04/10/2017 – Centrais Sindicais se reúnem e debatem ações para o Dia Nacional de Paralisações

Trabalho e Sindicalismo

 

Portal Agência Sindical

Centrais Sindicais se reúnem e debatem ações para o Dia Nacional de Paralisações

3/10/2017

As Centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB se reuniram segunda (2), na sede da Força Sindical, em São Paulo, a fim de debater agenda de ações nos próximos dias e a realização do Dia Nacional de Paralisações marcado para 10 de novembro.

As ações começarão nesta terça (3), com uma grande manifestação nacional contra a privatização de empresas estratégicas como Eletrobras e Petrobras. O ato principal ocorrerá no Rio de Janeiro, organizado por petroleiros, eletricitários e bancários (Caixa, BB, BNDES), entre outras categorias.

“Serão realizadas manifestações nas cidades onde há representações da Petrobras ou da Eletrobras. No Rio de Janeiro, os trabalhadores sairão da Eletrobras em passeata até a sede da Petrobrás”, comenta o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna).

O dirigente disse à Agência Sindical que as campanhas salariais deste segundo semestre também serão reforçadas. “Temos que fortalecer as campanhas em cada setor, esclarecendo os trabalhadores sobre a importância desses atos. É preciso que as categorias se insiram nas manifestações”, ressalta.

Para o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, o momento é de resistência, organização e ampliação de diálogo para a construção de caminhos que fortaleçam o movimento sindical. O sindicalista destacou a importância de uma nova paralisação nacional.

“É preciso conversar e construir isso com todos os setores. Um setor estratégico para as lutas do dia 10 de novembro será o setor de transportes. Vamos procurar a categoria para externar nossa posição e propor uma grande plenária com todos os modais, de modo a organizar a luta de forma coletiva e ampla”, explica.

Dieese – Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese, disse que as Centrais decidiram apoiar a campanha de arrecadação de recursos da entidade. De acordo com ele serão feitas diversas ações. “É preciso mostrar a importância do Dieese. Essas ações serão levadas para a grande mídia reforçando a necessidade de se ter uma entidade como a nossa”, explicou.

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Portal da CUT

Em greve, trabalhadores dos Correios em Sergipe saem em defesa das estatais

“Privatização de Correios prejudicará toda população brasileira”, diz Sérgio Lima

Escrito por: Iracema Corso/ CUT SE • Publicado em: 03/10/2017

Dia de luta acirrada contra a privatização da empresa dos Correios e outras empresas públicas ameaçadas por este governo ilegítimo Michel Temer. Nesta terça-feira (3), o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (SINTECT/SE), filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), realizou o protesto em frente à agência do Centro de Aracaju, atos por todo o país e manifestação em Brasília e no Rio de Janeiro.

Liderança sindical do SINTECT/SE, Sérgio Lima esclareceu que a luta contra a privatização dos Correios é uma luta de todos, pois a privatização não vai gerar nenhuma vantagem para a população brasileira. Além das demissões em massa, que vão piorar o quadro de desemprego no país, está previsto o encarecimento do serviço e a extinção das agencias em localidades longínquas, deixando a população desassistida e reduzindo a eficiência do serviço, conforme explicou.

“A greve segue forte em todo o país. Só não está tendo a devida visibilidade nos meios de comunicação. A cada dia a greve cresce de forma assustadora e inédita. A informação divulgada de que 93% dos trabalhadores continuam nos postos de trabalho não é verdadeira. Sob o risco de privatização da empresa, até trabalhadores que ocupam cargos de chefia estão aderindo à greve. O governo golpista está equacionando as leis necessárias, enxugando a máquina, deixando tudo pronto para a privatização. Através de planos de incentivo à demissão, sofremos brusca redução de funcionários, o Estatuto da empresa foi modificado para permitir que os Correios se torne uma SA, seja privatizado diretamente ou através da Parceria Público Privado (PPP). Houve uma decisão judicial contrária ao movimento grevista e estamos tentando derrubar liminarmente esta decisão para avançar na luta até a vitória”.

