19/09/2017 – Nova legislação trabalhista ainda não está consolidada, garantem juristas

Trabalho e Sindicalismo

 

Portal da CUT

Nova legislação trabalhista ainda não está consolidada, garantem juristas

Diversas nuances da reforma dependerão de análises a partir da interpretação da lei

Escrito por: Gibran Mendes/ Brasil de Fato • Publicado em: 18/09/2017

A nova legislação trabalhista, sancionada em julho por Michel Temer, ainda não está consolidada. Diversas nuances da reforma Trabalhista dependerão de análises a partir da interpretação da lei. Esta é análise de juristas que participaram na última sexta (15) do “Seminário Reflexões Sobre a Reforma Trabalhista”, realizado no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, em Curitiba.

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano, por exemplo, apontou caminhos nos quais a legislação deverá ser interpretada nos tribunais. Segundo Feliciano, não há nada de “revolucionário” neste processo. “É algo absolutamente ordinário”, garantiu.

O primeiro destes caminhos é a interpretação sistemática. “Vamos começar a disputar sentido em todos os âmbitos, na academia, nos tribunais e na doutrina. Neste caso, basta perceber que pelo contexto determinadas interpretações simplesmente não cabem. O segundo lugar é a interpretação conforme a constituição. Não posso interpretar a Constituição Federal de acordo com as leis. Nada de novo ou revolucionário novamente”, explicou Feliciano.

A convencionalidade, segundo o magistrado, é um outro ponto que será analisado no decorrer dos próximos anos. Neste caso a interpretação passa pelas normas internacionais das quais o Brasil é signatário. “Especialmente, quando ratifica tratados e convenções internacionais, notadamente, da OIT”, relata. Neste caso, o entendimento recente do STF, por exemplo, trata que questões ligadas aos direitos humanos, são assimilados com supra-legalidade. Ou seja, podem ser absorvidos a partir de um procedimento próprio de Emenda Constitucional.

EXEMPLOS DE FORA

O advogado e diretor do Instituto Declatra, Ricardo Mendonça, buscou contextualizar o cenário na qual as mudanças na legislação trabalhista estão envolvidas. “Com a crise de 2008 grandes economistas do mundo chegaram a falar que o neoliberalismo chegou ao fim. Não foi o que se viu. Acho grande erro falar em crise do capital. Se tem alguém que não sofre crise alguma é o capital”, provocou Mendonça.

Doutorando em Direito na Espanha, Mendonça citou dados de um relatório da OIT que analisou estatísticas relacionadas ao trabalho no mundo após 2008. Mais de 180 países, com diferentes nuances econômicas, foram analisados. A pesquisa mostrou que 27% dos trabalhadores, em 2015, estavam contratados pelo regime de contrato de trabalho por prazo indeterminado. Enquanto isso, outros 60% não tinham proteção contratual nenhuma. “Entre 2008 e 2014, segundo o estudo, 61 milhões de pessoas a mais do que os estimado engrossaram o exercito industrial de reserva. Ou seja, 61 milhões de famílias a mais com subemprego, queda de renda ou ainda desemprego”, completou.

O Brasil, que passa a figurar na lista de países com reforma trabalhista que retira direitos, deverá piorar seu cenário. No comparativo que fez com a Espanha, onde viveu nos últimos meses, Mendonça alerta. “As mudanças ocorreram como proposta de estimulo à redução do desemprego, a mesma mentira que ouvimos aqui. Qual foi o resultado? Segundo a OIT a redução da proteção é contraproducente para políticas de trabalho a curto e longo prazo”, completou.

Na Espanha, em 2013, o índice de desemprego chegou a 27% da população economicamente ativa. Até 25 anos esse índice saltou de 18% para 55%. “Uma juventude super qualificada que tinha a promessa social democrata que, ao termo de sua qualificação, teria pleno emprego. Isso derruba o mito da meritocracia, inclusive lá. Jovens extremamente qualificados trabalhando em caixas de redes de fast-food”, exemplificou Mendonça.

NEGOCIAÇÃO E LEGISLAÇÃO

Especialista em direito coletivo do trabalho, o advogado Jose Eymard Loguercio criticou os termos nos quais a “contrarreforma” foi apresentada. “É uma discussão cínica falar que há muita proteção, quando temos é um déficit de proteção. Precisamos encontrar novos mecanismos para proteção dos novos fenômenos de trabalho”, afirmou referindo-se às mudanças trazidas para o mundo do trabalho com o rápido avanços de novas tecnologias.

