Marc-Chagall-La-Vie-1964

Sobre a Humanidade Socialista

Pode ser paradoxal falar em socialismo hoje, num contexto mundial caracterizado, de um lado, pelo baixo crescimento econômico e agravamento da miséria social seis anos depois da crise que afetou principalmente os países do centro do capitalismo; e, por outro lado, do deslocamento, nesses países, da correlação de forças sociais à direita, pois a luta de classes não encontra ainda um proletariado organizado em torno de uma alternativa revolucionária. 

Mas é exatamente em épocas como esta, na qual se vislumbra o horizonte da barbárie, que devemos levantar a bandeira do socialismo, única possibilidade de superação das contradições em que o capitalismo mergulha a humanidade. Significa também um chamamento do proletariado à resistência e a luta de classe.

A palestra Sobre a Humanidade Socialista, de Isaac Deutscher (1907-1967) serve a estes propósitos.(CVM)

 

Sobre a Humanidade Socialista

Isaac Deutscher 

 

Pediram-me para falar com vocês sobre a “Humanidade Socialista”. Este é um tema bastante amplo, a ponto de requerer tantas abordagens a partir de diversos ângulos, que devo pedir a vocês desculpas se o que vou dizer se assemelhar mais a uma conversa informal do que a uma conferência.

Os marxistas, em geral, têm sido renitentes em falar sobre a humanidade socialista; e devo confessar que eu mesmo senti algo desta resistência na primeira vez que esta conferência me foi proposta. Qualquer intenção de oferecer uma descrição da humanidade socialista, quer dizer, retratar o membro da futura sociedade sem classes, irá parecer tingido de utopia. Esse foi o domínio dos grandes visionários do socialismo, especialmente de Saint-Simon e Fourier, os quais, da mesma forma que os racionalistas franceses do século XVII, imaginaram que eles – e através deles, a Razão – finalmente haviam descoberto o homem ideal e que, uma vez feito este descobrimento, a realização deste ideal ocorreria a seguir. Nada mais distante de Marx e Engels e os principais marxistas das gerações subsequentes do que semelhante pensamento. Eles certamente não disseram à humanidade: “Aqui está o ideal, ajoelhe-se diante dele!” Em lugar de nos oferecer um esquema da sociedade futura, se dedicaram a produzir uma análise realista da sociedade tal qual era e é, a sociedade capitalista; e uma vez que as lutas de classes de seu tempo foram enfrentadas, se comprometeram de forma irrevogável com a causa do proletariado. Entretanto, ao responder as necessidades do seu tempo, não deram as costas para o futuro. Tentaram, no mínimo, de conjecturar a forma das coisas que estavam por vir; mas formularam suas conjecturas com fortes reservas e somente por acaso. Em seus volumosos escritos, Marx e Engels somente nos deixaram algumas poucas e dispersas alusões sobre o assunto que nos ocupa, alusões significativamente inter-relacionadas e que sugerem novos e imensos horizontes, mas são unicamente alusões. Sem dúvida, Karl Marx tinha a sua concepção da humanidade socialista, mas esta era a hipótese de trabalho de um analista, não a suposição de um visionário; e ainda que estivesse convencido do realismo histórico de suas previsões, as tratou com certa dose de ceticismo científico. leia mais

golpe militar 1964

50 anos do golpe militar: desafios do passado e do presente

por Coletivo CVM

 

No dia 1º de abril de 2014 completar-se-ão 50 anos decorridos do golpe militar que depôs o presidente João Goulart e instituiu a mais longa ditadura aberta de classe da história republicana do Brasil. A burguesia abriu mão de sua dominação direta pelo temor da radicalização das classes trabalhadoras numa situação de crise econômica, a primeira crise cíclica do capitalismo em nosso país. A burguesia abriu mão de sua dominação direta pelo temor da radicalização das classes trabalhadoras numa situação de crise econômica, a primeira crise cíclica do capitalismo em nosso país – a primeira crise gerada internamente.

A rememoração coletiva dos fatos, processos e consequências do golpe e da ditadura militar, embora propiciada pela criação, em 2012, da Comissão Nacional da Verdade, praticamente tomou impulso na segunda quinzena de março.

