Tanques de guerra CSN 1988

CNV realiza ato para relembrar a repressão aos trabalhadores no Rio de Janeiro

O Grupo de Trabalho “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical”, da Comissão Nacional da Verdade, em conjunto com a Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio), realizará, na próxima quinta-feira (28), na sede da Central Única dos Trabalhadores, Ato Unitário no Rio de Janeiro, com o intuito de relembrar a resistência de sindicatos e trabalhadores à perseguição e repressão sofridas durante a Ditadura Militar.

Os atos unitários têm sido organizados em diferentes regiões do Brasil, com a participação de representantes de todas as centrais sindicais que integram o GT, com o objetivo de dar voz aos integrantes de organizações trabalhistas perseguidas e seus familiares. Durante o regime militar, diversas organizações sindicais, que lutavam e se articulavam para garantir seus direitos, e que ao mesmo tempo ganhavam força no cenário político do país, foram reprimidas e perseguidas.

O Rio de Janeiro concentrava cerca de 80% das estatais do país e, durante a ditadura, foi um dos estados que mais sofreu com a repressão aos trabalhadores sindicalizados. Os funcionários eram monitorados pelas Assessorias de Segurança e Informação (ASIs), que vigiavam os movimentos trabalhistas dentro das fábricas e empresas, o que causou demissões em massa, aposentadorias compulsórias, impossibilidade de se obter promoções no trabalho, além de prisões, torturas, desaparecimentos e mortes.

O Ato no Rio de Janeiro contará com os testemunhos de oito trabalhadores, representando sete categorias atingidas durante a ditadura militar no estado do Rio de Janeiro. São eles: Vagner Barcelos (metalúrgico da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN); José Werneck (ferroviário); João Baptista Quincas Filho, o Tuca (portuário); Francisco Soriano (petroleiro); Mario Macaco (Correios); Nilton Domingues Pedrosa (gráfico); Nilson Carneiro (metalúrgico da Fábrica Nacional de Motores – FNM) e Ronald Barata (bancário).

Também estarão presentes a advogada Rosa Cardoso, coordenadora do GT Trabalhadores da CNV, e Geraldo Cândido, membro da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. O evento será transmitido ao vivo pela CNV, no endereço: www.cnv.gov.br/aovivo

SERVIÇO

Ato Sindical Unitário no Rio de Janeiro
Quando: Quinta, 28 de agosto de 2014
Horário: 10h
Onde: Auditório da CUT – RJ
Endereço: Av. Presidente Vargas, 502 – 15º andar – Centro, Rio de Janeiro
Transmissão ao vivo: www.cnv.gov.br/aovivo

Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação

Mais informações à imprensa: Davi Mello
(61) 3313-7326 | comunicacao@cnv.presidencia.gov.br

Alemanha

O movimento operário na Alemanha de hoje.


por Lothar Wentzel

Gostaria de responder de forma um pouco mais precisa a respeito de como os operários se movimentam politicamente na Alemanha. O cenário entre os operários tem um espectro muito grande. A maioria vota mesmo no SPD e no Partido da Esquerda (die Linke) – 35% também votam na CDU – mas sua posição move-se amplamente no campo do capitalismo. De 30 a 40% dos operários estão organizados em sindicatos. O capitalismo parece para os operários como o sistema econômico mais efetivo e o socialismo, depois da experiência com a Alemanha Oriental, caiu em descrédito. Na crise do mercado financeiro de 2008/09, ocorreu uma curta disposição de crítica ao capitalismo, pois se sentiu como é insegura a própria existência do capitalismo. Mas a crítica foi dirigida principalmente contra o capital financeiro e contra a especulação e a avareza. Sob pressão dos sindicatos, o tempo de trabalho foi encurtado, mas os operários – na maioria dos casos – não foram despedidos. Dessa forma, não ocorreu um aumento maior do desemprego. A situação ficou estável. A economia alemã depende muito fortemente da exportação de produtos industrializados. Ela encontrou novos mercados, principalmente na China. A situação econômica melhorou novamente. Em outros países da Europa, a situação parece essencialmente pior. Os operários veem que as coisas vão claramente melhor para eles do que nesses países. Por isso, a crítica ao capitalismo diminuiu e a política do governo é vista frequentemente de maneira positiva.