Sergio Lima explicou que o Plano de Saúde vinculado é um dos obstáculos à privatização. “Junto à luta contra a privatização, queremos que o governo reedite o acordo coletivo para que nosso plano de saúde continue vinculado e lutamos pela reposição inflacionária”.

Dirigente da CUT/SE e do SINDTIC/SE (Tecnologia da Informação), Jairo de Jesus tem participado de todos os atos em Aracaju. “A CUT tem participado dos atos, de todas as audiências publicas, da mobilização nacional contra a privatização das empresas públicas Correios, Petrobras, bancos públicos e todas as estatais. Haverá um grande ato no dia 6 de outubro, a CUT participa da construção desse protesto em todo território nacional. Em Aracaju não tem sido diferente. Sabemos que esta é uma luta difícil, pois o governo golpista quer privatizar tudo em conluio com o Judiciário. Mas os trabalhadores acertaram quando decidiram resistir, lutar, recorrer, não temos outra opção além da luta”, reforçou.

EM SÃO PAULO

O ato dos trabalhadores dos correios em São Paulo será nesta quarta (04), no vão livre do Masp a partir das 09h30.

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Portal da CUT

Por que a Petrobras é importante para o Brasil?

A estatal é um patrimônio nacional e quem almeja um Brasil soberano, precisa lutar por ela

Escrito por: Juliane Furno, no Brasil de Fato • Publicado em: 03/10/2017

Escolho um tema que julgo muitíssimo importante e atual para iniciar essa coluna, que passo a escrever quinzenalmente. A Petrobras entrará outra vez em cena neste 3 de outubro, recebendo, em mais um aniversário, milhares de militantes sociais, incluindo petroleiros, atingidos por barragens, estudantes entre outros, que participarão de uma jornada de lutas pela soberania nacional e contra o desmonte da Petrobras.

Vamos entender melhor o que se passa. A Petrobras é uma empresa que chamamos de “estratégica”. Ela é a maior empresa brasileira, a principal no que tange aos investimentos do país, a que mais contribui com o PIB brasileiro e a que mais investe em pesquisa e desenvolvimento. Além disso, a Petrobras trabalha com o produto mais disputado internacionalmente, o petróleo.

Sem exagerar, o petróleo foi um componente fundamental em todos os principais conflitos geopolíticos do século XX. Muitos advogam a tese de que a mal sucedida ofensiva dos soldados alemães sob a ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) teve como objetivo controlar o petróleo da região do Cáucaso.

“Quem tem petróleo tem poder”. Eu acrescentaria à esta máxima que quem tem petróleo tem também soberania nacional, ou seja, capacidade de edificar um projeto de desenvolvimento nacional independente da importação desse. Notem que quase tudo ao nosso redor ou tem petróleo na composição (cosméticos, produto de limpeza, medicamento, tecido sintético) ou foi carregado por ele (“viajou” de caminhão até chegar na sua casa).

Pela magnitude da Petrobras e seu papel estratégico em âmbito nacional e internacional, ela tem sido objeto de muita disputa política. Você provavelmente já ouviu que a Petrobras é uma empresa corrupta, que está quebrada, que “não vale nada”, e que está endividada. Coincidentemente ou não, esses foram os mesmos argumentos que levaram a privatização da Vale do Rio Doce, em 1997.

A mídia, os golpistas e os entreguistas no Brasil optaram pelo “sangramento” da empresa e apostaram na manipulação do senso comum para justificar a passagem do controle público da empresa para as mãos do capital privado, especialmente o internacional. Eles querem reduzir o papel da empresa, restringindo-a a uma “extratora de petróleo”, vendendo todo o restante (refino, distribuição) aos seus amigos capitalistas internacionais, que terão seu futuro garantido pelas próximas muitas décadas.

Afinal, o Brasil tem as maiores reservas petrolíferas do mundo e, pelo menos para os próximos 50 anos, o petróleo seguirá sendo a matriz energética dominante no planeta. Pensem como isso será lucrativo para os grandes oligopólios e, ao mesmo tempo, se adapta muito bem ao projeto entreguista da direita brasileira, que vê nas empresas públicas e no Estado forte um “fardo” que precisa ser diminuído.

