Conjuntura nacional

Adotar uma posição de classe frente ao golpismo em curso

Frente ao golpismo em curso, adotar uma posição de classe significa muito mais do que denunciar a supressão desta ou daquela cláusula da Constituição e do direito burguês, a exemplo de acusações sem prova material, e denunciar sim a intenção política do Ministério Público depor este governo para viabilizar os interesses de classe da burguesia, tornando-o alvo exclusivo do desmonte do esquema de corrupção que sempre alimentou a democracia burguesa não apenas no Brasil mas em qualquer país do mundo. De reconhecer que a democracia burguesa é uma forma de ditadura na qual se dá aplicação do proverbial princípio da política burguesa: “aos inimigos, a lei” mesmo se a lei for burlada – como está a acontecer no Brasil neste momento – alvo de “interpretações” amparadas exclusivamente na autoridade de quem as aplica. (mais…)

Fatos & Crítica 5: O golpe em marcha e os interesses de classe em jogo

jogo de soma zero instaurado, em agosto de 2015, entre partidos da base aliada do governo Dilma Rousseff (PT-PMDB) e o endosso do “baixo clero” (bancadas ruralista, evangélica e “da bala”) representado na Câmara dos Deputados por Eduardo Cunha, foi, logo em seguida, rompido por não se ter estabelecido uma aliança capaz de viabilizar a pauta encaminhada pelo governo.

O início do processo contra Cunha no Conselho de Ética e a denúncia de corrupção pela Procuradoria Geral da República, desencadeou como resposta, ao lado do bloqueio sistemático das reuniões do Conselho, o encaminhamento do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O jogo de soma zero, entretanto, voltou a ser reafirmado em dezembro do ano passado, com a decisão do STF em negar o processo pretendido por Cunha. O recesso parlamentar e o carnaval adiaram os enfrentamentos mas estes logo se aceleraram desde então, a ponto de indicar um horizonte de desfecho da crise política. (mais…)

Fatos & Crítica 4: Roda da economia em marcha a ré, roda política em ponto morto

De outubro de 2014 a setembro de 2015 a economia brasileira revelou um quadro de crise econômica de gravidade inédita. Foram quatro trimestres seguidos de recessão no país. Depois de um crescimento anual pífio em 2014 (0,1%), as previsões de uma contração de 3,3% em 2015 e de outro encolhimento de 2% em 2016 revelam que os efeitos da crise de 2008, postergados por uma série de medidas “anticíclicas”, apresentam-se agora em toda a sua dimensão. (mais…)

Boletim de Conjuntura Nacional Nº 11: A crise de Agosto de 2015

O momento político atual

A situação nacional desde o final de 2014 configura-se como uma crise política em marcha, potencializada por uma crise econômica. A oposição burguesa, liderada pelo PSDB, assumiu abertamente defesa do impeachment (Aécio Neves) ou a renúncia do governo Dilma-Temer (Fernando Henrique Cardoso). Em agosto do corrente ano, a crise assumiu proporções críticas, com as ações do Tribunal de Contas da União e do Tribunal Superior Eleitoral contra o governo. A falta de unidade dos representantes políticos da oposição, agora incluída na base de apoio do governo Dilma, isto é, no PMDB, inviabilizou a derrubada “legal” do governo e propiciou a primeira manifestação aberta da burguesia em favor da estabilidade e de aceitação dos resultados da eleição presidencial. (mais…)

Fatos & Crítica 3: Balbúrdia entre os representantes da classe dominante enquanto se mantém o jogo de soma nula

Nos quatro meses decorridos desde a última edição de Fatos & Crítica 2 pode-se dizer que a crise se mantém nos mesmos limites que deram origem ao título Jogo de soma nula. Apesar de ter conseguido aprovar parte do ajuste fiscal imposto pelos interesses do capital financeiro, no qual se unificam os interesses das demais frações do grande capital, do industrial ao agrário, o governo Dilma continuou a enfrentar a ameaça de impeachment e a recusa do Congresso a implementar outras medidas do ajuste, a exemplo do aumento dos impostos. (mais…)

Fatos & Crítica 2: Jogo de soma nula

Os últimos acontecimentos mostram um governo federal desgastado e sem capacidade de reação diante dos péssimos resultados econômicos, de uma campanha sistemática da mídia empresarial e, principalmente, das investigações da Operação Lava-Jato, que incriminam parlamentares da base aliada e do PT e se aproximam perigosamente do financiamento da campanha da própria Dilma.

Apesar de ter implantado o programa econômico do capital financeiro, deixando o câmbio flutuar, aumentando drasticamente os juros, os impostos e os preços administrados, cortando gastos sociais do seguro-desemprego e das pensões dos trabalhadores e prometendo a privatização parcial da Caixa Econômica, o governo não foi capaz de neutralizar a virulenta campanha da mídia empresarial, que alimenta as manifestações pelo impeachment lideradas pelos setores direitistas radicais da pequena-burguesia. (mais…)