Os operários criticam hoje geralmente apenas pontos isolados, não o sistema econômico como um todo: a elevação da idade de aposentadoria para 67 anos, a existência de um setor de baixos salários (23%) e a falta de um salário mínimo, o trabalho temporário, o mau tratamento dos desempregados, os lucros brutais dos fundos de hedge, a distribuição injusta da riqueza, etc. O lado negativo é que muitos operários dizem que temos que pagar pelos erros de outros países europeus – por exemplo, a Grécia – que melhor seria que o dinheiro ficasse na Alemanha, pois temos problemas suficientes. Outros desprezam os pobres e desempregados: eles não querem trabalhar nem se esforçar. Chamamos a isso de chauvinismo da prosperidade.

Quais são as consequências políticas? O SPD não é mais um partido reformista. Ele quer apenas melhorar a gerência do capitalismo, sem mais nenhuma outra reforma estrutural. Assim, o die Linke encontra-se numa situação paradoxal: ele próprio tem que organizar um reformismo combatente. Só quando os próprios trabalhadores fizerem experiências com as possibilidades e limites do reformismo, podem desenvolver um pensamento que ultrapasse o sistema. O die Linke faz isso no momento. Por isso, eu o apoio. Os marxistas precisam, além disso, discutir em seus grupos as muitas questões em aberto: que consequências tiramos do fracasso da União Soviética? Qual o significado da crescente globalização? Como lidamos com a questão ecológica? E assim por diante.

Mais um complemento sobre as relações de classes na Alemanha. Os operários que têm um trabalho inseguro e trabalham no setor de baixos salários não acreditam mais que os partidos políticos os possam ajudar, nem mesmo o Partido da Esquerda. Eles não vão mais votar. A participação nas eleições nacionais para o Bundestag caiu de 85% (1982) para 73% (2013). Uma parte da perda do SPD explica-se por isso. O Partido da Esquerda é mais forte aí do que em outras camadas, mas até agora não pôde impedir a tendência à abstenção. 90% da população da Alemanha tem ocupação assalariada. A esse respeito, o desenvolvimento dos funcionários também é interessante. A classe média está dividida. As profissões sociais – professores, enfermeiros, etc. –  tendem fortemente para os verdes e são mais da esquerda liberal. Os que dão apoio à gerência dos negócios – gestão financeira, planejamento – são mais conservadores. Às vezes há alianças com os verdes.

Frankfurt, 24 de abril de 2014.

campesina

Moção de Solidariedade da CLOC-LVC ao Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

do Portal do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

Nós, dirigentes de 21 organizações, provenientes de 15 países, membros da CLOC – Via Campesina, reunidos em San Salvador – El Salvador, para dar continuidade ao processo de construção de nosso VI Congresso que se realizará em Buenos Aires – Argentina, entre os dias 10 e 17 de abril de 2015, vimos manifestar nossa solidariedade ao Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, que nos últimos dias tem sido vitima de uma ofensiva judicial por parte da transnacional Monsanto.

Tal empresa representa ao interesses do capital no campo através do agronegócio que vem contaminando a terra, a água, destruindo a biodiversidade, impondo as sementes transgênicas e agrotóxicos, e expulsando milhões de camponeses e povos originários dos seus territórios ancestrais.

Esta empresa em vários estados do Brasil entrou com ações judiciais contra companheir@s do MPA, acusando-lhes de preparar ações de “invasão” al patrimônio da empresa, entre outras acusações. Estes processos judiciais contra estes companheiros representam em parte uma parte das injustiças cometidas pela Monsanto nos países onde atua, bem como o processo de criminalização das lutas populares.

Assim, reafirmamos enquanto CLOC-Via Campesina que a Monsanto representa um projeto de morte e um perigo para a soberania alimentar dos nossos países, enquanto o MPA e a Via Campesina do Brasil representam o projeto de produção de alimentos saudáveis em convívio com a biodiversidade, o que se consolida na Agroecologia como proposta política e produtiva para o mundo, em outras palavras, representam a construção da soberania alimentar e portanto merecem todo o apoio e solidariedade de nossas organizações e países.

CONTRA O SAQUEO DO CAPITAL E DO IMPERIO, AMÉRICA LUTA!

PELA TERRA E ASOBERANÍA DE NOSSOS POVOS, AMÉRICA LUCHA!

lumpemproletariado

A teoria marxista do pauperismo e o debate com o reformismo social-democrata

por Rodrigo Castelo Branco
Professor do UniFOA. Doutorando da Escola de Serviço Social da UFRJ. Membro do Laboratório de Estudos Marxistas José Ricardo Tauile (LEMA/JRT) do Instituto de Economia da UFRJ.

Apresentação do CVM

“A teoria marxista do pauperismo e o debate com o reformismo social-democrata”, de Rodrigo Castelo Branco, publicado nos Anais do V Colóquio Internacional Marx-Engels, realizado em Campinas, de 6 a 9 de novembro de 2011, é uma iniciativa do Centro de Estudos Marxistas do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP (CEMARX).