Vejamos alguns fatos: a Petrobras representou 13% do PIB brasileiro; estima-se que o seu efeito na cadeia do petróleo mobilize 1 milhão de empregos; a Petrobras é a empresa brasileira que tem a maior participação no investimento nacional (FBKF, Formação Bruta de Capital Fixo) e também a que mais investe em Pesquisa e Desenvolvimento.

A Petrobras teve um lucro líquido no último trimestre de 2016 de 2,5 bilhões de reais. Mas a empresa não estava quebrada? Está certo que ela também acumula uma grande dívida, mas que é atribuída a investimentos que ainda vão maturar, ou seja, darão retorno no futuro, tanto para a empresa como na geração de empregos, no desenvolvimento local e na capacidade do Brasil avançar na produção e refino.

Precisamos expandir os investimentos da empresa, garantir a ampliação dos ativos fixos já existentes, avançar na contratação de trabalhadores e seguir com papel ativo de estímulo de toda a cadeia produtiva através do Conteúdo Local (que é a obrigatoriedade de compras de navios, plataformas e outros equipamentos da indústria brasileira). Essas ações são necessárias, inclusive, ao enfrentamento da crise econômica atual, que passa por uma redução drástica dos investimentos públicos e forte ampliação do desemprego e subemprego.

Queremos uma Petrobras cada vez mais ativa no desenvolvimento nacional, nos possibilitando o fortalecimento de uma nação soberana, com controle sob as nossas riquezas naturais e estratégicas. Isso passa por fortalecer as suas atividades produtivas e garantir um controle estatal sob a sua orientação de longo prazo.

Por tudo isso, bradamos que a Petrobras é do Brasil! É um patrimônio do povo brasileiro e é tarefa dos que almejam uma nação livre e soberana a sua defesa incondicional.

* Juliane Furno é doutoranda em Desenvolvimento Econômico na Unicamp e militante do Levante Popular da Juventude

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Portal da CUT

No Pará, Santa Catarina e Brasília manifestações saem em defesa das estatais e repudiam reformas

Em Belém, Florianópolis e na capital federal, movimentos sociais dialogam com a população

Escrito por: Luiz Carvalho • Publicado em: 03/10/2017

O sol e a temperatura de 32 graus não foram empecilhos para a CUT e aliados dos movimentos sindical e sociais irem às ruas desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (3) em Belém (PA).

Na capital paraense, o ato em defesa das estatais nos moldes do que ocorre no Rio de Janeiro e em outras capitais do país, acontece no Mercado Ver-o-peso, a maior feira aberta da América Latina.

Às vésperas do Círio de Nazaré, manifestação religiosa que atrai milhares de turistas para o estado, a Central promoveu panfletagens contra a venda das estatais, em especial a Eletronorte, ao mesmo tempo em que lançou a coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que revogue a Reforma Trabalhista.

Secretária de Comunicação da CUT-PA, Vera Paoloni, aponta que muitas pessoas ainda se surpreendem com os prejuízos que as medidas propostas por Temer trarão para a classe trabalhadora.

“A grande maioria das pessoas que abordamos é contra o Temer e muitos desconhecem que vão perder a carteira assinada, que vão receber por hora trabalha, que será o fim das férias, 13º, carteira assinada. Tem sido muito bom esse diálogo e temos coletado assinatura até de pessoas de outros estados que chegam para ver o Círio. Amanhã (5) vamos repetir essa mobilização em frente ao Tribunal Regional do Trabalho”, destaca.

SANTA CATARINA

Em Florianópolis (SC), a CUT e parceiros dos movimentos sindical e sociais se reuniram diante da Eletrosul para dialogar com a população. A manifestação promoveu um abraço simbólico na empresa. Ao meio-dia, as lideranças sindicais correram o terminal urbana para uma panfletagem e nesta quarta-feira (4) acontecerá uma audiência pública na Assembleia Legislativa do estado.

“Aos poucos as pessoas tem se tornado mais receptivas e sentimos que estamos conseguindo fazer com que as pessoas entendam o prejuízo que as privatizações e a Reforma Trabalhista causam ao país.”

Há ainda atos mobilização em São Paulo, diante da sede da Eletrobrás, e em Brasília, onde os Correios em greve cobram 8% de reajuste, o fim da tentativa de retirada de direitos pela direção da companhia e repudiam a proposta de privatização pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB).

