aecio e dilma

Dilma ou Aécio? Direito de resposta a uma falsa questão. Ou: organizar as lutas da classe operária e dos trabalhadores.

Coletivo Cem Flores
sexta-feira, 24 de outubro de 2014

 O “debate” eleitoral passou ao largo das verdadeiras medidas econômicas e sociais que estão em discussão e deverão ser tomadas pelo governo a partir de 2015, seja ele qual for. Na verdade, não se discute se haverá ou não um ajuste recessivo, anti-trabalhador, mas “apenas” como este “ajuste” será operacionalizado, concretizado.

As eleições de 2014 tratam de atualizar o programa de classe da burguesia, numa conjuntura internacional marcada por um largo período de crise do imperialismo, desde 2007, sem sinais de reversão, com baixo crescimento econômico (quando muito!) nos principais países imperialistas e maior concorrência na economia mundial, com queda nos preços das commodities exportadas pelo Brasil e paralisia econômica no país.

A dissimulação das medidas reais a serem adotadas é um dos pontos em comum entre as duas candidaturas no 2º turno, indicativo de seu compromisso com as classes dominantes, que a “agressividade” dos discursos das campanhas cumpre a função de ofuscar. Além disso, a convergência entre o programa dos dois candidatos pode chegar inclusive ao detalhamento das medidas de “ajuste”. leia mais

luta-esquerda

VOTO CRÍTICO OU VOTO NULO?

Por uma plataforma de lutas e pela mobilização independente dos trabalhadores

 Coletivo CVM

O artigo “Onda conservadora de Guilherme Boulos (link também aqui no Portal CVM) e também as posições que os coletivos Centro de Estudos Victor Meyer e Cem Flores publicaram no blog marxismo21 suscitou uma proposta de debate. Trata-se do artigo “A necessidade de uma política: as eleições brasileiras de 2014 e os dilemas da esquerda socialista no segundo turno”, de Marcelo Badaró Mattos, publicado no Blog Capitalismo em desencanto.

Professor universitário, estudioso do movimento operário brasileiro e ativista de esquerda, Marcelo Badaró analisa o processo eleitoral que definirá, em 26 de outubro próximo, quem vai ocupar o cargo da Presidência da República. Mais importante, apresenta a proposta de um “voto crítico” no PT e, portanto, na candidatura de Dilma Roussef à reeleição, a ser sustentado por uma Frente de Esquerda.

Não iremos examinar aqui o artigo no exame do processo eleitoral, ponto por ponto. Diremos apenas que, do ponto de vista político geral, as propostas dos candidatos Dilma e Aécio são convergentes em termos dos interesses da burguesia, embora nada disso transpareça para a maioria da população que assiste aos programas de televisão e de rádio, ou eventualmente participe de comícios.

A diferença existente entre as duas candidaturas repousa menos nas suas posições quanto aos desafios da economia capitalista e do papel do Estado no futuro imediato do que nas bases sociais de apoio. Assim é que a reeleição de Dilma implica algum grau de negociação com os trabalhadores por meio das centrais sindicais. Em outros termos, enquanto Aécio expressa as posições burguesas sem mediação, Dilma precisa da mediação da burocracia sindical constitutiva da base do Partido dos Trabalhadores.

Não se pode negligenciar o significado dessa burocracia cooptada pelo governo por meio dos fundos públicos como o FAT e o FGTS, dos cargos nos fundos de pensão quanto ao papel que irá desempenhar na eventual reeleição de Dilma. Desde já essa burocracia nucleada na CUT e na direção do sindicato dos metalúrgicos do ABC tem defendido a flexibilização da CLT por meio de Acordos Coletivos Especiais e da proposta da Política de Proteção ao Emprego, mediante as quais direitos, jornadas e salários são trocados pela garantia de emprego temporário.

Lembremos: em vez de semana de 40 horas, “lay-off” ou outros acordos lesivos aos trabalhadores; no lugar de salário mínimo do DIEESE (R$2.862,73), recuperação parcial do poder de compra do salário mínimo vigente (R$724,00); em vez de liberdade sindical, atrelamento da CUT, cerceamento do direito de greve e aperfeiçoamento do aparato repressivo; em vez de recuperação dos serviços públicos, ao lado reforço aos planos de saúde, privatização da gestão do SUS e favorecimento da dupla porta de entrada nos serviços públicos especializados.