Loguercio também falou sobre o negociado sob o legislado, um dos pontos mais polêmicos da nova lei. Neste caso, o que for decidido pelos patrões e empregados passará a ter valor maior que a lei. “O Sindicato chega com duas fragilidades na mesa de negociação. Há uma pauta regressiva do trabalhador que antes não poderia acontecer. Há uma clara tendência de pauta invertida. O empregador apresenta o que ele quer, desconstruído do ponto de vista do direito. Esse é o risco concreto”, afirmou.

Por outro lado, o advogado faz um questionamento interessante do ponto de vista, inclusive, da organização do próprio capital. “Se há uma empresa muito forte no seu setor e consegue fazer um acordo pior para seus trabalhadores do que a convenção dos seus concorrentes. Isso se chama dumping, a chamada concorrência desleal. Há uma interface para discutir negociação coletiva, inclusive, sobre o ponto de vista do direito de concorrência, relatou.

Segundo ele, o Uruguai, por exemplo, já enviou recados para o Brasil dizendo que avaliará a nova legislação sob esse ponto de vista. “A pior norma é a que vale. Se isso vira princípio, na prática, você está incentivando o dumping”, analisou.

Edição: Ednubia Ghisi

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Portal da CUT

Bahia: Bancários fazem mobilização em defesa dos bancos públicos

Objetivo da manifestação é criticar o desmonte das estatais

Escrito por: Sindibancários/Extremo Sul da Bahia • Publicado em: 18/09/2017

Foi realizada nesta segunda (18), em Teixeira de Freitas, uma mobilização – distribuição de panfletos, performance teatral, ofertas de bolos e refrigerantes – em defesa dos Bancos Públicos. O objetivo foi chamar atenção da sociedade para os sucessivos desmontes que a Caixa, Banco do Brasil e Banco do Nordeste vem sofrendo, especialmente desde meados de 2016. A Campanha ainda envolve mídias locais, com divulgação em outdoor, busdoor, rádios, TV e sites da região. Em Eunápolis, Itamaraju e Porto Seguro as mobilizações acontecerão nas semanas subsequentes.

Thomaz Edson Andrade, diretor do Sindicato dos Bancários do Extremo Sul da Bahia (Sindibancários), disse que a campanha foi pensada para alertar a população que os bancos públicos trazem emprego e bem-estar: “Somente em Teixeira de Freitas, entre os anos de 2014 e 2016, mais de 2.000 famílias foram contempladas com a casa própria pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, ofertado pela Caixa”, afirmou Thomaz. Além do Programa, a Caixa está presente no dia-a-dia da população: FGTS, Financiamentos Imobiliários com taxas de juros reduzida, Financiamento Estudantil, dentre outras.

Recentemente a direção da Caixa publicou normativa que indica abertura de terceirização para atividades fim da instituição e fim de concursos públicos. Segundo Carlos Eduardo Coimbra, coordenador-geral do Sindibancários, os sindicatos já estão organizados para derrubar essas normativas. “O que está havendo é a diminuição do papel dos bancos públicos, o que acarretará em desemprego, aumento do custo de vida e deterioração das condições sociais”, lembrou Coimbra.

Nesse terreno de desmontes, o Banco do Brasil também corre risco. Os diretores do sindicato apontam que a redução de quadro de funcionários e o fechamento de agências já começou em todo o Brasil. “Querem esvaziar o banco, cortar empregados, fechar unidades e reduzir as funções, viabilizando os interesses do sistema financeiro, de olho no patrimônio público”, alertou Coimbra. Os dados mostram que o Financiamento Estudantil (Fies) – o BB é agente financiador junto com a Caixa – já beneficiou mais de 2 milhões de estudantes; no Extremo Sul da Bahia, somente este ano, mais de 300 estudantes ingressaram na universidade através do Programa.