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Diap

Renovação Liberal: a associação familiar para onde vai o dinheiro do MBL, na revista IHU on-line

O Movimento Brasil Livre (MBL), que surgiu em 2014 carregando a bandeira do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e do combate intransigente à corrupção, se autodenomina uma entidade sem fins lucrativos, segundo consta em sua página no Facebook. Porém, há um lado nebuloso sobre como se organiza e se mantém financeiramente este movimento, que conta com 2,5 milhões de fãs em seu perfil na rede social. Todos os recursos que recebe por meio de doações, vendas de produtos e filiações são destinados a uma “associação privada” — como consta no site da Receita Federal —, chamada Movimento Renovação Liberal (MRL), registrada em nome de quatro pessoas, sendo três deles irmãos de uma mesma família: Alexandre, Stephanie e Renan Santos. Este último é um dos coordenadores nacionais do MBL e um dos rostos mais conhecidos do grupo.

A reportagem é de Vinícius Segalla, Marina Rossi e Felipe Betim, publicada por El País, 29/09/17.

A família Santos responde atualmente a 125 processos na Justiça, relativos a negócios que tiveram antes da criação do MRL. O EL PAÍS teve acesso a estes processos. A maioria é relativa à falta de pagamento de dívidas líquidas e certas, débitos fiscais, fraudes em execuções processuais e reclamações trabalhistas. Juntos, acumulam uma cobrança da ordem de 20 milhões de reais, valor que cresce a cada dia em virtude de juros, multas e cobranças de pagamentos atrasados.

Três membros desta mesma família, além de uma quarta pessoa, aparecem como únicos associados da Renovação Liberal, a entidade privada “sem fins econômicos e lucrativos” que recebe o dinheiro do MBL. Seu estatuto, registrado em cartório em julho de 2014, diz que se trata de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). De acordo com a legislação brasileira, doadores de uma Oscip podem descontar do Imposto de Renda as colaborações feitas a uma entidade como o MRL.

Até hoje, o Movimento Renovação Liberal não consta no cadastro nacional de Oscip disponibilizado pelo Ministério da Justiça. Consultando o CNPJ do Renovação Liberal (22779685/0001-59) no site da Receita Federal, o que se encontra é uma associação privada, criada em março de 2015, cuja atividade principal é “serviços de feiras, congressos, exposições e festas”.

Além disso, apenas Stephanie Liporacci Ferreira dos Santos, irmã de Renan Santos, aparece na Receita Federal como presidenta da entidade. Ou seja, o que aparece na Receita não corresponde ao quadro societário que aparece no estatuto da associação. O endereço do Renovação Liberal fica, atualmente, num bairro nobre da zona sul de São Paulo, no mesmo imóvel onde está a sede nacional do MBL. De acordo com fotos e publicações em suas páginas de Facebook, Stephanie mora na Alemanha, onde foi visitada por seus pais e irmãos em julho deste ano.

Segundo Cecília Asperti, advogada e professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), o mero fato de que o estatuto social diga que a entidade se trata de uma Oscip não significa que ela seja uma. “Somente podem qualificar-se como tal as pessoas jurídicas (de direito privado sem fins lucrativos) que tenham sido constituídas e que se encontram em regular funcionamento há, no mínimo, três anos”, afirma Asperti. “Para tanto, é necessário fazer um requerimento perante o Ministério da Justiça observando-se os critérios estabelecidos em lei. Cabe, então, à pasta federal julgar se a associação enquadra-se ou não nos requisitos”, explica a advogada.

O dinheiro doado ou repassado ao MBL é canalizado para o Movimento Renovação Liberal da seguinte maneira: quando alguém doa (e se filia) ao MBL, paga uma taxa por meio de um serviço de internet (PayPal). O dinheiro, então, é direcionado ao CNPJ do Renovação Liberal. Também a venda de artigos vinculados à marca, como bonecos pixulecos, canecas e camisetas, tem os recursos direcionados à entidade de Renan e seus irmãos, como constatou este jornal ao fazer compras na página do movimento.