Qual a responsabilidade que as esquerdas, nomeadas como PSOL, PSTU e PCB (deveríamos agregar o PCO), têm nesse contexto? –  pergunta Marcelo Badaró.

É interessante observar que a possibilidade de uma frente de esquerda incluía, até 2013, grupos dentro do PT assumidos como “esquerda”. Se agora estão deslocados é por que acompanharam a guinada do PT à direita. Esses grupos descobriram-se ou melhor, inventaram para si, a condição de uma esquerda anti-neoliberal, em outros termos, uma esquerda para o capital produtivo, isto é, do pequeno e médio capital, pois o grande capital é financeiro no sentido da fusão das diferentes formas do capital: bancário, comercial, industrial, agrário. Uma esquerda para o capital, como já disse outro pensador e ativista de esquerda.

Mas qual é a responsabilidade desses partidos capazes de compor uma nova Frente de Esquerda, de acordo com Badaró? Transcrevemos a seguinte passagem do artigo:

Ao não efetivarem, no plano nacional, desde as “jornadas de junho”, uma Frente de Esquerda reunindo PSOL, PCB, PSTU, como também os movimentos sociais mais combativos da classe trabalhadora, essas organizações perderam a oportunidade de aproveitar o momento eleitoral para apresentar uma alternativa de mudanças pela esquerda que pudesse ter uma audiência mais ampla, disputando de fato a consciência social. Não que o resultado eleitoral pudesse ser muito diferente, mas por certo que atuando unitariamente nossa capacidade de intervenção se potencializaria.

Acreditamos que nos falta ainda uma análise aprofundada sobre as jornadas de 2013. O Movimento Passe Livre (MPL) era a única organização capaz de “dar uma direção” às massas nas ruas mas não foi capaz disso pela entrada na cena de vários grupos sociais, à esquerda e à direita, sem uma experiência organizativa própria. O MPL não era nem pretendia ser um partido. Militantes dos partidos indicados por Badaró participaram do MPL e das assembleias de organização dos atos, assim como o fizeram várias organizações de esquerda nos idos das greves de 1978-80. A verdade é que, tanto agora como no passado, não estavam enraizadas para assumir a liderança e tampouco disputar a consciência social.

Daí o caráter inócuo desse agrupamento suprapartidário de esquerda, de um “nós” com alguma expressão política para negociar com o PT. Sejamos sinceros: nenhuma das organizações dispõe de força efetiva para tal intento.

Por outro lado… aproveitar o momento eleitoral para propor mudanças pela esquerda? Estará querendo apontar a saída da Constituinte, sonho recorrente da pequeno-burguesia democrática? Diante desse sonho basta dizer que as eleições atuais são favas contadas… à direita.

Do ponto de vista eleitoral, não podemos deixar de reconhecer que a classe trabalhadora no estágio de consciência política em que se encontra, tende a escolher o “menos pior”, ou seja, Dilma Roussef. Apenas núcleos reduzidos que recusam a política de colaboração de classes optarão pelo voto nulo.

Entretanto a questão que precisamos responder, do ponto de vista político é: que posição defender quando se convocam os trabalhadores a votar em 26 de outubro?

A resposta é a vinculação do voto à atuação das organizações autoproclamadas de esquerda no movimento operário real, quer dizer, nas lutas econômicas e na disputa sindical por sua condução, ora em curso, em defesa de uma plataforma de lutas mínima.

Somente então tem sentido debater o papel de uma futura frente das organizações citadas e outros coletivos de esquerda.  Essa frente poderá surgir se os seus participantes foram capazes de unir esforços nas áreas onde atuam com uma plataforma de lutas mínima, dentre as quais a defesa dos direitos econômicos e sociais dos trabalhadores; contra a terceirização e a flexibilização da CLT que ACEs e PPP encaminham; pelo salário mínimo necessário, com base no DIEESE; pela jornada de 40 horas de trabalho; pela organização de base nos locais de trabalho e contra o atrelamento dos sindicatos ao Estado; pelo direito irrestrito de greve.

Pode ser que alguns defendem o voto crítico em Dilma, outros o voto nulo, mas se tal plataforma for levantada publicamente e, principalmente, levada à prática, estaremos de fato direcionando água no moinho da história.

PS: Demais coletivos que podem aderir ao debate:  Coletivo Contra Corrente, da Intersindical, do MTST, Conlutas.