Outro banco público que corre riscos é o Banco do Nordeste. A direção do banco anunciou fechamento de agências, reestruturações e programas de desligamento voluntário, sobrecarregando o trabalho bancário. Gildenê Prates, secretário de Administração do Sindicato afirmou que o banco é fundamental para o desenvolvimento regional: “somente aqui no Extremo Sul, mais de 10 mil famílias vivem da agricultura familiar, por causa dos programas de incentivo ao trabalhador rural que o Banco do Nordeste oferece”, ressaltou. “A luta em favor dos Bancos Públicos deve ser partilhada por toda a população. O Brasil não está à venda”, completou o dirigente sindical.

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Portal da CTB

Para especialistas existe relação direta entre estabilidade no emprego e produtividade

Marcos Aurélio Ruy, 18/09

A matéria “Por que o medo de ser demitido prejudica a produtividade do funcionário a longo prazo”, publicada pela BBC Brasil trouxe à baila uma importante discussão à cerca do aprofundamento da crise econômica no Brasil e o desemprego galopante.

Já são mais de 15 milhões de desempregados, boa parte constituída por jovens. Soma-se a isso, a aprovação da reforma trabalhista e o fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “O medo de ser demitido aumenta substancialmente em períodos de grande desemprego, fazendo com que trabalhadores e trabalhadoras se sujeitem a toda forma de opressão”, diz Elgiane Lago, secretária da Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

A sindicalista lembra que o desemprego freia inclusive as denúncias de assédio moral e sexual no mundo do trabalho e “certamente isso adoece mais as pessoas”. De acordo com ela, o medo de perder o emprego inclusive cria “desmotivação para o trabalho”.

Luiz Carlos Fadel, pesquisador do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, vai no mesmo rumo de Lago. “A reforma trabalhista vai agudizar ainda mais essa situação, porque manter-se no emprego pode ficar tão difícil que as pessoas se submeterão a qualquer condição para não ficar sem trabalho”.

Para o especialista em medicina do trabalho, o desemprego crescente e a insegurança que a reforma trabalhista trará “acarretarão problemas sérios de saúde mental e problemas vasculares. O ser humano não existe para viver sobre pressão constante, precisamos de válvula de escape”.

O especialista William Schiemann, chefe do grupo Metrus, nos Estados Unidos, afirma à BBC que “é um tiro pela culatra quando empresas usam a segurança no emprego como um graveto, em vez de uma cenoura, porque os funcionários perdem o sentimento de compromisso”.

“Eu tenho percebido campanhas para incentivar a denúncia de assédios sexuais e morais no trabalho, mas realmente infelizmente a falta de oferta de emprego e a situação econômica no país acaba sujeitando as mulheres a passarem por esses constrangimentos”, diz Lago.

Certamente, diz ela, “isso afeta muito a saúde mental da trabalhadora porque além de trabalhadora ela é mulher, mãe e esposa”. Por isso, “temo muito pela regularização da reforma trabalhista que vai afetar terrivelmente a qualidade de vida da classe trabalhadora, levando as pessoas a uma carga de estresse ainda mais insuportável”.

Tinne Vander Elst, uma psicóloga organizacional da Universidade de Leuven, na Bélgica conclui que “há uma relação entre insegurança com o trabalho, níveis mais baixos de performance e de comportamento inovativo e mais comportamentos de bullying e rotatividade real”.

Fadel concorda com a cetebista gaúcha e acrescenta que “o crescimento do adoecimento de quem trabalha vai ficar invisibilizado porque com a quebra do vínculo trabalhista, as pessoas terão onde notificar o seu caso”.

Para ele, “os planos de saúde não farão essa notificação e o Sistema Único de Saúde (SUS) tão pouco”. Fadel argumenta que a situação pode ficar tão ruim que “a indústria farmacêutica vai ganhar muito dinheiro, se as pessoas tiverem dinheiro para se medicar”.

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Portal da CSB

Nova legislação trabalhista vai exigir dos sindicatos mais atenção nas negociações

18 de setembro de 2017

Com a entrada em vigor da Lei da Reforma Trabalhista, os sindicatos no Brasil, que sempre foram atuantes, terão que propagar mais as suas ações para que os trabalhadores tenham conhecimento de que as conquistas da Convenção Coletiva não são doações feitas pelos patrões, mas resultado de luta e persistência dos representantes das categorias. A afirmação foi feita pelo presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antônio Neto, em entrevista ao site da FENEPOSPETRO. Segundo ele, muitos trabalhadores acreditam, erroneamente, que as empresas concedem por livre e espontânea vontade o vale-alimentação, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e outras conquistas que não fazem parte da legislação trabalhista. Antônio Neto alerta, que a partir de agora, os sindicatos terão que ter um cuidado maior com as cláusulas da Convenção Coletiva, para definir, efetivamente, o que é primordial na relação capital e trabalho.