Questionado pelo EL PAÍS, o MBL diz que “não se deve confundir” o Renovação Liberal com o grupo. “O MBL é uma associação de fato, que congrega milhares de indivíduos de diversas localidades do país identificados com causas de natureza política, social e econômica. Para não perder sua essência de movimento cívico compreendido como reunião espontânea de pessoas, optou-se por essa formatação. O Movimento Renovação Liberal presta apoio formal ao MBL, por exemplo em relação à realização de eventos”, disse nesta sexta-feira, por e-mail. [Veja as respostas na íntegra no box abaixo].

AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS

Tanto o MBL quanto a associação Renovação Liberal nunca apresentaram ao público uma prestação de contas. O EL PAÍS questionou o grupo sobre sua arrecadação e recebeu a seguinte resposta: “O MBL é o movimento político mais perseguido do Brasil. E, portanto, como entidade privada, não tornamos público o balanço financeiro, em respeito à privacidade e integridade de nossos colaboradores, membros e doadores”. Também não consta no cartório em que a entidade está registrada atas de assembleias gerais ou registro da instituição de um conselho fiscal, contrariando o que está previsto no próprio estatuto do Renovação Liberal — e o que, em tese, prevê a natureza de uma Oscip.

Os chamados coordenadores nacionais do MBL já foram impelidos em outras ocasiões a apresentar suas contas publicamente por órgãos de imprensa, adversários políticos, simpatizantes e até partidos aliados, mas nunca o fizeram. No dia 22 do mês passado, por exemplo, a Juventude do PSDB-SP — importantes dirigentes deste partido contam com o apoio declarado do MBL para as eleições de 2018 —, divulgou uma nota em que critica a falta de transparência financeira do movimento: “Hoje, o MBL tem sua agenda esgotada, e não se observa mais utilidade a esta organização que, aliás, nunca deixou clara sua origem, seu funcionamento e, principalmente, seu método de financiamento. (…) A Juventude do PSDB do Estado de São Paulo aproveita, ainda, para convidar o Movimento Brasil Livre ao debate honesto e transparente sobre o seu modo de financiamento, desafiando-o publicamente a disponibilizar prestação de contas periódica do movimento”.

A nota acima foi divulgada após a notícia de que o MBL e parlamentares jovens do PSDB estavam ensaiando uma aliança para as eleições de 2018. O EL PAÍS entrou em contato com Juventude paulista do PSDB, que, por meio de sua assessoria de comunicação, confirmou que a nota publicada na imprensa representa o posicionamento do órgão estadual até hoje. Já André Morais, presidente da Juventude Nacional do PSDB, disse à reportagem que respeita a posição da ala paulista da entidade, mas que ela não representa a opinião do órgão nacional. “Temos mais semelhanças do que diferenças com o MBL”, afirmou Morais.

“AGENTES DA CIA”

A falta de transparência para divulgar suas contas já gerou uma série de teorias sobre quem patrocina o MBL. De testas de ferro da CIA a fantoches dos Irmãos Koch, um grupo empresarial norte-americano que apoiou o presidente Donald Trump nas últimas eleições. Os jovens do grupo não perderam tempo de capitalizar sobre as teses que os cercam para atrair doadores. Os interessados em colaborar com o MBL podem se filiar ao movimento de acordo com diversas escalas de valores, que variam de R$ 30 a R$ 10 mil. Pelo valor mais baixo, o doador se registra na categoria chamada Agente da CIA. Segundo informa a página cadastral, este plano dá direito a acesso a fóruns de debates, votações em questões internas e participação em sessões de videoconferências. Por R$ 100 , é possível tornar-se um doador Irmãos Koch.

Há ainda outras seis categorias, com nomes como Exterminador de Pelegos, Imperialista Yankee e Privatiza Tudo. A filiação premium chama-se I am the 1% e custa R$ 10 mil por mês, teoricamente dando direito à participação em congressos, votações e jantares.

Apesar desse controle no número de filiações, o MBL disse o seguinte para o EL PAÍS: “Estamos em 24 estados da Federação e em centenas de municípios. Cada núcleo é independente, não sendo possível afirmar quantos somos”.