Onda conservadora jornais

A onda conservadora

Guilherme Boulos 
na FSP, 09/10/2014

 

 

O último domingo revelou eleitoralmente um fenômeno que já se observava ao menos desde 2013 na política brasileira: a ascensão de uma onda conservadora. Conservadora não no sentido de manter o que está aí, mas no pior viés do conservadorismo político, econômico e moral. Uma virada à direita.

Talvez, o recente período democrático brasileiro não tenha presenciado ainda um Congresso tão atrasado como o que foi agora eleito. O que já era ruim ficará ainda pior. O pântano de partidos intermediários, cujo único programa é o fisiologismo, cresceu consideravelmente. A bancada da bala e os evangélicos fundamentalistas tiveram votações expressivas em vários Estados do país.

O deputado mais votado no Rio Grande do Sul foi Luis Carlos Heinze, que recentemente defendeu a formação de milícias rurais para exterminar indígenas. No Pará, foi o delegado Eder Mauro. Em Goiás, o delegado Waldir, com um pitoresco mote de campanha que associava seu número (4500) com “45 do calibre e 00 da algema”. No Ceará foi Moroni Torgan, ex-delegado e direitista contumaz. No Rio de Janeiro, ninguém menos que Jair Bolsonaro, que há muito deveria estar preso e cassado por apologia ao crime de tortura. leia mais

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A Ucrânia na Zona de Tensão entre a Rússia e o Ocidente

Lothar Wentzel

algumas semanas as armas silenciaram no Leste da Ucrânia. Na Bielorrússia as partes em conflito negociam sobre o futuro da Ucrânia. O processo está em aberto. Entretanto, pode-se tentar elaborar um primeiro balanço parcial do conflito.

A queda da União Soviética foi uma das grandes catástrofes políticas do final do século XX. O Partido Comunista estava tão esgotado, que não tinha mais condições de controlar o processo político. Ao contrário da China, onde o antigo Partido Comunista promove a conversão planejada do país ao capitalismo, e assim ao menos preserva os interesses nacionais, a União Soviética afundou no caos. Um populista incapaz e alcoólatra à frente do governo – Boris Yeltsin – fortaleceu ainda mais esse processo.

Qual foi o resultado? Ao redor da União Soviética surgiram novos estados nacionais e mesmo o núcleo territorial de língua russa dividiu-se em quatro estados: Bielorrússia, Ucrânia, Cazaquistão e Rússia. Numa selvagem luta pelo poder, surgiram grandes corporações capitalistas sobre a base dos grandes complexos industriais soviéticos, com os ditos oligarcas no comando, repartindo a herança do comunismo entre si e tornando-se os verdadeiros governantes. No período de governo de Yeltsin, o Ocidente conseguiu forçar uma abertura do mercado russo para si. Capital no valor de mais de 50 bilhões de dólares americanos – que seria urgentemente necessário ao país – fluiu para o exterior. leia mais

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Notas sobre a conjuntura da luta de classes e as eleições de 2014

BLOG MARXISMO21 – DOSSIÊ ESQUERDAS, ELEIÇÕES E TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS DA SOCIEDADE BRASILEIRA – setembro de 2014

 

Coletivo Cem Flores

 

O Coletivo do Blog Cem Flores (http://cemflores.blogspot.com.br/) saúda a iniciativa dos camaradas do Blog marxismo21 de incentivar o debate das transformações estruturais da sociedade brasileira e as eleições entre a diversidade de posições presentes pelo largo espectro político e ideológico das esquerdas. Nossa contribuição segue o roteiro sugerido por marxismo21.

 1. O projeto de governo hegemonizado pelo PT teria se esgotado?

Uma resposta a este questionamento, em nosso entendimento, deve analisar as diferentes perspectivas das classes sociais na conjuntura da luta de classes no Brasil.

Os movimentos grevistas dos trabalhadores nos últimos anos e a repressão desencadeada pelas classes dominantes por meio do Estado burguês colocam em questão a eficácia ideológica da política de conciliação de classes praticada pelos governos Lula/Dilma e do PT. O questionamento à essa ideologia de conciliação de classes é um processo em curso na atual conjuntura e marca especialmente a experiência de núcleos e militantes mais avançados da classe operária e dos trabalhadores, de um lado; e setores da burguesia e da pequena burguesia, de outro.

O projeto de governo hegemonizado pelo PT que está em questão é o da gestão do aparelho de Estado burguês no Brasil, projeto autoproclamado como pacificação social.[1] Essa foi a garantia dada pelo PT à burguesia na conjuntura da crise econômica durante a sucessão presidencial de 2002. leia mais