POLOP

O caráter expansivo da POLOP num contexto tão especial da história das lutas de classes no Brasil, sustentado apesar do traumático teste histórico representado pelo golpe militar de 1964, tem sua expressão máxima na elaboração de um documento básico, o Programa Socialista para o Brasil, apoiado sobre um conjunto de textos de fundamentação que configurariam um método de análise, um ideário articulado e uma estratégia de luta.

Seria uma precipitação supor-se que tudo isso teria desaparecido pela ação do tempo. É verdade que a memória da esquerda revolucionária brasileira, de um modo geral, dentro da qual se encontram os registros particulares da POLOP, constitui-se numa dessas realidades que o curso da vida cotidiana confina à vala comum do esquecimento. Tempos de reação, os três últimos lustros decretaram a morte do proletariado, o fim das utopias e, nas franjas do pensamento único que a velha ordem social tentou e ainda tenta impor, a intelectualidade majoritária permitiu-se criar um índex de temas excluídos do campo das discussões. Contudo, as realizações do passado resistem em sua integridade de fatos consumados, retêm suas próprias luzes.

O presente texto ensaia uma discussão nesse terreno: um olhar sobre uma vertente da esquerda revolucionária dos anos 60 e 70, uma volta ao suposto tempo perdido.

1.  A Juventude : «… Era preciso libertar as palavras… »

Eric Sachs, mais conhecido pelo pseudônimo Ernesto Martins, escreveu em 1981 um texto comemorativo dos 20 anos da POLOP [Nota da redação: no portal você encontrará registrado mais frequentemente o nome Erico Sachs, como ele próprio desejava ser chamado]. Evocando o contexto em que vivia a esquerda brasileira nos últimos anos 50 e primeiros 60, disse que a nova Organização tomou para si a tarefa de «libertar as palavras de seu caráter de meros chavões». Essa proposição suscita interrogações: o que havia de errado com as palavras?