os assassinatos de Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. leia mais

Tempo de Militância (Em memória de Victor Meyer)

Corria o ano de 1971. Eu estava cursando a Faculdade de Direito em Curitiba, quando tive a oportunidade de viajar para São Paulo. Conhecer a grande cidade, a metrópole da América Latina era, de certo modo, entrar no cenário onde transcorria a história e na corrente contra a qual remávamos, marinheiros jovens e destemidos. Eu viera com o objetivo de discutir, com um companheiro alcunhado de Vicente, a orientação da Organização para o setor estudantil. Ele tinha participado da elaboração das teses para o ativo de fundação da OCML-PO [1] correspondentes ao papel do movimento estudantil na luta revolucionária contra a ditadura militar que – estava escrito no Programa Socialista para o Brasil (PSB) – deveria ser dirigida pela classe operária numa frente de trabalhadores da cidade e do campo. leia mais

Victor Augusto Meyer Nascimento, revolucionário socialista (16.07.1948 – 17.04.2001)

Dentre as principais contribuições da Política Operária à teoria da revolução brasileira, destaca-se, em primeiro lugar, a tese de que a revolução brasileira teria um caráter socialista, ou não seria revolução. Se hoje esse assunto parece fora de moda, deve-se lembrar que até os anos 60 predominavam os defensores do caráter democrático burguês da revolução brasileira e a Política Operária se esforçava em comprovar que não existia uma burguesia nacional revolucionária e que o país apresentava-se já como um país capitalista, ainda que dependente e submetido à dominação imperialista dos países centrais. leia mais

Entre a fuga e o retorno: Érico Sachs no exílio na Alemanha (1970-1980)

Preâmbulo do CVM ao texto de Elke Stichs e Lothar Wentzel “Entre a fuga e o retorno: Érico Sachs no exílio na Alemanha (1970-1980)”.

Há 30 anos, no dia 9 de maio de 1986, morria no Rio de Janeiro um dos mais influentes líderes da “Política Operária” e do movimento revolucionário brasileiro: Érico Czaczkes Sachs.

Nascido em Viena em 1922, emigrou com sua mãe para a União Soviética em 1934, onde estudou na escola de língua alemã de Moscou, a Escola Karl Liebknecht, também conhecida como a “escola dos sonhos”. A instituição enquadrava-se na política soviética de promover a igualdade entre as inúmeras nacionalidades do país e era destinada, em princípio, a acolher os filhos da minoria alemã da URSS. Posteriormente, abrigou também os filhos dos comunistas de língua alemã que fugiam do fascismo. Por sua qualidade e por seu ensino de vanguarda, caracterizado por abrigar experiências pedagógicas ambiciosas para a época, como a abolição das notas, a promoção do sentimento coletivo por meio de trabalhos de grupo e a relação amigável entre alunos e professores, a escola também era muito procurada por pessoas que não tinham ascendência alemã. leia mais