A CNV assumiu apenas a tarefa de identificar presos torturados, desaparecidos e mortos por seus algozes, sem levantar as razões desse processo extremamente violento que abalou a sociedade brasileira e cujas consequências ainda se fazem sentir hoje. Os próprios resultados das investigações limitam-se a confirmar as informações e reforçar suspeitas, sem que as instituições repressivas e seus altos mandatários tenham sido apontados publicamente mediante exigência de seu julgamento, como aconteceu na Argentina.

Por outro lado, o debate sobre os 50 anos tem sido incipiente e restrita à imprensa burguesa;  seus desdobramentos nas redes sociais da internet foram provocadas em boa medida pelas revisões que ex-militantes da esquerda fizeram sobre o passado e sua própria atuação e agora voltaram a afirmar. O centro da polêmica está na defesa da democracia representativa, ou seja, da democracia burguesa, como se não tivesse ocorrido luta de classes e, nesse processo, as esquerdas não tivessem assumido posições revolucionárias ou mesmo reformistas radicais para o contexto de 1964. leia mais

Usiminas 7

O “Massacre de Ipatinga”, os trabalhadores e o laboratório do Golpe de 64

Do site de Luis Nassif Online

Falar do “Massacre de Ipatinga” é não falar, é sinônimo de silêncio. Silêncio forçado, traumatizado, a lembrança arrancada da memória.

Ipatinga foi o local escolhido para se construir uma usina siderúrgica, a Usiminas. A estaca inicial foi fincada em 1958, e nessa época Ipatinga ainda era um pequeno distrito (Coronel Fabriciano-MG), mesmo assim o local é tomado pelas empreiteiras e empresas afins. Ao mesmo tempo, milhares de trabalhadores da região e de outros lugares, normalmente vindos do campo, também se dirigem para lá na esperança de condições de vida e de trabalho mais dignos, pois no campo elas são desumanas. Como o local era pequeno, não tinha estrutura para receber tanta gente, mas foi essa oferecida aos trabalhadores. leia mais

Crimeia anexada

Ucrânia: o antagonismo inter-capitalista se exacerba (III)

O CVM publica a terceira matéria sobre a crise na Ucrânia de autoria de Antonio Luiz M. C. Costa, de Carta Capital.

DIVÓRCIO LITIGIOSO Carta Capital Edição 792 – 26 de março de 2014

por Antonio Luiz M. C. Costa

UCRÂNIA: Putin consuma a anexação da Crimeia e aprofunda a fenda entre o Ocidente e os emergentes.

Há dias na história que valem por meses ou anos e esse foi ocaso do 18 de março de 2014, cujas consequências provavelmente repercutirão pelo mundo por muito tempo. Nessa data, menos de três semanas após o início dos protestos na Crimeia contra a mudança de regime em Kiev e a subsequente ocupação russa da região, Vladimir Putin assinou um tratado com os governos separatistas da Crimeia (República Autônoma da Crimeia e Cidade de Sebastopol) sobre sua incorporação à Federação Russa. leia mais

Ato do Dia Mundial da Saúde no Rio de Janeiro – 07/04/2011

Ato do Dia Mundial da Saúde no Rio de Janeiro – 07/04/2014 – participe!

http://fopspr.wordpress.com/2011/03/21/ato-do-dia-mundial-da-saude-no-rio-de-janeiro/

 

Companheiros, divulgamos esse ato que está sendo organizado e promovido pelo Fórum de Saúde do Rio de Janeiro.

O Fórum de Saúde fará reuniões todas as terças no SinMed (Av. Churchill, 97, Centro, Rio de Janeiro/RJ) para  a construção do ato do Dia Mundial da Saúde (22 e 29 de março e 05 de abril). Se você é da cidade do Rio de Janeiro ou região e quer lutar pela Saúde Pública de qualidade, participe!

E, se você ou sua organização/entidade quer ajudar a divulgar o ato, não apenas virtualmente (Internet), está disponível material  impresso para a divulgação no SinMed.

Para outras informações, segue os contatos do Fórum de Saúde do Rio de Janeiro:

e-mail: pelasaude@gmail.com

telefone: (0xx21) 2334-0572 – ramal 208

FOPS