POLOP

A POLOP recusou o comunismo alinhado a esses diversos paradigmas mundiais. Influenciada pelo antigo núcleo crítico e independente dos comunistas alemães (Rosa Luxemburgo, Franz Mehring e August Thalheimer, entre outros) cujo pensamento havia inspirado o ideário da posterior Oposição Comunista Alemã (1929), anti stalinista, ousou propor a autonomia criadora de uma elaboração original.

2.  O Envelhecimento : necessidades e possibilidades embaralhadas (miragens dentro das trevas)

A maturação do Programa Socialista para o Brasil estendeu-se desde a Convocatória para o Congresso de fundação, documento datado de 1960, até o Quarto Congresso da Organização, em 1967. Um processo dramaticamente afetado pelo golpe militar de 1964. Mas o golpe forçou uma rediscussão generalizada dentro das diversas correntes organizadas da esquerda no Brasil e, nesse contexto, a POLOP, já então estruturada em rigorosa clandestinidade, firmou-se como alternativa ao pensamento oficial. As greves de Contagem e Osasco, em 1968, sugeriam possibilidades imediatas para a realização da linha estratégica condensada no recém-aprovado Programa Socialista.

Mas o AI-5, com o terror militar subsequente, interrompeu o processo emergente de um movimento operário radical e jogou por terra o movimento estudantil. Grande parte da classe média aderiu passivamente à nova ordem, ou simplesmente pagou para ver o milagre econômico. O movimento comunista brasileiro, em suas diversas vertentes, entre elas a POLOP, mergulhou numa zona de sombra, isolou-se de suas bases sociais possíveis. A dura travessia dos anos 70 seria aberta com as sucessivas ondas de prisões, que dizimavam em poucos dias os mais variados aparatos clandestinos construídos desde 1964. Vários dentre os quadros políticos mais experientes – precisamente por serem mais vulneráveis ao cerco militar – saíram do país e iniciaram um exílio que se estenderia por quase uma década.