Ele acredita que a lei da Reforma Trabalhista vai fortalecer e valorizar a negociação coletiva e fazer com que sindicatos e trabalhadores se unam para garantir e conquistar mais direitos. Antônio Neto   diz que os sindicatos passarão a ser os protagonistas e precisarão criar um instrumento de defesa para preservar e não permitir que a Convenção Coletiva se torne um descalabro. “Essa é a grande virada do movimento sindical. Eu acredito num salto de qualidade nas relações dos sindicatos dos trabalhadores com os dos patronais. O empoderamento dos sindicatos vai fortalecer a relação capital e trabalho”, concluiu.

O presidente da CSB destaca também, que os sindicatos não podem permitir que a Lei da Terceirização seja introduzida nas empresas como fator de precarização e da substituição da mão de obra por novos contratos que deixam os trabalhadores totalmente desamparados. Para Neto é importante introduzir nas Convenções Coletivas que as terceirizações, na atividade-meio, sejam exercidas por empresas do mesmo setor, para que os direitos da categoria sejam respeitados.

Na opinião de Neto, a boa negociação é a que atende aos dois lados, tanto dos empregados quanto os patrões:

_As responsabilidades dos sindicatos aumentam com a nova legislação trabalhista. Não podemos perder direitos. Se não houver acordo na negociação vai valer o que consta na Consolidação da Leis do Trabalho (CLT). Não se pode retroceder nas conquistas. A relação capital e trabalho nunca foi fácil, mas também nunca será difícil e impossível.

ECONOMIA

O presidente da CSB diz que o governo precisa investir em projetos de infraestrutura para retomar o crescimento da economia e tirar o país do atoleiro. Neto defende uma redução maior nas taxas de juros, para que esse movimento reflita no crédito ao consumidor. Ele afirma que o governo precisa financiar as pequenas e médias empresas, que são as grandes geradoras de emprego, para alavancar a produção do país, que hoje está estagnada. “Com novas vagas no mercado de trabalho conseguiremos fazer a roda da economia girar. Ao gerar empregos vende-se mais produtos, com isso a fábrica precisa produzir mais e contratar mais, assim retomaremos o desenvolvimento econômico”, finalizou.

PROJETOS SOCIAIS

Para Neto os investimentos em projetos sociais são importantes para aquecer a economia. Tudo que for colocado à disposição para o consumo, quer seja ele a fundo perdido, seja através de empréstimos faz com que a economia gire.

FRENTISTAS

Antônio Neto elogiou o trabalho desenvolvido pela Federação Nacional dos Frentistas e pelos sindicatos da categoria em defesa dos direitos dos trabalhadores de postos de combustíveis e lojas de conveniência. “Os representantes dos frentistas avançaram na questão da saúde. Hoje tem legislação que proíbe o abastecimento do combustível além da trava do automático de segurança. Os trabalhadores de postos precisam valorizar essa e outras conquistas dos sindicatos como: a periculosidade, a lavagem do uniforme e todas as normas que garantem mais segurança e saúde no ambiente laboral. Os dirigentes dos frentistas sempre foram grandes pontas de lança nas reivindicações e conquistas dos trabalhadores”, concluiu.

LUTA 2018

O presidente da CSB diz que é chegada a hora dos trabalhadores ocuparem o seu espaço dentro do Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais, para fazer valer os seus direitos. Ele diz que a classe operária precisa de pessoas na política que defendam efetivamente o trabalhador.

Fonte : Fenepospetro

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Portal Agência Sindical

Orçamento de Temer para 2018 empurra Brasil ao caos, alerta diretor do Diap

18/9/2017

Afiado conhecedor do Congresso Nacional e do governo federal, o jornalista Antônio Augusto de Queiroz (Toninho), diretor de Documentação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), alerta sobre outro forte ataque do governo Michel Temer ao Estado brasileiro. Após examinar a proposta governamental do Orçamento da União de 2018, ele afirma enfaticamente: “O Brasil vai para a beira do caos”.

