POLOP

A evolução social e política brasileira, posteriormente, iria dar razão a essa crítica. É certo que a década seguinte foi marcada pela expansão do PT e da CUT, grandes marcos da história das lutas sociais; mas essas grandes novidades nasceram sob a iniciativa das greves de 1978-80, cuja gênese e desenvolvimento estavam desligados do movimento pelas liberdades democráticas. Esse último teve o seu desfecho na luta pelas Diretas-já, um movimento de índole utópica que se manteve sempre preso a um certo cretinismo parlamentar. Tanto que, quando o Parlamento ultrarreacionário, longamente manipulado pela ditadura militar, finalmente votou contra as diretas, em abril de 1984, o movimento pelas liberdades democráticas não pôde continuar, foi ao chão, imobilizado pelos seus próprios limites legalistas. De certa forma ajudou a Frente Liberal (depois Nova República) a retirar suas castanhas do fogo (de dentro da ditadura).

Um segundo round, avassalador, sepultaria esse movimento alguns anos depois, ao se tornar afinal uma realidade a Assembleia Constituinte (consigna central na plataforma das liberdades democráticas) e cujo epílogo foi a hegemonia do Centrão.

3.  A incerta hora da morte

 O movimento de volta às raízes não conseguiu salvar o grupo remanescente da POLOP, nos primeiros anos 80. Numericamente insignificante, isolado do epicentro das grandes mobilizações que envolviam o nascimento do PT e da CUT, ainda fragmentado em mini facções regionais, fez-se uma dissolução lenta sem um desfecho bem definido no tempo.