Além disso, os colaboradores que se filiam não possuem qualquer direito sobre a entidade que controla as finanças do movimento. Conforme consta no estatuto da Renovação Liberal, a entidade possui apenas quatro associados, e somente eles têm direito a voto, cadeiras em assembleias gerais, no conselho consultivo e no conselho fiscal. O Artigo 15 do estatuto (na imagem) prevê que apenas a assembleia geral poderá aprovar a entrada de novos membros. Mas isso jamais foi feito desde que a associação foi fundada, conforme mostram os documentos referentes à entidade, entabulados no 8º Cartório de Registro Civil de Pessoa Jurídica de São Paulo.

Aqueles que são chamados de coordenadores nacionais do MBL, como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e o próprio Renan Santos, não foram eleitos por ninguém e jamais poderão ser substituídos em eventual votação dos que supostamente se filiam ao movimento. Tampouco poderão os doadores do MBL votar ou decidir sobre qualquer destinação do dinheiro que o movimento acumula, nem mesmo aprovar suas contas. Tudo isso cabe apenas aos irmãos Santos e ao quarto associado, Marcelo Carratú Vercelino, empresário morador de Vinhedo, no interior paulista.

PROBLEMAS NA JUSTIÇA

Os irmãos Santos e seus pais são alvos de pelo menos 125 processos na Justiça brasileira. Somente em nome de Renan Santos e das empresas familiares de que é sócio, há 16 ações cíveis e mais 45 processos trabalhistas. Ele nega ter agido de má fé em qualquer um desses casos, embora admita as dívidas, fruto, segundo ele, das “dificuldades de ser empresário no Brasil”, conforme afirmou ao portal UOL. Em mais da metade das ações judiciais a que respondem, o tempo para Renan e sua família se defender já passou, tornando a dívida líquida, certa e exequível. Esses processos correram à revelia, o que quer dizer que os acusados sequer se deram ao trabalho de defender-se na Justiça. As cobranças estão sendo realizadas pelos tribunais, mas não têm tido resultado, visto que oficiais de Justiça não encontram valores nem nas contas das empresas, nem nas de seus proprietários. Há casos de oficiais de Justiça que foram cobrar Renan e seus irmãos em endereços anunciados como sedes das empresas, mas não encontraram ninguém.

AS RESPOSTAS DO MBL AO EL PAÍS

Qual a relação entre o MBL e a empresa Movimento Renovação Liberal?

Antes de tudo há um erro na pergunta: O Movimento Renovação Liberal não é uma empresa, mas sim uma Associação Civil sem fins lucrativos. A relação entre o Movimento Renovação Liberal e o Movimento Brasil Livre precisa ser compreendida a partir da natureza jurídica de cada um deles.

Não se deve confundir um com o outro. O MBL é uma associação de fato, que congrega milhares de indivíduos de diversas localidades do país identificados com causas de natureza política, social e econômica. Para não perder sua essência de movimento cívico compreendido como reunião espontânea de pessoas, optou-se por essa formatação. O Movimento Renovação Liberal presta apoio formal ao MBL, por exemplo em relação à realização de eventos, tendo inclusive registrado perante o INPI e cedido o uso da marca MBL, evitando-se que pessoas de má-fé pudessem se aproveitar de todo trabalho realizado por indivíduos que lideram o movimento. Atualmente, os ataques sofridos pelo MBL apenas confirmam o acerto da medida.

Quanto o MBL já arrecadou neste ano com a filiação de novos membros e venda de produtos pelo site? E desde sua fundação?

O MBL é o movimento político mais perseguido do Brasil. E, portanto, como entidade privada, não tornamos público o balanço financeiro, em respeito à privacidade e integridade de nossos colaboradores, membros e doadores.

Quantos membros o MBL possui em todo o Brasil? E só em SP?

Estamos em 24 estados da Federação e em centenas de municípios. Cada núcleo é independente, não sendo possível afirmar quantos somos.

Vocês estão disputando na Justiça a propriedade do nome e da logomarca do MBL. Por que não conseguiram a propriedade antes?

Essa questão é risível. A marca está devidamente registrada e não há qualquer questionamento judicial nesse sentido. MBL tem cara e sempre teve seus líderes, tais como Kim, Holiday e Renan. O resto é papo de oportunista.

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