Segundo Toninho, os cortes em verbas de custeio e programas sociais significam abandono dos pobres e carregamento de recursos para os rentistas. Toninho diz: “Em vez de usar os poderes do Estado e do Orçamento pra promover inclusão e reduzir desigualdades regionais, o governo cuida da preservação de contratos, das propriedades e da moeda”.

Tragédia – Segundo Antônio Augusto de Queiroz, haverá menos recursos para a igualdade racial, os direitos das mulheres, o Bolsa Família, a reforma agrária e o atendimento aos índios. O impacto urbano também será drástico, pois o Ministério das Cidades cortará 86% nos seus recursos. Ou seja, a Pasta contará com apenas 14% do que teve este ano. “É tragédia”, ele diz.

Em entrevista à Agência Sindical, o diretor do Diap diz haver “uma opção deliberada do governo no sentido de desproteger os mais vulneráveis”. Ele cita, como exemplo, a opção por canalizar os recursos arrecadados compulsoriamente da sociedade para os compromissos das dívidas interna e externa. Segundo o jornalista, isso afetará duramente o atendimento da população em demandas básicas por Educação, Saúde e Segurança.

Toninho alerta: “Há o risco concreto de o País parar e ocorrer um colapso do Estado brasileiro”.

ÍNTEGRA – A fala de Toninho foi veiculada quinta (14), à noite, no programa Repórter Sindical na Web, na TV Agência Sindical. O programa também é veiculado nas TVs Comunitárias de Guarulhos e Brasília. O conteúdo entrou, ainda, na programação da Rádio Web e demais veículos da nossa rede de comunicação.

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Portal Mundo Sindical

FITMETAL e CTB participam do Dia Nacional de Luta em todo o País

O Dia Nacional de Luta, Protesto e Greve levou milhares de trabalhadores às ruas, nesta quinta-feira (14), em pelo menos dez estados. As manifestações foram convocadas pela FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil), pela CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e pelas entidades que integram a campanha “Brasil Metalúrgico”.

Com caráter nacional e unificado, o movimento protestou contra o fim dos direitos sociais e trabalhistas, contra o desmonte da Previdência Pública e em defesa das conquistas nas convenções coletivas. “Foi um repúdio generalizado dos trabalhadores – sobretudo dos metalúrgicos – às reformas e aos retrocessos do governo Temer”, afirmou Marcelino da Rocha, presidente da FITMETAL.

Veja abaixo como foi a participação da FITMETAL e da CTB nas principais atividades do Dia Nacional de Luta, Protesto e Greve:

SÃO PAULO

Os metalúrgicos começaram a se concentrar às 8 horas, em frente ao Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo. De lá, com faixas, bandeiras e carros de som, cerca de 2 mil manifestantes foram em passeata até a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo (órgão ligado ao Ministério do Trabalho), na Rua Martins Fontes.

“Nós, metalúrgicos do Brasil de todas as correntes políticas, estamos fazendo a ‘lição de casa’ e estamos de parabéns. Estamos mostrando hoje o que é ser uma categoria de luta”, discursou, do carro de som, Marcelo Toledo, o “Alemão”, secretário de Formação da FITMETAL. Ele acusou o governo Temer de ser “uma máfia, uma quadrilha, que tomou de assalto” o poder. “Temos de mostrar com quem eles estão mexendo. Eles não nos põem medo!”

Para José Francisco Salvino, o “Buiú”, secretário de Políticas Institucionais da FITMETAL e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna, é hora de o movimento sindical “deixar todas as diferenças de lado” e reforçar a mobilização das categorias. “”Somente com trabalhadores nas ruas, com as fábricas paradas, é que conseguiremos barrar esses retrocessos”, declarou Buiú.

Os representantes da FITMETAL, CTB, CNM/CUT, CNTM/Força Sindical e CSP-Conlutas solicitaram uma reunião com o superintendente do Ministério do Trabalho em São Paulo, Eduardo Anastasi, para apresentar a pauta da campanha “Brasil Metalúrgico”. A expectativa é que essa audiência ocorra antes de 29 de setembro – data em que as entidades do movimento realizarão a Plenária Nacional dos Trabalhadores da Indústria, no CMTC Clube, em São Paulo.

