Na sua longa história de agressões e intervenções em diferentes países para a defesa de seus interesses, o imperialismo americano usou tradicionalmente uma amplagama de instrumentos para alcançar os seus objetivos: invasões (como a do Iraque), assassinatos de lideranças (como no caso de Lumumba, Saddam Hussein, Kadhafi edo General Suleimani), fomento a golpes de estado (comono Brasil, na Indonésia e no Chile), imposição de sanções visando asfixiar a economia dos adversários (como em Cuba, no Irã, na Rússia e na Coreia do Norte), preparação de “revoluções coloridas” (como na Ucrânia), além deameaças do uso puro e simples da força.
Mas o imperialismo tinha até recentemente o cuidado de manter sob segredo as ações criminosas de seus órgãos de inteligência ou de revesti-las de justificativas falaciosas, como a defesa dos “direitos humanos” ou da “democracia”. Também tentava dar uma aparência “legal” às intervenções, apelando para a chancela de órgãos internacionais, como no caso das invasões do Iraque e da Líbia.
Com Donald Trump, a hipocrisia necessária para preservar a imagem dos EUA e manter a hegemonia imperialista foi substituída pela linguagem clara e contundente,acompanhada da força bruta. Ele não escondeu que a recente operação de sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela foi preparada pela CIA e teve como propósito se apossar do petróleo do país. Chegou mesmo a ameaçar a sucessora de Maduro com punições ainda piores, se não obedecesse às suas ordens.
Ainda é desconhecido o grau de traição dentro da cúpula e do esquema de segurança presidencial do governo bolivariano, sem a qual a ação de comandos americana não teria chance de sucesso. Por outro lado, uma coisa écerta: apesar da força naval gigantesca e das bases militares que o imperialismo dispõe nas cercanias da Venezuela, ele não ousou forçar um desembarque terrestre no país, nem teve o apoio suficiente de forças para promover um golpe militar que desse um fim definitivo à Revolução Bolivariana. Os EUA tiveram que descartar a participação de Maria Corina Machado ou Edmundo González no novo governo e negociar diretamente com a vice-presidente Delcy Rodríguez. A estrutura do estado restou intacta até o momento.
A razão para esse procedimento não está no estilo “negocial” pragmático de Trump ou nos ciúmes que nutriria em relação à principal líder da oposição, por lhe ter tomado o Prêmio Nobel da “Paz”. Certamente pesou na decisão a organização de base ainda existente dos trabalhadores venezuelanos e as milícias armadas que tornariam bastante difícil a vida de qualquer exército invasor. Se essa foi a razão que deteve a invasão é aí também que se situa a única possibilidade de resistência ao imperialismo na Venezuela.
Cabe ao novo governo apoiar e reconhecer o poder das organizações de base dos trabalhadores venezuelanos, sejam elas os Conselhos Comunais, os Conselhos de Fábrica ou as milícias armadas. Só isso poderá impedir que a Venezuela se transforme num mero protetorado petrolífero, governado desde Washington, conforme o desejo abertamente verbalizado por Trump.
LIBERDADE PARA MADURO E A PRIMEIRA COMBATENTE CILIA FLORES !
TRUMP, TIRE AS MÃOS DA VENEZUELA!
Coletivo do CVM – 07/01/2026