Na medida em que a “redução da desigualdade social” estará em pauta na campanha eleitoral, tanto oficialista como oposicionista, temos de chamar atenção para a análise marxista do fenômeno do pauperismo. Esta é uma das contribuições do autor. Sabemos que o pauperismo é apenas uma das expressões da acumulação do capital que supõe a criação do exército industrial de reserva.

Mas é preciso dar um passo adiante. Precisamos analisar criticamente o pauperismo oficial representado pelo Programa Bolsa Família. Obviamente este programa tem um forte sentido de legitimação política e representa a face mais visível do clientelismo político como um dos pilares da democracia burguesa. O Programa tem sido utilizado ideologicamente pelo petismo para defender a “inclusão social” dos segmentos mais pobres das classes trabalhadoras no mercado de consumo capitalista, de modo a evidenciar o seu papel político de sustentar um governo (de coalizão com o PMDB) capaz de compatibilizar capitalismo e redução das desigualdades. Aliás, capitalismo e inclusão social é a bandeira levantada por Lula para justificar a permanência do PT no governo até 2020.

O que não aparece nas análises é, na compreensão do CVM, a relação do programa com a reprodução da força de trabalho para o capital, principalmente da “infantaria ligeira do capital”, assim chamada por Marx aquela parte do exército de reserva ativo composto pelos segmentos da classe trabalhadora migrantes que integravam o setor da construção civil pesada. Não é disso que se trata na região norte do país, quando o Bolsa Família assegura minimamente as condições de vida de mulheres e crianças que, no interior do Maranhão, Piauí e Tocantins, fazem parte das famílias dos “peões de trecho” na construção das hidrelétricas com o Santo Antonio e Jirau?

Em resumo, uma análise do Programa Bolsa Família permite desvendar as relações entre exploração da força de trabalho pelo capital com dominação política burgues a de caráter democrático. (CVM)

 

INTRODUÇÃO

A luta dos trabalhadores por melhores condições de vida sempre encontrou um sem número de obstáculos. No terreno da ideologia, a economia política burguesa proclamava a lei férrea dos salários, pela qual a classe operária estava condenada não somente a viver com o suor do rosto mas a conviver com salários mínimos de subsistência. leia mais

Exercito Industrial de Reserva

A evolução recente do mercado de força de trabalho brasileiro sob a perspectiva do conceito de exército industrial de reserva

Para compreender a dinâmica da luta de classes no Brasil é importante conhecer a realidade do mercado da força de trabalho explorada pelo capital. O artigo “A evolução recente do mercado de força de trabalho brasileiro sob a perspectiva do conceito de exército industrial de reserva”, de Nelson Nei Granato Neto e Claus Magno Germer, constitui uma contribuição importante para esta compreensão.

Os autores fazem um esforço de compreender o mercado da força de trabalho à luz das categorias marxistas, com adequação destas à realidade brasileira por meio da redefinição analítica do sistema de informação da PNAD/IBGE. Este artigo encontra-se disponível na Revista Ciências do Trabalho, vol 1, n. 1, 2013.  (CVM)

 

Resumo

O mercado de força de trabalho brasileiro é historicamente caracterizado por altas taxas de desemprego, subemprego e informalidade. Por isso, para estuda-lo, conceitos teóricos que conseguem englobar estas características são necessários, como o conceito de exército industrial de reserva, desenvolvido por Marx no livro I de O Capital. Este artigo procura realizar esta tarefa. Para isso desenvolve um estudo teórico deste conceito e depois realiza uma experiência empírica com a tentativa de mensuração do exército industrial de reserva do Brasil na década de 2000.

Palavras-chave: Exército industrial de reserva. Desemprego. Subemprego.

Introdução

O conceito de Exército Industrial de Reserva (EIR), desenvolvido por Marx no livro I de O Capital, é importante para qualquer análise marxista nas áreas de Economia e Sociologia do Trabalho. O estudo deste conceito permite que a análise que se pretenda marxista nessas áreas não fique dependente de conceitos de desemprego importados de outras teorias sociais, o que a desfigura. Entretanto, as estatísticas oficiais de população e trabalho não classificam a população de acordo com o especificado pela teoria marxista, o que coloca uma dificuldade a mais para a análise marxista: como adaptar e interpretar dados mensurados em metodologias e referenciais teóricos diferentes. Há ainda um problema adicional que é como adaptar o conceito de EIR e sua divisão em três camadas ao capitalismo contemporâneo. leia mais