Wallace Paz, secretário-geral da FITMETAL, e Claudionor Valle, e membro da direção plena, também participaram da manifestação. A CTB foi representada por dois membros de sua direção executiva nacional – Nivaldo Santana (Relações Internacionais) e Ronaldo Rodrigues Leite (Formação e Cultura) –, além de Carlos Rogério Nunes (Conselho Fiscal).

MINAS GERAIS

Em fase de campanha salarial unificada, os metalúrgicos do estado iniciaram os protestos já na madrugada, com uma passeata na BR 181, a rodovia Fernão Dias, que liga Minas Gerais a São Paulo. A manifestação durou cerca de uma hora e meia, paralisando a produção na FCA (Fiat Automóveis) e no cinturão de fornecedoras de autopeças da região.

Durante o protesto, os metalúrgicos de Betim, representados pelo Sindicato, também criticaram a primeira proposta de aumento de 1%, oferecida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Além da FITMETAL e da CTB, participaram das atividades o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região, a Femetal, a Fem/CUT-MG e a CSP-Conlutas.

“Os metalúrgicos de Betim, mais uma vez, deram sua importante contribuição nesta luta. Saímos em passeata desde as 5 horas da manhã, numa manifestação que passou em frente à Fiat Automóveis, com o objetivo de fortalecer ainda mais a resistência contra as reformas do governo Temer”, afirmou Marcelino da Rocha.

Ainda pela manhã, no Sul de Minas, os trabalhadores metalúrgicos da Imbel em Itajubá (MG), fizeram uma assembleia ampliada da categoria. O Sindicato dos Metalúrgicos de Lavras, filiado à FITMETAL e a CTB, marcou presença

À tarde, houve nova manifestação em Betim, em frente à portaria da Brembo, no distrito industrial do bairro Bandeirtinhas. Dirigentes do Sindicato, da Fitmetal e da CTB foram acompanhados de perto por um grande aparato militar, que mobilizou vários policiais e diversas viaturas. Mesmo diante da tentativa de intimidação, os sindicalistas deram sequência à atividade, que transcorreu de forma pacífica.

RIO DE JANEIRO

No Rio, às 7 horas, trabalhadores se reuniram em frente à sede da Petrobras. O ato foi liderado por três sindicatos de trabalhadores metalúrgicos – Rio, Angra dos Reis e Niterói –, com apoio da FITMETAL, da CTB e da CUT. O foco das entidades foi a denúncia do desmonte do setor naval e o desemprego crescente nos estaleiros.

Dirigentes cobraram a retomada dos investimentos da Petrobras no setor metalúrgico, em especial no segmento naval, para a volta dos estaleiros e dos empregos no estado. Atualmente, a indústria naval está praticamente paralisada em Angra, Rio e Niterói, onde ficam os maiores estaleiros.

Partindo da sede da Petrobras na Avenida Chile, os dirigentes caminharam até o outro prédio da empresa, que também fica no centro da cidade. As entidades solicitaram uma reunião com o presidente da Petrobras, Pedro Parente – mas a companhia se recusou a receber os trabalhadores.

“Queremos que eles nos recebam e ouçam os pedidos dos trabalhadores”, afirmou Jesus Cardoso, secretário dos Setores Naval Offshore e Siderúrgico da FITMETAL e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (RJ). “Não nos receberam hoje – mas vamos voltar aqui e exigir que a Petrobras assuma seu papel, neste momento, de investir no Brasil e voltar a gerar empregos.”

Em Queimados (RJ), na Baixada Fluminense, também houve assembleias com a categoria. O protesto foi convocado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Queimados e Região (Sindimetal) e pela FITMETAL. Dirigentes das entidades, como Ubirajara da Cruz (o Bira), presidente do sindicato, e Alex Ferreira Santos, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Federação, falaram com os trabalhadores.

OUTROS ESTADOS

Dirigentes e lideranças sindicais ligadas à Fitmetal, à CTB, e ao Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco (SindMetal-PE) também promoveram, em Recife, o Dia Nacional de Luta, Protesto e Greve. A mobilização contou com panfletagens junto à categoria na multinacional Musashi do Brasil.

Já no Rio Grande do Sul, uma assembleia na porta da Microinox, em Caxias, marcou o Dia de Luta. Além das bandeiras de lutas da campanha Brasil Metalúrgico, a manifestação, chamada pela FITMETAL e pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região, acusou a empresa de demitir em massa e não dialogar com a categoria.

Fonte: FitMetal – 18/09/2017

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