POLOP

Os últimos documentos da POLOP observavam a reação agressiva das classes dominantes brasileiras, que assim buscavam avançar sobre os pontos fracos do movimento emergente, visando barrar-lhe novas iniciativas e recuperar o velho status quo. Nesse contexto, o movimento dos trabalhadores colocava-se diante de um desafio ditado pelas forças da ordem e, para enfrentá-lo, precisaria livrar-se de todas as heranças remanescentes de um passado no qual apenas figurava como massa de manobra. O acerto de contas com o passado, dada a urgente necessidade de preparar-se para os desafios do presente, exigia, pelo menos, a depuração radical da organização atrelada, que impregnou o sindicalismo brasileiro desde 1930 e durante décadas funcionou como uma camisa de força imposta pelo Estado.

De modo que, uma curiosa circunstância envolve a morte da POLOP: a organização desapareceu num momento em que suas teses se mostravam em sintonia com o movimento histórico real. Num momento em que as possibilidades divisadas nos idos de 1961 e anos seguintes começavam a acontecer concretamente, ainda que numa forma instável e imatura.

Esse paradoxo instiga uma pergunta: se o antigo ideário mostrava-se atual e ainda com potencial transformador, o que teria, afinal, morrido? Morreu a sigla, é evidente, acabou o velho grupo, seus últimos integrantes se dispersaram em diferentes caminhos. Mas, isso talvez não encerre o assunto. Se for certo que as perspectivas políticas abertas nos primeiros anos 60 pela extinta Organização estavam presentes na hora da sua morte, como tendência em desenvolvimento no cenário vivo das lutas sociais brasileiras, contendo em si novas possibilidades de desdobramentos para o futuro, se a tendência política em referência efetivamente existe, se ela não é pura abstração, pura fantasia, não seria legítimo concluir se que a sua organização também existe, subjacente, mesmo que de modo difuso, informe e sem nome?

 O ponto final dessa existência agônica, na tormentosa obsessão de ver realizar-se a formação do proletariado como classe e a emancipação dos trabalhadores no Brasil, pode ser, quem sabe, este ponto de interrogação.